Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, setembro 29, 2008

No rescaldo

de mais um Benfica/Sporting, impõe-se uma breve reflexão sobre um aspecto que muitas vezes passa despercebido.
Ficou a saber-se que este jogo, considerado de alto risco, envolveu e mobilizou 586 agentes da PSP mais 500 Seguranças Privados.
Para uns, o dia terá começado às 09h00, enquanto outros entraram em funções por volta das 16h00, com a missão de manter a ordem durante o trajecto efectuado pelas claques, bem como na zona do estádio da Luz.
Ao todo, mil e oitenta e seis agentes que, com alguma dificuldade, lá foram acalmando os animos daquela gentalha que se diverte a produzir insultos em altos berros, embebida numa euforia estúpida assente na falta de educação e de respeito por quem quer que seja.
A triste procissão até ao estádio, testemunhada pelos repórteres da SIC, impressiona pela falta de carácter dos fiéis, que em nada se parecem com cidadãos normais. Pena é que tenhamos de conviver e de sustentar este triste espectáculo que obriga ao destacamento de um batalhão de polícias e que deixam, assim, de estar onde deviam.
Estes grupos organizados, apoiados pelos clubes, em nada contibuem para coisa nenhuma a não ser para gerar desacatos e ondas de violência e destruição, tendo já causado, inclusivamente, várias mortes.
E o certo é que, se contabilizarmos os espectadores presentes no estádio por 60.000, e os dividirmos pelo número de agentes de segurança destacados, teremos uma proporção aproximada de 1/55. Ou seja: um agente de segurança para cada 55 espectadores.
Ora, alguém duvida que o problema da insegurança, que grassa actualmente no país, seria rápidamente resolvido se, à semelhança do que acontece no futebol, cada 55 cidadãos tivesse direito a um polícia?

Imagem recolhida [daqui].

domingo, setembro 28, 2008

Costuma o povo dizer

que cada um é para o que nasce, e a actual líder do PSD não nasceu para isso mesmo: liderar, o agora, maior partido da oposição.
A maior parte do tempo remetida a sepulcral silêncio, quando ousa quebrá-lo nada de novo ou verdadeiramente importante dali sai. E isso é preocupante no panorama político nacional, onde predomina uma bipartidarização que poucas sobras deixa.
Umas críticas muito pela rama à actuação do governo, é tudo o que MFL tem produzido. Nada que qualquer cidadão comum não faça com mais veemência e incisão. Mas não é isso que se lhe pede.
O país precisa que o PSD saia dessa letargia em que se encontra, e que diga e mostre se tem alternativa ou não às políticas deste governo.
Por mim, deixei de acreditar nos políticos e na política; trinta e quatro anos é tempo demais para nada ser feito, ou melhor, para se fazer tudo errado. São muitos anos perdidos em que os resultados estão à vista: a delapidação da riqueza pública e do património do Estado, a consequente degradação socio-económica do país, o aumento da criminalidade e da insegurança, o desemprego, o aumento do custo de vida, etc., etc.
No entanto, o certo é que terá de existir sempre um qualquer sistema político que produza o governo ou desgoverno do país.
Acontece, porém, que a realidade portuguesa desemboca numa alternância sucessiva entre o PS e o PSD daí que, quer um quer outro, deveriam ter responsabilidades sérias, sejam governo ou oposição.
É isso que é pedido actualmente ao PSD: que saiba ser oposição. Que deixe de ser um partido descaracterizado, adormecido, sem espírito combativo e com uma líder na sombra que, mesmo espicaçada internamente, raramente aparece. Falta-lhe alguém que se assuma como a imagem do próprio partido, um pouco ao jeito de Louçã no BE e que, honesta e seriamente, apresente um projecto de governação que vise a recuperação económica do país, sem esquecer outras áreas de importância fundamental, tais como a Saúde, a Educação e a Justiça.
Mas não é com Manuela Ferreira Leite que o PSD lá vai. Parece-me que já todo o país percebeu isso... menos o próprio PSD.

