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segunda-feira, setembro 08, 2008

A DOENÇA DA SAÚDE

Portugal está a tornar-se num antro de criminalidade a todos os níveis. Se, por um lado, os assaltos, com ou sem violência, estão já na ordem do dia, outros crimes há que têm ou parecem ter a cobertura do Estado e que lesam muito mais gente.
A notícia do JN de hoje (ler aqui), é bem elucidativa do que se passa numa área que deveria ter a maior atenção e o maior rigor, mas que, pelo contrário, continua a ser a mina de ouro para uns, à custa de outros.
O manto que cobre situações como esta é já demasiado pequeno para as cobrir a todas e parece que nenhum governo tem a coragem de se incomodar com estas coisas.
Isto que é notícia no JN é do mais desprezível que se pode ler, face à situação escabrosa em que o país se encontra.
Não pretendendo generalizar, o certo é que muitos senhores doutores usam e abusam da posição que ocupam, sabendo que os doentes acabam por baixar a cabeça porque deles necessitam. Esse clima intimidatório que não é novidade para ninguém, e que é corrente nos consultórios particulares permite-lhes, por exemplo, cobrar 50 ou 60 euros por consulta, sem a emissão do respectivo recibo. E o doente baixa-se porque terá de lá voltar...
Há também aqueles que se recusam terminantemente a prescrever medicamentos genéricos. E aqui, das duas uma: ou os genéricos não produzem o mesmo efeito que os medicamentos de marca, o que é improvável face à informação tornada pública, ou há aqui mais um lobbie alimentado pelos laboratórios.
E, como se isso não bastasse, por vezes o doente é atendido de qualquer forma e jeito, sobretudo nas consultas do SNS. Também aqui, parece existir uma solução óbvia: acabar com a figura dos médicos de família.
Um utente do SNS deveria poder escolher o seu médico de entre todos os que fazem parte da rede pública, sem estar "preso" a um único profissional. Bastaria, para que tal fosse possível, que os processos clínicos estivessem numa base de dados comum do SNS. Para salvaguardar a confidencialidade dos mesmos, bastaria a atribuição de uma password a cada utente - à semelhança do que existe para os contribuintes - que em caso de necessidade a forneceriam aquando da consulta ao médico que necessitasse de consultar o processo.
Esta medida priveligiaria a competência e evitaria muitas situações em que os doentes se vêem obrigados a recorrer a consultas particulares a fim de serem devidamente atendidos.
Claro que nesta, como em outras áreas, há também os bons profissionais, com princípios sérios e que fazem jus à profissão que abraçaram. Pena é que comecem a rarear...

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