Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

sábado, agosto 30, 2008

BEBÉS, PRECISAM-SE!

Segundo estudos feitos, Portugal não está a renovar as gerações. A taxa de natalidade tem vindo a diminuir acentuadamente nas últimas décadas, situação que arrasta a população para um envelhecimento progressivo.
Na rectaguarda deste sério problema, estão políticas erradas de sucessivos governos que vão atirando o país para uma situação socio-económica que parece cada vez mais irrecuperável. Parece óbvio que, sem equilíbrio económico, a célula familiar se torna cada vez mais pequena.
Aqui e ali começam a surgir, por parte de organismos oficiais, atribuições de subsídios monetários por cada nascimento, como se a vida fosse um mero negócio que importa proteger porque dá jeito mas que depois se abandona à má sorte.
Esta tentativa ignóbil e perigosa de iludir a sociedade, ou parte dela, acabará por trazer maiores dificuldades às famílias, porque não basta criar incentivos à natalidade; é necessário repor o poder de compra, nivelar o custo de vida, criar empregos reais, reformular os sistemas de saúde e ensino públicos, enfim, criar condições razoáveis para que depois a taxa de natalidade possa subir de uma forma natural e sustentada.
Ao invés, vai-se estendendo a passadeira vermelha por cima do mais perigoso dos pântanos. Já estamos habituados, claro!
Um dia destes, ainda algum ministro se lembra de criar um imposto por... praticar sem procriar.



JOBS FOR THE BOYS

Pode ler-se em "O Correio da Manhã" que a presidência do Instituto de Emergência Médica está devidamente assessorada para o que der e vier.
Os casos de nomeações de assessores, assessores de assessores, etc., que vergonhosamente grassam pelo país fora chegaram, pelos vistos, ao INEM onde, pasme-se, anda uma Engenheira Florestal a ganhar 3200 euros/mês, e a fazer o que ninguém parece saber.
É certo que o plano deste governo para a criação de 150 mil novos empregos tem dado os seus resultados. Portugal passou a ter, nos últimos anos, uma classe trabalhadora especializada e de qualdade invejável, ou não tivessem os jovens licenciados de hoje à sua espera os balcões dos bares e restaurantes ou as caixas de supermercados.
Serão certamente poucos os países onde é possível tomar um café servido por um professor, engenheiro ou mesmo por uma enfermeira. Talvez isto possa justificar a escolha da sr.ª Eng.ª da floresta para assessora da direcção do INEM...
Este cantinho à beira mar plantado, ainda continua a ser uma verdadeira república das bananas para muita gente.

segunda-feira, agosto 18, 2008

PORQUE FALHAM OS ATLETAS?

Tenho acompanhado os Jogos Olímpicos mais pelo que se escreve do que pelas imagens televisivas e, tal como em muitos outros momentos, há gente que se julga no direito de ser implacável para com os que falham porque entendem que competir é ganhar e outros que procuram compreender porque se falha neste elevado nível de exigência. Parece-me óbvio que terá de haver sempre derrotados para que possam haver vencedores.
Para mim, chegar ali onde só estão os melhores, é já por si, uma vitória. Falhar naquele momento solitário onde a vitória e a derrota se separam por centésimas de segundo ou por um único milímetro, ali, onde o mundo é tão pequeno e tão grande, só acontece porque se lá está.
A espectacularidade dos movimentos, o esforço dos corpos cuja resistência é elevada até próximo do seu limite, o suor, as lágrimas, a euforia e a amargura pelo objectivo falhado, muitas vezes espelhados em imagens fascinantes, são a outra face da competição, aquela que no momento da derrota, muitos preferem esquecer, como se não existisse.
Não creio que algum dos atletas ali presentes, se orgulhe ou sequer fique indiferente pelo facto de não conseguir ser o melhor dos melhores. Sim, porque ali estão os melhores.
O insuportável na derrota é a falta de humildade de a assumir como própriaa, procurando justificá-la com múltiplos factores que em nada contribuiram para que acontecesse. Assumi-la é um acto digno, porque os atletas falham porque são homens e mulheres. Nada mais.
Pode e deve questionar-se se vale a pena o Estado investir 14 milhões de Euros num programa Olímpico, sabendo-se que haveria apenas de retorno aquela tão característica alimentação do ego lusitano por ver subir a bandeira nacional uma meia dúzia de vezes; não pode, nem deve, desvalorizar-se um atleta porque não conseguiu corresponder às expectativas, porque a este nível, não poderá haver nunca certezas. Investir esses 14 milhões na participação portuguesa nos Jogos Olímpicos é uma perfeita e injustificada loucura, não pelo resultado final mas pelo que representa por si só.
E, basta recuar apenas quatro anos para dar de caras com outro destes perigosos malabarismos económicos. Mas o pior é que já há por aí quem se queira "atirar" à organização de um qualquer campeonato Mundial de Futebol ...
Efectivamente, o circo não pára.