OPINIÕES

Já [aqui] escrevi sobre [isto], e ambos comungamos das mesmas ideias.

segunda-feira, setembro 22, 2008

A Secção Concelhia do PS

de Estarreja veio a público, no passado dia 9, defender a construção de um novo Hospital concelhio.
A Nota de Imprensa que pode ser lida, na íntegra [aqui], no respectivo blog, refere que "está na altura de se tomar uma decisão de fundo relativamente ao Hospital de Estarreja", propondo então a construção de um novo edifício em vez da realização de obras de beneficiação do Hospital Visconde de Salreu.
Tudo certo e legítimo, obviamente. Tanto mais que o governo é da mesma cor e já fez estragos suficientes ao projectar o encerramento nocturno do Serviço de Urgências. Assim, se efectivamente o PS de Estarreja tiver o peso político que por aqui se publicita, Estarreja acabará por beneficiar dessa importante obra. Não o creio, mas bom seria.
"Uma edificação de raiz, moderna, segura, projectada para a função, perspectivada para o futuro que pode aproveitar a parte do Centro de Saúde que se encontra, actualmente, desaproveitada."
Ora, é a partir daqui que se me começa a confusão. Então é um edifício novo de raíz, ou é para aproveitar a parte do Centro de Saúde???
Mas, pronto, tudo bem. Esqueça-se esse pormenor porque o que não me entra na cabeça é a localização do hipotético hospital.
Ali, na Teixugueira, encostado ao quartel dos bombeiros, volta e meia as sirenes a tocar, quando nem sequer é permitido buzinar junto a estas unidades de saúde e, mais preocupante ainda, nas imediações do complexo químico?!...
Alguém explique aos autores da proposta como é que se evacua, em segurança, um hospital implantado a apenas umas dezenas de metros do complexo químico, no caso de uma qualquer situação de emergência, que todos sabemos poder vir a acontecer.
Aplauda-se a ideia de uma nova unidade, mas lembre-se que o concelho não é só Estarreja, e que há locais mais aprazíveis, tranquilos e bonitos para a sua localização.

DE ESPANHA... COM AMOR

LISBOA, 21 sep (IPS) - Indicadores económicos y sociales periódicamente divulgados por la Unión Europea (UE) colocan a Portugal en niveles de pobreza e injusticia social inadmisibles para un país que integra desde 1986 el 'club de los ricos' del continente.

Pero el golpe de gracia lo dio la evaluación de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos (OCDE): en los próximos años Portugal se distanciará aún más de los países avanzados.

La productividad más baja de la UE, la escasa innovación y vitalidad del sector empresarial, educación y formación profesional deficientes, mal uso de fondos públicos, con gastos excesivos y resultados magros son los datos señalados por el informe anual sobre Portugal de la OCDE, que reúne a 30 países industriales.

A diferencia de España, Grecia e Irlanda (que hicieron también parte del 'grupo de los pobres' de la UE), Portugal no supo aprovechar para su desarrollo los cuantiosos fondos comunitarios que fluyeron sin cesar desde Bruselas durante casi dos décadas, coinciden analistas políticos y económicos.

En 1986, Madrid y Lisboa ingresaron a la entonces Comunidad Económica Europea con índices similares de desarrollo relativo, y sólo una década atrás, Portugal ocupaba un lugar superior al de Grecia e Irlanda en elranking de la UE. Pero en 2001, fue cómodamente superado por esos dos países, mientras España ya se ubica a poca distancia del promedio del bloque.

'La convergencia de la economía portuguesa con las más avanzadas de la OCE pareció detenerse en los últimos años, dejando una brecha significativa en los ingresos por persona', afirma la organización. En el sector privado, 'los bienes de capital no siempre se utilizan o se ubican con eficacia y las nuevas tecnologías no son rápidamente adoptadas', afirma la OCDE.

'La fuerza laboral portuguesa cuenta con menos educación formal que los trabajadores de otros países de la UE, inclusive los de los nuevos miembros de Europa central y oriental', señala el documento.

Todos los análisis sobre las cifras invertidas coinciden en que el problema central no está en los montos, sino en los métodos para distribuirlos.

Portugal gasta más que la gran mayoría de los países de la UE en remuneración de empleados públicos respecto de su producto interno bruto, pero no logra mejorar significativamente la calidad y eficiencia de los servicios.

Con más profesores por cantidad de alumnos que la mayor parte de los miembros de la OCDE, tampoco consigue dar una educación y formación profesional competitivas con el resto de los países industrializados.

En los últimos 18 años, Portugal fue el país que recibió más beneficios por habitante en asistencia comunitaria. Sin embargo, tras nueve años de acercarse a los niveles de la UE, en 1995 comenzó a caer y las perspectivas hoy indican mayor distancia.

