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quarta-feira, agosto 13, 2008

A CAÇA

Depois de ler [este] artigo do JN, fica-se completamente esclarecido acerca do que vai continuar a passar-se nos campos do Baixo Vouga, nomeadamente nos espaços Bioria, agora em fase de alargamento, como nos dá a conhecer a CME aqui.
A caça irá começar mais tarde cerca de três semanas para que se assegure uma boa colheita e para que se possam gastar os cartuchos de chumbo por outros lados, talvez... porque por aqui , chumbo é coisa que se não verá mais - dizem eles!
O investimento feito pela CME para a ampliação do Bioria é de louvar enquanto projecto de conservação e divulgação deste espaço de natural excelência. Também por isso, a edilidade não pode esquecer que tem uma palavra a dizer acerca da caça nas zonas Bioria. Se concorda, ficamos esclarecidos; se não concorda, é seguramente uma aliada de peso para se conseguir a redefinição da zona de caça municipal e dela excluir os campos do Baixo Vouga.
As classificações de Zona húmida Especial para as Aves, Important Bir Area, Sitio RAMSAR, Biótipo CORINE, Rede Natura 2000, ZPE, Bioria, etc, etc... parecem não ser suficientes para chamar à razão um grupo de cidadãos que , prepotentemente, entende ter o direito de ali caçar, ao mesmo tempo que não reconhece a mesma legitimidade a outros de pensar de forma diferente.
O exercício da caça hoje, envolve questões, interesses e dinheiros (por vezes públicos) pelo que qualquer tentativa de referência com a caça primitiva é, no mínimo, patética.
Em muitos casos mesmo, a caça é, tão somente, o alibi para umas almoçaradas e uns copos bem bebidos, à boa maneira portuguesa.
É evidente que se saúdam todos os esforços feitos no sentido de organizar, regulamentar e proteger a caça e os caçadores, desde que em zonas previamente estruturadas para o efeito, mas de modo algum num santuário / refúgio como é o Baixo Vouga.
Não sendo contra a caça, entendo, no entanto, que a mesma deve ter o seu espaço próprio e não que se faça de toda e qualquer zona apetecível, "propriedade" dos caçadores, situação que resulta normalmente de processos apressados e meio engulhados, que estão na base da definição das zonas de caça municipais.
Aqui, no Baixo Vouga e concretamente nas zonas Bioria, parece-me completamente estúpida a coexistência contraditória, no mesmo espaço, de quem tenta proteger, e quem destrua e mate.
E isto é o que por aqui se discute, nada mais. De nada adiantam certas tentativas de transformar a luta pelo fim da caça no Baixo Vouga, numa luta contra a caça em geral. Essa é uma falsa questão e uma subversão da verdade que tem vindo à luz do dia em desepero de causa, por falta de melhor argumentação e baseada no desrespeito pelos que pensam de maneira deiferente.

Espera-se para breve a abertura dos novos percursos Bioria, cuja inauguração será certamente assinalada com uma salva de tiros... de caçadeira.

1 comentário:

Anónimo disse...

Não tenho nada contra a caça nem os caçadores. Mas caçar num local como o Bioria onde andam frequentemente pessoas a caminhar, crianças, atletas, ciclistas, para já não falar dos moto4 que até vão para lá f... aquilo tudo, não será um pouco perigoso lá caçar?