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sexta-feira, outubro 03, 2008

Á ATENÇÃO DO SR. PRESIDENTE DA CME

Não invalidando o pedido de publicação, na próxima edição do JE, que farei seguir no uso do Direito de Resposta que me assiste, aqui fica o que tem de ser dito.

Notas prévias

1 - Um texto publicado no JE do passado dia 26 de Setembro, sob o título “Camilo Rego justifica pedido de demissão de presidente da Assembleia de Freguesia de Canelas”, terá feito o Sr. presidente da Câmara aceitar o desafio lançado por aquele órgão de informação para, e cito, "responder às acusações feitas pelo demissionário presidente da Assembleia de Freguesia de Canelas."
Apesar de muito antes ter sido convidado pelo JE a falar sobre o assunto, a minha única intervenção foi feita no local próprio, ou seja, na Assembleia de Freguesia (AF), justificando assim, perante os elementos da Junta e Assembleia a decisão tomada em Julho passado, pelo que a publicação de excertos dessa intervenção não foi feita a meu pedido. Dessa (intervenção) não mudarei uma vírgula sequer, acima de tudo, por espelhar e resumir, o que penso, mas também o sentimento que foi comum em muitas Sessões da AF, partilhada também pelos elementos da Junta e da Assembleia, e que o senhor sempre soube mas quis ignorar.

2- Em parte alguma da intervenção que entendi fazer, na atrás referida sessão da Assembleia, citei o nome do Sr. Presidente da Câmara, excepto para referir que aqui terá estado no dia 13 de Maio.
Dirigi-me sempre à actuação da Câmara como órgão de gestão autárquica e responsável pelo investimento e evolução de todas as freguesias do concelho, e nunca ao seu presidente que é apenas e tão só, um elemento dessa equipa. Entendeu finalmente o Sr. Presidente, dirigir-se especial e exclusivamente a mim, agora já não como Presidente da Assembleia de Freguesia de Canelas, pelo que me sinto honrado com tão elevada atitude. Pena que não o tenha feito entre Julho e Setembro, uma vez que já tão bem conhecia a decisão tomada e que lhe foi, por mim comunicada. A AF de Canelas não mereceu de sua parte uma única palavra.