Dónde fueron a parar los fondos comunitarios?, es la pregunta insistente en debates televisados y en columnas de opinión de los principales periódicos del país. La respuesta más frecuente es que el dinero engordó la billetera de quienes ya tenían más.

Los números indican que Portugal es el país de la UE con mayor desigualdad social y con los salarios mínimos y medios más bajos del bloque, al menos hasta el 1 de mayo, cuando éste se amplió de 15 a 25 naciones.

También es el país del bloque en el que los administradores de empresas públicas tienen los sueldos más altos.

El argumento más frecuente de los ejecutivos indica que 'el mercado decide los salarios'. Consultado por IPS, el ex ministro de Obras Públicas (1995-2002) y actual diputado socialista João Cravinho desmintió esta teoría. 'Son los propios administradores quienes fijan sus salarios, cargando las culpas al mercado', dijo.

En las empresas privadas con participación estatal o en las estatales con accionistas minoritarios privados, 'los ejecutivos fijan sus sueldos astronómicos (algunos llegan a los 90.000 dólares mensuales, incluyendo bonos y regalías) con la complicidad de los accionistas de referencia', explicó Cravinho.

Estos mismos grandes accionistas, 'son a la vez altos ejecutivos, y todo este sistema, en el fondo, es en desmedro del pequeño accionista, que ve como una gruesa tajada de los lucros va a parar a cuentas bancarias de los directivos', lamentó el ex ministro.

La crisis económica que estancó el crecimiento portugués en los últimos dos años 'está siendo pagada por las clases menos favorecidas', dijo.

Esta situación de desigualdad aflora cada día con los ejemplos más variados.

El último es el de la crisis del sector automotriz.

Los comerciantes se quejan de una caída de casi 20 por ciento en las ventas de automóviles de baja cilindrada, con precios de entre 15.000 y 20.000 dólares.

Pero los representantes de marcas de lujo como Ferrari, Porsche, Lamborghini, Maserati y Lotus (vehículos que valen más de 200.000 dólares), lamentan no dar abasto a todos los pedidos, ante un aumento de 36 por ciento en la demanda. Estudios sobre la tradicional industria textil lusa, que fue una de las más modernas y de más calidad del mundo, demuestran su estancamiento, pues sus empresarios no realizaron los necesarios ajustes para actualizarla.

Pero la zona norte donde se concentra el sector textil, tiene más autos Ferrari por metro cuadrado que Italia.

Un ejecutivo español de la informática, Javier Felipe, dijo a IPS que según su experiencia con empresarios portugueses, éstos 'están más interesados en la imagen que proyectan que en el resultado de su trabajo'.

Para muchos 'es más importante el automóvil que conducen, el tipo de tarjeta de crédito que pueden lucir al pagar una cuenta o el modelo del teléfono celular, que la eficiencia de su gestión', dijo Felipe, aclarando que hay excepciones.

Todo esto va modelando una mentalidad que, a fin de cuentas, afecta al desarrollo de un país', opinó.

La evasión fiscal impune es otro aspecto que ha castrado inversiones del sector público con potenciales efectos positivos en la superación de la crisis económica y el desempleo, que este año llegó a 7,3 por ciento de la población económicamente activa.

Los únicos contribuyentes a cabalidad de las arcas del Estado son los trabajadores contratados, que descuentan en la fuente laboral. En los últimos dos años, el gobierno decidió cargar la mano fiscal sobre esas cabezas, manteniendo situaciones 'obscenas' y 'escandalosas', según el economista y comentarista de televisión Antonio Pérez Metello.

'En lugar de anunciar progresos en la recuperación de los impuestos de aquellos que continúan riéndose en la cara del fisco, el gobierno (conservador) decide sacar una tajada aun mayor de esos que ya pagan lo que es debido, y deja incólume la nebulosa de los fugitivos fiscales, sin coherencia ideológica, sin visión de futuro', criticó Metello.

La prueba está explicada en una columna de opinión de José Vitor Malheiros, aparecida este martes en el diario Público de Lisboa, que fustiga la falta de honestidad en la declaración de impuestos de los lamados profesionales liberales.

Según esos documentos entregados al fisco, médicos y dentistas declararon ingresos anuales promedio de 17.680 euros (21.750 dólares), los abogados de 10.864 (13.365 dólares), los arquitectos de 9.277 (11.410 dólares) y los ingenieros de 8.382 (10.310 dólares).

