Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, outubro 20, 2008

E VIVA O FOLCLORE!

Todos os órgãos de informação destacam hoje o acto eleitoral ocorrido ontem nos Açores. É natural.
A euforia leva a que, quase todos os partidos, se assumam como vitoriosos embora só um o tenha sido. Também já é natural.
No entanto, a análise e conclusões a retirar destas eleições deveriam ir muito além dos resultados alcançados pelos partidos. Ganhar o PS com maioria absoluta, embora com menos votos; subir o CDS ou o Bloco de Esquerda; baixar o PSD - tudo isso é normalíssimo neste país. A flutuação de votos úteis é já um lugar comum.
Porém, com tudo isto, há uma análise que os partidos se recusam a fazer - óbvio, também - e que diz respeito aos 53,2 % que, simplesmente, resolveram virar as costas ao acto.
Temos assim que, mais de metade da população não votou. Nunca a fasquia dos 50% tinha sido dobrada.
E, se a este número se acrescentar 1,88% de votos brancos e ainda 0,84% de votos nulos, teremos então que 59% dos votantes açorianos se "marimbaram" para as eleições.
Parece-me que isto é um claro sinal do descrédito de um sistema político, e dos políticos que temos.
E é pena que esta democracia - que no seu sentido mais genuíno significa que o poder emana do povo - permita que a minoria se assuma como maioria e assim governe.
Se pensarmos que 59% da população votante se não reviu em nenhum candidato, ou que, por qualquer outro motivo, não deu o seu aval político a quem quer que seja e, mesmo assim, terá de ser governada por quem não deseja, perceberemos então a podridão da tal demo/cracia que, em última análise, parece aproximar-se verdadeiramente de uma ditadura.
Esta forma de ver a questão é de tal forma incómoda para os partidos, que nenhum virá, com toda a certeza, chamar a atenção para ela, até porque quase todos estarão a celebrar a falsa vitória alcançada, entre taças de champanhe pagas pelo povo que os elegeu. O mesmo povo que os sustenta e que se vê, cada vez mais, privado do essencial para uma vivência condigna do dia-a-dia.
Enquanto assim for, não há motivo para mudar o que quer que seja. E viva o folclore!

1 comentário:

noticiasdaaldeia disse...

A cera está cara Camilo. Velas, só a bons defuntos.
Abraço.