Separadas as águas, impõe-se uma análise ao que disse na edição de hoje do JE. Procurarei ser brando na dita.
O primeiro parágrafo poderia servir para situar os leitores mais afastados do assunto mas, pelo contrário, serve apenas para levantar a poeira em torno do mesmo, numa hábil tentativa de turvar o que é claro.Então o Presidente da Assembleia de Canelas demitiu-se porque quer lá um Pólo da Universidade?!?...” Pergunta, que classifico apenas de infeliz e que obteve, muito provavelmente a julgar pelo texto que se segue, resposta mais infeliz ainda. E digo mais infeliz ainda, por ter sido habilmente aproveitada para iniciar a dita "resposta."
Todos sabemos que há palavras, frases, perguntas que, retiradas do seu contexto, induzem a perigosas e, por vezes, falsas interpretações. E este é seguramente um desses casos. Basta ler todo o texto por mim escrito, e que disponibilizarei a quem o pretenda, para perceber que há aqui maldade na forma de introduzir o assunto. Adiante.
Da mesma forma que o Sr. Presidente afirma que conhece há muito a minha decisão pessoal, também eu conheço a sua facilidade em jogar com as palavras, alinhando-as, quando lhe convém, em discursos bonitos mas cheios de nada.
“Quem o ler, até pode ficar com a ideia que nada se planeia, fez ou tem feito. Mas a verdade é que em Canelas, como nas restantes freguesias, relativamente ao Plano de Actividades de 2008, as Obras na Rede Viária decorrem normalmente e há mesmo cinco empreitadas já concluídas”. Nunca alguém ouviu o presidente da AF de Canelas proferir afirmações nesse sentido.
Fez-se e continua a fazer-se obra em Pardilhó, Beduído, Avanca e Salreu. Está à vista e, se traduz a vontade, necessidade ou satisfação dos habitantes dessas localidades, terão de ser eles a estar preocupados com esse facto e não é a isso que me refiro. Quanto às outras três freguesias - as pequenas - são públicas as queixas, com maior ou menor veemência, pela falta de obra realizada.. São públicas, sublinho e não são da minha autoria. Só não ouve quem não quer ouvir. A falta de obra a que não me canso de aludir, tem exclusivamente a ver com a Freguesia que me elegeu. Isto é claro para todos, e já em 31 de Outubro de 2006, numa reunião havida na CME com os elementos da Junta e Assembleia, isso ficou claramente demonstrado. Obra essa que divido em duas vertentes: pequenas obras ou obras de melhoramentos - que habitualmente aparecem inscritas nos Planos de Actividades para Canelas, e Projectos de médio ou grande investimento, que nunca lá constaram.
Começarei então por trazer aqui as primeiras, as obras inscritas no Plano de Actividades (PA) da CME para a Freguesia de Canelas. E, como o timing a que me tenho referido é o mandato 2005/2009, recuo apenas ao ano de 2007, para avivar a memória a quem disso necessitar. Ora, as obras previstas para Canelas e a sua taxa de execução, estão demonstradas no quadro que se segue e que julgo dispensar quaisquer outros comentários. Pois é, Sr. Presidente. A última coluna refere-se mesmo à taxa de execução em 31/12/2007. Dando o benefício da dúvida à elaboração dos Projectos, a obra construída era, nessa data, igual a zero. Estamos a falar do Plano de Actividades da Câmara. Segue-se agora o mapa das obras inscritas no PA de 2008. Em 31 de Setembro, o resultado é pouco diferente, como se pode ver. Estarei a faltar à verdade? É fácil de provar. Basta que se publiquem – até pode ser na Revista da CME - fotografias das obras que foram realizadas e que fazem parte deste PA.
Claro que a Escola tem uma nova sala, mas sabe bem que ainda a dita não estava concluída, e V. Ex.ª encomendou a feitura de uma Carta Educativa, que prontamente fez aprovar e assinar, e que previa o encerramento da Escola. E o processo parou porque não chegou o dinheiro para a construção da nova Escola, em Salreu. Nessa altura, a CME suportava o custo com as ditas obras, enquanto assinava a sentença de morte da Escola de Canelas. Quer que entenda isto?
As obras do Ribeiro, neste momento – e falo no presente – existem apenas no projecto.
O Bioria, que segundo refere aguarda aprovação (ainda não existe na realidade, portanto), não o incluo no capítulo das grandes obras, uma vez que se trata da definição de um ou mais percursos que existem e que, segundo o que é possível ver em Salreu implicará apenas a colocação de algumas placas informativas, não desvalorizando, evidentemente, a candidatura e o processo burocrático que, espera-se venha a dar frutos. Também por diversas vezes o entendi como um Projecto a ter em conta face à riqueza ambiental dos campos de Canelas. Quando for uma realidade, saberei louvar a iniciativa, mas por agora...
A Estação Viva - encontra-se ainda também em gestação. Ainda não nasceu.
A Farmácia - não é da agora e ainda só é conhecido o pedido.
Relativamente à comparação com as restantes Canelas, as palavras são suas: “a nossa não tem a temer, contrariamente ao que afirma – tem cobertura integral de Rede de Água, cobertura de 85% de Saneamento (no site da CME, fala-se em 95%), recolha diária de Resíduos Sólidos Urbanos, Rede viária de qualidade. Moderna Iluminação Pública, novo Apeadeiro, Extensão de Saúde e, ainda, os Campos de Canelas foram considerados por uma revista como uma das Maravilhas Naturais de Portugal”. Esta é mais uma tirada a fugir à realidade, desenquadrada do teor da minha intervenção, que teve a ver tão só com as obras (não) executadas no presente mandato, decorridos que estão 3 anos do mesmo. Mas, também aqui, a realidade fala por si.