Estos números indican que por cada seis euros que pagan al fisco, 'le roban nueve a la comunidad', pues estos profesionales no dependientes deberían contribuir con 15 por ciento del total del impuesto al ingreso por trabajo singular y sólo tributan seis por ciento, dijo Malheiros.

Con la devolución de impuestos al cerrar un ejercicio fiscal, éstos 'roban más de lo que pagan, como si un carnicero nos vendiese 400 gramos de bife y nos hiciese pagar un kilogramo, y existen 180.000 de estos profesionales liberales que, en promedio, nos roban 600 gramos por kilo', comentó con sarcasmo.

Si un país 'permite que un profesional liberal con dos casas y dos automóviles de lujo declare ingresos de 600 euros (738 dólares) por mes, año tras año, sin ser cuestionado en lo más mínimo por el fisco, y encima recibe un subsidio del Estado para ayudar a pagar el colegio privado de sus hijos,significa que el sistema no tiene ninguna moralidad', sentenció.


Mais palavras para quê???

sábado, setembro 20, 2008

MURTOSA

Se o Abel não levar a mal, e tenho a certeza que não, gostaria de subscrever [este] post.


BRINCADEIRA PEGADA

Segundo a TSF, os municípios portugueses criaram uma nova taxa para os serviços de água, a fim de substituir a cobrança do aluguer dos contadores de água, que foi proibida por lei.
Não há forma de classificar o que se passa neste país, onde a política se transformou numa maquiavélica arte de iludir e roubar o povo.
Percebe-se bem porquê. Se olharmos para o tecido político português, raramente encontraremos licenciados em economia ou ciências políticas.
Na sua maioria, os políticos de hoje são advogados. Chegaram à política pescados pelas concelhias dos partidos que, em muitos casos foram a rampa de lançamento para a sua integração em elencos camarários ou municipais, daí sendo catapultados para o parlamento. Daí ao governo vai apenas um pequeno passo. A cobertura partidária encarrega-se de tudo isto, obviamente. Habituados a bem falar, fazem da política um exercício jurídico e, não raras vezes, com ilícitos proveitos próprios. Bastaria relembrar aqui os inúmeros casos de corrupção, sacos azuis e outras formas de surripiar milhares de euros ao erário público. Entretanto, sobrecarregam o povo com taxas, impostos e aumentos.
A falta de responsabilidade e seriedade no exercício dos cargos políticos, leva ao desprezo pelo cidadão comum. Também aqui o Estado tem demonstrado uma total incompetência naquela que deveria ser uma das suas primeiras funções: saber redistribuir o rendimento produzido no país, diminuindo as assimetrias e reduzindo a diferença entre os mais ricos e os mais pobres.
É também sabido que, quando é necessário reduzir despesas, o Estado volta-se sempre para os mais fracos, aqueles que menos força têm, enquanto cede com a maior das facilidades às pretensões dos patrões dos grandes grupos económicos. Esses dominam efectivamente a economia do país a seu belo prazer e, sempre que entendem necessário, batem o pé às medidas do governo.
Resta esperar a ver se esta nova taxa tem legitimidade para existir e, se tiver, pergunta-se então qual o resultado prático da devolução da caução relativa ao aluguer dos contadores.
E, já agora, seria bom para todos os contribuintes que a respeito da tal devolução pelas Câmaras Municipais, fosse dada publicidade bastante e não envergonhada... É que, como se sabe, nem toda a gente vai com frequência às Câmaras e às Juntas para poder ler os Editais respectivos. Talvez 5 segundos de publicidade na Tv resultasse melhor... a não ser que o objectivo seja mesmo o de não divulgar muito.
Parece-me, aliás que nem seria necessário isso. Bastaria que fosse feito os devidos acertos nas facturas da água e o consumidor contribuinte nem teria necessidade de se deslocar às Câmaras Municipais para lhe ser devolvido o que é seu.
Mas esta é a triste realidade de um país, que nem a nível local protege o povo.

quinta-feira, setembro 18, 2008

O SOBE E DESCE



O homem sonha, sonha... melhor fora que acordasse, para se preocupar a sério com o estado do País.

