Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

quinta-feira, setembro 11, 2008

O assunto

do post anterior, baseado na notícia do DN sobre o encerramento de escolas, já fez e vai ainda fazer correr muita tinta.
Com todo o respeito por opiniões contrárias, continuo a julgar que o encerramento de escolas pouco tem a ver com uma reforma do ensino; é mais uma reforma económica com um custo social imputado apenas aos mais pequenos.
É evidente que uma escola com 3, 4, 6 ou 10 alunos tem custos enormíssimos; mas uma única criança que seja, habitante dessas aldeias isoladas, tem o mesmo direito de aprender a ler que outra que tenha nascido em Lisboa, Porto ou Aveiro. A diferença é que nas cidades citadas, a escola fica a 5 ou 10 minutos de casa; no que diz respeito a essas aldeias, o encerramento da escola leva as crianças a percorrer distâncias muitas vezes superiores a uma hora. Pergunte-se a essas crianças o que preferem: se um recreio com 3 ou 4 colegas ou uma escola com 400 alunos, a 30 ou mais quilómetros de distância, percorridos por caminhos da serra e que os obriga a levantar às 6 da manhã e a regressar a casa sob a luz da lua. Infelizmente, os senhores que ditam as leis nunca sofreram na pele estas situações reais porque os seus filhos estão nos melhores colégios, com todas as mordomias dignas de príncipes do reino. Mas a questão que aqui por mim tem sido levantada tem uma outra vertente. Não estamos a falar de escolas de 10 alunos, mas de 60 e 70. E é por isso que o artigo do DN ganha relevo, uma vez que em Canelas é esse o número médio de alunos.
Parece-me óbvio o círculo vicioso que se poderá gerar em torno destas questões: a falta de investimento leva à diminuição da população, que tem repercussão directa no número de alunos; a diminuição deste número leva ao encerramento das escolas e este contribui para o afastamento da população.
Elementar, como diria Sherlock Holmes.
O que se pretende então não é o encerramento das escolas mas a criação de condições para que as freguesias cresçam. E isso só é possível com a descentralização do investimento.
Nas pequenas freguesias não se constroem Teatros, Hospitais, Escolas, Bibliotecas, Piscinas, Lares de Idosos, Infantários, etc, porquê?
Anda por aí na ordem do dia a problemática da construção de um novo hospital em Estarreja. A acontecer, o que não creio, será um hospital concelhio. Porquê em Estarreja? Porque não começar a descentralizar esse tipo de serviços e deslocá-los para uma qualquer freguesia onde haverá até, certamente, um ambiente mais propício?
Pois... é que o investimento que se faz nestas pequenas freguesias, resume-se ao alargamento e beneficiação de uns arruamentos e uma ou outra obra quase sempre de prioridade duvidosa, e por aqui se fica.
Para finalizar, seria legítima a questão do custo da manutenção das escolas das pequenas freguesias, se em todas as áreas houvesse rigor na aplicação dos dinheiros do Estado. Perde legitimaidade quando se esbanjam milhões em estádios de futebol, Aeroportos, TGV's, parques e piscinas, Europeus de futebol e outros, se paga principescamente a toda uma classe de políticos que têm levado o país ao estado calamitoso em que se encontra, e se encerram escolas, hospitais, Urgências, Maternidades, etc. em nome da redução da despesa pública.

1 comentário:

Pipo disse...

Caro Camilo, quando o Reagan e Gorbachov se degladiavam, contava-se a seguinte anedota, (baseada no Príncipio da Comunicação, que possiblita as afirmações (ambas correctas), de que a garrafa está; meia cheia, ou meia vazia), que para comemorar algum desanuviamento, os dois Estadistas iriam fazer uma pequena corrida de atletismo a solo, mas que estanhamente, devido à sua provecta idade, o Reagan, perante a admiração das partes envolvidas, conseguiu ganhar. No dia seguinte os Jornais Russos, publicavam a seguinte noticia "...No passado fim de semana, o nosso amado Presidente e o Presidente Americano, participaram em Lausanne numa corrida pela Paz, onde independentemente da sua idade, Gorbachov obteve um honroso 2º lugar, o Reagan ficou em penúltimo..." (o que faltou aqui, foi informar que a corrida tinha sido feita, exclusivamente a dois participantes...), tal como no Post do amigo Camilo (pessoa que eu muito prezo), faltam certamente inavertidamente, alguns elementos, e passo a citar: - Quantos dos 70 alunos são do 1º Ciclo e quantos são do 2º e do 3º?
- Em cada Ciclo, quantos alunos por cada ano?
- Qual o nº médio de alunos por turma, por Ano de Escolaridade?
- Qual o nºTotal de Professores e de Auxiliares?
Compreenda e peço-lhe que acredite, que o meu maior desejo era viver num País, em que os Equipamentos Públicos Colectivos, Escolas, Correios, Hospitais, Conservatórias, E.T.C., estivessem independentemente do seu custo, em todas as Freguesias e nalguns casos nos Lugares de maior distância, mas infelizmente esta realidade hipotética, não a conheço nem nos Países mais Ricos do Mundo e em Portugal (o tal da Tanga) muito menos, provavelmente mesmo, só no País da Alice.
Cumprimentos do Pipo.