A água e o saneamento vêm do tempo em que era presidente da Câmara o Dr. Vladimiro e são infa-estruturas básicas comuns à grande maioria das pequenas aldeias do interior do País; a recolha dos Resíduos Sólidos Urbanos – não pagamos por isso? A iluminação pública – é certo que foi melhorada, mas não o foi em todo o concelho? O Apeadeiro – Claro que houve intervenção da CME, como houve da Junta e da Assembleia de Freguesia, para que não fechasse. Mas a responsabilidade das obras não foi da REFER? A Extensão de Saúde – não existe aqui desde o início dos anos 80 do século passado? A classificação dos Campos de Canelas... esta nem comento, Sr. Presidente!
Continuando, está previsto gastar-se 60.000€ na Extensão de Saúde – mas ainda não se viu nada, e volto a frisar que me refiro à análise do presente e não do futuro. Não há empreiteiros disponíveis? Mas há-os aqui na freguesia! Ao que julgo saber o problema não está nos empreiteiros, e o senhor sabe disso também.
É uma óptima zona residencial, como também resulta de novas e bonitas moradias que se vêm a crescer.” Contabilize, de preferência, quantos jovens abandonaram, nos últimos anos, esta sua terra natal, pelos entraves criados à construção das suas habitações. Obviamente que ninguém se vê na obrigação de vender terrenos na pouca área de construção disponível, pelo que a forma de tornear o problema será a abertura de novas áreas. Não será uma aspiração legítima?
"... continuar a tapar buracos no Baixo Vouga e nos caminhos agrícolas: há quem precise e aprecie”. Se V. Ex.ª estivesse atento saberia que tenho, incessantemente, chamado a atenção para a necessidade dessas reparações. Finalmente o caminho ao longo do Esteiro e mais um ou outro, viram algum melhoramento.
Sei de cor que tudo obriga a um planeamento, projectos, candidaturas, concursos, etc,; mas, decorridos ¾ do presente mandato, nenhum desses Projectos de que fala foi ainda concretizado. Estão para ser... mas ainda não foram, por esta ou aquela dificuldade. Quero dizer-lhe, Sr Presidente, que reconheço as dificuldades com que se depara quem quer fazer algo mas usá-las para justificar a não execução das obras do PA , é um sinal de incompetência e de mediocridade. Superar essas dificuldades e apresentar a obra, é o papel de quem se interessa, tem argúcia e capacidade para.
Não se podem fazer avaliações baseando-se apenas em factores e impressões subjectivas. Está à vista de todos o trabalho que tem sido feito. Só não vê quem não quer.” Mas, claro! A subjectividade caprichosa , em última análise, como a desesperada tentativa de tapar o sol com a peneira. Pois bem; desafio-o a ler as actas das Assembleias desta Freguesia, e descobrir lá uma coisa que se calhar não lhe é familiar: a subjectividade colectiva. Lá encontrará facilmente as queixas sucessivas da junta e de todos os membros da Assembleia, todos, sem excepção, que atestam esta impressão “subjectiva”. O que não encontrará lá é, seguramente, alguma referência a qualquer atitude de lambe-botas ou o que lhe queira chamar, por parte do até agora presidente da Assembleia. Talvez a diferença esteja no facto de uns terem coragem para dizer o que lhes vai na alma apenas onde e quando convém, enquanto outros, onde me incluo, lhe dizem as coisas com a frontalidade que o deixa tão incomodado.
Convivo facilmente e aceito da melhor vontade propostas, ideias e projectos que considero válidos, venham eles de onde vierem. Habituado que estou a pensar por mim e a ser fiel a princípios de isenção e imparcialidade, recuso-me a aceitar disciplinas partidárias que tantas vezes tolhem as mentes, ou a alinhar na subserviência ao poder que vem de cima. Nem todos o fazem, é verdade.
Gostaria de deixar claro, uma vez mais, que nunca disse que nada tem sido feito. Desafio-o a dizer quando e onde. Digo e mantenho, é que não há um critério de prioridades definido. As pequenas obras a que chamo de manutenção, jamais tirarão as pequenas freguesias do esquecimento. Parece-me legítima a aspiração a um desenvolvimento sustentado e possível, e para o qual, modestamente, fiz meia dúzia de sugestões, que me parecem perfeitamente exequíveis desde que haja vontade política. Tratam-se de Projectos que atravessam mandatos, porque são esses que fazem a diferença, e que são possíveis através da descentralização dos grandes investimentos do concelho, desde sempre canalizados para a sede do município e para as freguesias maiores. É essa descentralização que suporta o desenvolvimento das freguesias mais pequenas, e é nisso que acredito.
“Há sempre muito para fazer (...), contando com todos, mesmo os que achando-se inúteis como Presidentes de Assembleia aí permanecem como eleitos.” A inutilidade traduz-se habitualmente por zeros. E zeros tem o Sr. demais nos mapas acima. E são esses que ficam para a história, mesmo que habilmente disfarçados por tentativas, mais ou menos brilhantes, de exercícios de retórica.
Devo dizer-lhe que nunca me achei inútil, muito pelo contrário, exerci as funções de Presidente da Assembleia de Freguesia de Canelas durante cerca de 7 anos, com o máximo empenho e com o único objectivo, que me parece legítimo, de contribuir para o desenvolvimento da freguesia. Estou, também por isso, de consciência perfeitamente tranquila.
Devo dizer-lhe, Sr. presidente que, não fosse o seu alheamento completo das questões tidas como importantes para a freguesia de Canelas e, apesar das múltiplas manifestações de desagrado que daqui partiram, saberia que a demissão do presidente da Assembleia nada tem a ver com inutilidades. E, se as tivesse, elas têm um sentido e uma direcção: o presente mandato da CME em relação a esta freguesia que, até à data, considero pouco mais que nulidade.
Termino com a resposta à suposta pergunta que o suposto munícipe terá formulado e à qual o Sr. Presidente não terá sabido responder. O presidente (ex) da Assembleia de Freguesia de Canelas gostaria mesmo de ver em Estarreja um Polo da UA. Em Estarreja, que pode ser em Avanca, Salreu, Veiros ou Canelas. Como gostaria de ver outras coisas que se não vêem. Creia, Sr, Presidente, que não disse tudo o que sei, mas sei muito bem tudo o que disse.