Numa altura em que o barril de crude baixa dos 90 dólares (já andou pelos150), o circo em Portugal, promete.
O protesto é evidente, mas ninguém parece querer ouvir. Pudera! Os senhores do governo têm os combustíveis de borla!

quarta-feira, setembro 17, 2008

O país do Burro: Justiça de brincar

A propósito de Justiça:
O país do Burro: Justiça de brincar

Esta eterna mania

de queremos andar na vanguarda da parvoíce é já uma característica bem portuguesa, infelizmente.
Com tantos assuntos para debater, urgente e seriamente, na Assembleia da República, lá terão os deputados de discutir alegremente duas propostas sobre o casamento entre homossexuais.
Nada tenho contra a orientação sexual de cada ser humano; aliás, penso mesmo que cada um deve poder fazer do próprio... corpo, o que bem entender.
O que me parece estúpido é pretender designar-se uma união entre duas pessoas do mesmo sexo, de casamento, subvertendo, assim, o verdadeiro sentido do termo que em qualquer dicionário da Língua Portuguesa, significa "união legítima entre homem e mulher". Arranjem lá outra designação para esse emparelhamento, para que se não confundam as coisas!
O casamento aparece na história da Humanidade com objectivos claros: o de proteger a família e de a renovar através da descendência, com leis e benefícios socio-económicos, que a ajudem a ser a base das sociedades, numa lógica de renovação continuada. Parece-me dever ser ainda hoje esse o seu papel.
Enquadrar aqui a situação de duas pessoas do mesmo sexo que decidiram viver juntas, e exigir-lhes os mesmos deveres e conceder-lhes os mesmos direitos que a sociedade estabeleceu para os casais ditos "normais", é certamente dar um passo gigante em direcção ao abismo.
A degradação das sociedades tem vindo a acentuar-se cada vez mais, muito por culpa de tudo ser permitido e do afrouxamento da exigência e do respeito por valores tidos como universais. E isso não parece que seja bom.

quinta-feira, setembro 11, 2008

O assunto

do post anterior, baseado na notícia do DN sobre o encerramento de escolas, já fez e vai ainda fazer correr muita tinta.
Com todo o respeito por opiniões contrárias, continuo a julgar que o encerramento de escolas pouco tem a ver com uma reforma do ensino; é mais uma reforma económica com um custo social imputado apenas aos mais pequenos.
É evidente que uma escola com 3, 4, 6 ou 10 alunos tem custos enormíssimos; mas uma única criança que seja, habitante dessas aldeias isoladas, tem o mesmo direito de aprender a ler que outra que tenha nascido em Lisboa, Porto ou Aveiro. A diferença é que nas cidades citadas, a escola fica a 5 ou 10 minutos de casa; no que diz respeito a essas aldeias, o encerramento da escola leva as crianças a percorrer distâncias muitas vezes superiores a uma hora. Pergunte-se a essas crianças o que preferem: se um recreio com 3 ou 4 colegas ou uma escola com 400 alunos, a 30 ou mais quilómetros de distância, percorridos por caminhos da serra e que os obriga a levantar às 6 da manhã e a regressar a casa sob a luz da lua. Infelizmente, os senhores que ditam as leis nunca sofreram na pele estas situações reais porque os seus filhos estão nos melhores colégios, com todas as mordomias dignas de príncipes do reino. Mas a questão que aqui por mim tem sido levantada tem uma outra vertente. Não estamos a falar de escolas de 10 alunos, mas de 60 e 70. E é por isso que o artigo do DN ganha relevo, uma vez que em Canelas é esse o número médio de alunos.
Parece-me óbvio o círculo vicioso que se poderá gerar em torno destas questões: a falta de investimento leva à diminuição da população, que tem repercussão directa no número de alunos; a diminuição deste número leva ao encerramento das escolas e este contribui para o afastamento da população.
Elementar, como diria Sherlock Holmes.
O que se pretende então não é o encerramento das escolas mas a criação de condições para que as freguesias cresçam. E isso só é possível com a descentralização do investimento.
Nas pequenas freguesias não se constroem Teatros, Hospitais, Escolas, Bibliotecas, Piscinas, Lares de Idosos, Infantários, etc, porquê?
Anda por aí na ordem do dia a problemática da construção de um novo hospital em Estarreja. A acontecer, o que não creio, será um hospital concelhio. Porquê em Estarreja? Porque não começar a descentralizar esse tipo de serviços e deslocá-los para uma qualquer freguesia onde haverá até, certamente, um ambiente mais propício?
Pois... é que o investimento que se faz nestas pequenas freguesias, resume-se ao alargamento e beneficiação de uns arruamentos e uma ou outra obra quase sempre de prioridade duvidosa, e por aqui se fica.
Para finalizar, seria legítima a questão do custo da manutenção das escolas das pequenas freguesias, se em todas as áreas houvesse rigor na aplicação dos dinheiros do Estado. Perde legitimaidade quando se esbanjam milhões em estádios de futebol, Aeroportos, TGV's, parques e piscinas, Europeus de futebol e outros, se paga principescamente a toda uma classe de políticos que têm levado o país ao estado calamitoso em que se encontra, e se encerram escolas, hospitais, Urgências, Maternidades, etc. em nome da redução da despesa pública.

segunda-feira, setembro 08, 2008

AFINAL....

Hoje deu-me para ler jornais e pronto!
Pena é que, cada tiro, cada melro. Agora a Educação. Este artigo do DN merece leitura atenta e divulgação, divulgação, divulgação.
Parece que afinal há mais gente a pensar que as escolas primárias têm um papel fundamental na vida da sociedade, e que o seu encerramento é um gigante passo para o desaparecimento das pequenas comunidades (onde é que eu já vi isto?)...
Resta a esperança de que, vindo de quem vem, possa ter o impacto que deve ter.

CONTRASTES

O assunto do post anterior assume proporções dantescas, sobretudo quando no outro lado da balança estão milhares de situações como a que [aqui] é descrita.
Há uma coisa que qualquer governante deveria ser obrigado a saber antes de assumir qualquer cargo: LER!
Efectivamente, as políticas governativas têm produzido no país uma divisão clara: de um lado, os muito ricos, que cada vez mais o são; da outra os pobres que vão aumentando na proporção inversa. O desaparecimento progressivo da classe média parece cada vez mais uma realidade.
PS, PSD e CDS/PP são os partidos que têm produzido os génios que (se) têm governado e que são os verdadeiros responsáveis pela desastrosa condução do país.
E, se alguém tem dúvidas, pode tirá-las [aqui] e estabelecer a comparação entre a situação primeira apontada no post e esta última. Estamos a falar do mesmo país, penso eu...

A DOENÇA DA SAÚDE

Portugal está a tornar-se num antro de criminalidade a todos os níveis. Se, por um lado, os assaltos, com ou sem violência, estão já na ordem do dia, outros crimes há que têm ou parecem ter a cobertura do Estado e que lesam muito mais gente.
A notícia do JN de hoje (ler aqui), é bem elucidativa do que se passa numa área que deveria ter a maior atenção e o maior rigor, mas que, pelo contrário, continua a ser a mina de ouro para uns, à custa de outros.
O manto que cobre situações como esta é já demasiado pequeno para as cobrir a todas e parece que nenhum governo tem a coragem de se incomodar com estas coisas.
Isto que é notícia no JN é do mais desprezível que se pode ler, face à situação escabrosa em que o país se encontra.
Não pretendendo generalizar, o certo é que muitos senhores doutores usam e abusam da posição que ocupam, sabendo que os doentes acabam por baixar a cabeça porque deles necessitam. Esse clima intimidatório que não é novidade para ninguém, e que é corrente nos consultórios particulares permite-lhes, por exemplo, cobrar 50 ou 60 euros por consulta, sem a emissão do respectivo recibo. E o doente baixa-se porque terá de lá voltar...
Há também aqueles que se recusam terminantemente a prescrever medicamentos genéricos. E aqui, das duas uma: ou os genéricos não produzem o mesmo efeito que os medicamentos de marca, o que é improvável face à informação tornada pública, ou há aqui mais um lobbie alimentado pelos laboratórios.
E, como se isso não bastasse, por vezes o doente é atendido de qualquer forma e jeito, sobretudo nas consultas do SNS. Também aqui, parece existir uma solução óbvia: acabar com a figura dos médicos de família.
Um utente do SNS deveria poder escolher o seu médico de entre todos os que fazem parte da rede pública, sem estar "preso" a um único profissional. Bastaria, para que tal fosse possível, que os processos clínicos estivessem numa base de dados comum do SNS. Para salvaguardar a confidencialidade dos mesmos, bastaria a atribuição de uma password a cada utente - à semelhança do que existe para os contribuintes - que em caso de necessidade a forneceriam aquando da consulta ao médico que necessitasse de consultar o processo.
Esta medida priveligiaria a competência e evitaria muitas situações em que os doentes se vêem obrigados a recorrer a consultas particulares a fim de serem devidamente atendidos.
Claro que nesta, como em outras áreas, há também os bons profissionais, com princípios sérios e que fazem jus à profissão que abraçaram. Pena é que comecem a rarear...