8 comentários:

PIPO disse...

Caro Camilo Rego, expresso-lhe toda minha solidariedade, que pena que eu tenho de não residir (ainda) em Canelas, (perdoe-me a imodéstia)e estar aí para o ajudar a não se sentir tão sózinho.
Cumprimentos do Pipo.

Anónimo disse...

Também eu e todas as pessoas com quem convivo residentes nesta freguesia, estão completamente solidárias com o Camilo, por isso não se sinta sózinho, a sua coragem e determinação são evidentes no querer o melhor para Canelas, continue a acreditar que melhores dias virão, pois a sua imparcialidade é muito importante, bem haja por tudo o que tentou fazer.
CPTS

CR disse...

Amigo Pipo:
Obrigado pela companhia que, mesmo sabendo-o longe fisicamente, o tenho por perto na comunhão de ideias a este respeito.
Um abraço.

CR disse...

Caro anónimo.
Não tenho por elevada a posição de inconformismo que assumo, mas por normal. Conheço, na generalidade, o que pensam os canelenses e, como elemento e presidente da Assembleia de Freguesia que fui, por transmitir as suas preocupações que são também as minhas.
Cumprimentos,

Anónimo disse...

A verdade pode não render votos mas fortalece aconsciência.
Que nunca lhe doa a voz.
J Pinho

noticiasd'aldeia disse...

Olá Camilo,
Deixe que lhe louve a cordial e simpática resposta ao senhor presidente ainda em exercício. Eu não teria tanto polimento, principalmente quando o mesmo não é merecido.
Aos solidários Canelenses, recomenda-se a expressão do seu apoio e demonstração de interesse na vida colectiva, no local próprio. Na última reunião, onde justificou a sua demissão, esteve presente um único habitante da freguesia. No entanto, podiam ouvir-se as manifestações da turba que via o futebol no café próximo. Não é de admirar que o poderzinho concelhio nos trate desta forma indigna.
Louvo-lhe a hombridade da sua justíssima atitude, a mesma que outros não tiveram, e deixo-lhe a remota esperança de que, talvez um dia, tenhamos no poder, gente capaz de projectar e desenvolver uniformemente o Concelho.
Abraço,

Conde da Carvalha disse...

Só os imbecis e os encostados dão crédito ao plano de actividades da CME para a freguesia de Canelas, mesmo sendo ele paupérrimo, porque já se sabe dos anos anteriores que mesmo assim ele não é para cumprir, mas a freguesia também não merece mais, porque elege sistematicamente essa gente e, exceptuando os homens dos blogs que têm tido a coragem e a frontalidade de desmascarar a situação, parece que está tudo bem. E os senhores de Estarreja sabem que na altura devida, com uns sorrisinhos e umas palmadinhas nas costas os votinhos estão certos...E sendo assim...

Fermelanidades disse...

Não esquecer o porco no espeto.