sábado, setembro 06, 2008

ALTA TENSÃO

Um punhado de moradores da Quinta da Camponesa, S. Bernardo, Aveiro, dá [aqui] uma lição a todos os conformados, sejam eles cidadãos particulares ou responsáveis políticos locais, que, tal como por aqui se vê, aceitam tudo o que lhes é imposto.
Cientes das razões que lhes assistiam, lutaram pelo que entendiam justo, reclamando da instalação de uma linha de média tensão com que a EDP pretendia "enfeitar" a zona.
Diz o JN que a contestação durou vários meses pelo que se depreende que não ter sido fácil demover o gigante de pisar o anão.
Percebe-se que o envolvimento da Câmara Municipal, Junta e Assembleia de Freguesia terá sido de grande utilidade e é assim que deve ser: o poder ao lado da população engrossando sobremaneira as fileiras da resistência quando necessário.
Por aqui habituámo-nos a tudo aceitar sem reclamar, sem nada exigir em troca, dispersos que estamos, sem os apoios devidos e entretidos entre festas e carnavais. E, se aqui e ali algum cidadão levanta a sua voz contra este estado de coisas, torna-se na "ovelha ranhosa" do rebanho. Enfim, é este adormecimento colectivo, este deixar andar, que faz com que década após década tudo continue alegremente na mesma.


terça-feira, setembro 02, 2008

Neste Estado de Direito,

como se ousa apelidar esta República das Bananas, vão acontecendo sucessivamente, e com uma frequência preocupante, situações que indignam a mais pacata das almas.
Ficámos a saber agora que o Estado vai ter de indemnizar o Dr. Paulo Pedroso, para já, na módica quantia de 100.000 euros (falta apurar o valor a pagar pelos danos materiais), como forma de o ressarcir dos danos morais que lhe foram causados pelos cinco meses de prisão preventiva a que foi sujeito.
Ao que parece, os cerca de 20.000 contos, acabarão por "lavar" a cara ao ilustre político desta praça, repondo assim a sua honra e dignidade.
Não esqueça o Dr. P P, no entanto, que honra e dignidade não se lavam com notas de 500 euros!
É certo que não caberá ao cidadão comum tecer qualquer juízo acerca da inocência ou não do Dr. Pedroso competindo ao sistema judicial o apuramento da sua culpabilidade ou inocência. Mas, quando o dinheiro de todos os contribuintes é usado para pagar danos morais seja lá a quem for, o caso não pode, nem deve, ser encarado de ânimo leve.
Se, efectivamente, não havia indícios ou provas suficientemente evidentes para a aplicação daquela medida preventiva, não deveria a mesma ter sido aplicada. Talvez a aplicação do Artº 1º da Lei 59/98 (Termo de Identidade e Residência), tivesse sido o caminho mais correcto a seguir até ao apuramento dos factos.
Em qualquer profissão, um trabalhador é responsável, responsabilizado e avaliado pelo exercício das funções que desempenha. Infelizmente nem todos gozam da mesma igualdade.
A falta de rigor em que assenta a justiça, é seriamente preocupante, tanto mais que a ninguém são pedidas responsabilidades por decisões judiciais comprovadamente erradas.
Impõe-se uma reforma séria e ampla da Justiça, que responsabilize os seus agentes, mas que mude definitivamente as regras a favor daqueles que têm uma conduta honrada, que trabalham para poder comer e ter alguma qualidade de vida, que pagam religiosamente os impostos que lhes são devidos, etc,;
E, se houve erro na decisão de mandar prender o cidadão atrás citado, que se responsabilize, ou não, quem o cometeu, mas que se não pague o possível erro com o dinheiro dos contribuintes. A isto chamo eu de abuso do poder, proteccionismo e desrespeito completo pelos cidadãos do país.
Numa outra vertente, parecer-me-ia justo que aqueles que se vêem privados da liberdade porque desrespeitaram as regras da vivência em sociedade, ou outras, tivessem de trabalhar para ganhar o sustento, da mesma forma que o têm de fazer todos os outros cidadãos.
Pelo contrário, os ilustres envolvidos no escândalo "Casa Pia" e outros, tiveram e têm em cativeiro, um nível de vida de excelência, poderia mesmo dizer-se, muito melhor do que é possível à maioria dos portugueses e pago por estes. Não custa assim entender por que motivo a criminalidade aumenta de dia para dia.