domingo, agosto 17, 2008

NO CAMINHO CERTO

Ora [aqui] está um projecto que encaixaria como uma luva nas freguesias mais pequenas do concelho.
Os incentivos à agricultura biológica e a sua divulgação, aliados a um projecto educativo que lhe seja dedicado, poderá fazer a diferença que se deseja e recuperar assim a actividade agrícola que presentemente padece de enfermidade crónica, vitimada pela falta de estruturação séria.
A terra é, ainda, a única fonte de (parco) rendimento de uma mão cheia de famílias que, mesmo sem qualquer perspectiva de lucro, se entregam ao seu amanho, porque assim foi desde que nasceram e porque sempre e só se entregaram a essa actividade.
Classificar a quase totalidade do solo disponível do concelho como Reserva Agrícola Nacional (RAN) e mais não fazer que isso, é no mínimo, um sinal de irresponsabilidade e de incompetência políticas, que tem os resultados que estão à vista: terrenos que produzem silvados, mas onde se não pode construir uma casa para habitar ou uma oficina para trabalhar.
Por mais paradoxal que pareça e, contrariamente ao que deveria ser, as opções têm passado pelos incentivos à não produção e pela criação de regras e normas que levam à aniquilação das pequenas explorações.
E, se por um lado o país foi, durante anos, verdadeiramente inundado de milhões e milhões de Euros destinados à reformulação do sector agrícola, a verdade é que neste, como noutros sectores, continuamos a afastar-nos cada vez mais dos nossos parceiros europeus. Esses fundos comunitários não produziram efeitos reais e parece não haver quem se preocupe em fiscalizar onde foram os mesmos aplicados.
E é assim que, cada vez mais, o sector agrícola perde competitividade e peso na economia nacional.
Regressando ao motivo inicial do post, há que não ter receio de seguir e implantar projectos e ideias que façam a diferença, venham eles de onde vierem. Este, parece-me perfeitamente adequado à realidade do concelho.
O aumento da procura destes produtos tem vindo a acentuar-se, o que deixa antever um futuro de esperança para quem aposte na sua produção.
Formação, informação e incentivo é tudo o que se necessita nesta zona, brindada com condições naturais excelentes.

A FRASE

Ouvida à mesa de um café:
" A IGNORÂNCIA NÃO NASCE CONNOSCO; ADQUIRE-SE AO LONGO DOS ANOS."


sexta-feira, agosto 15, 2008

HISTÓRIAS E MEMÓRIAS

Ano de 1878.(*)
Cannellas de Gaia (7,47 km2) era habitada por 1285 almas; Cannellas de Arouca (20,89 km2), por 483, enquanto nos 11,86 km2 de Cannellas de Penafiel viviam 802 e aqui, na de Estarreja, hoje com 10,15 km2, estavam fixados 1400 habitantes.

Hoje, em Canelas de Gaia habitam 12.303 cidadãos, em Canelas de Arouca, 864, enquanto a freguesia homónima do concelho de Penafiel regista 1780 moradores e Canelas de Estarreja 1486. Parece óbvia a diferença. Tão óbvia que faz pensar nos motivos subjacentes à estagnação.
Vemos assim que Gaia multiplicou por 10 o número dos seus habitantes enquanto Penafiel e Arouca o duplicaram nestes cerca de 130 anos. Aqui, em Canelas de Estarreja, permanecem os mesmos de sempre.

Se pensarmos na excelente localização, acessos e vias de comunicação, comuns a esta faixa do Litoral (uma das mais desenvolvidas do país), fica sem justificação aparente o porquê desta estagnação, alicerçada na falta de investimentos e projectos de que o Poder Local se não pode alhear ou desresponsabilizar.
A descentralização do poder e serviços, que tem vindo a acontecer sobretudo na última década e meia, escancarou as portas do progresso a muitas aldeias e vilas do país, onde a visão e o sentido de oportunidade não foram desperdiçados.
Pois é isso que se exige a quem aceita (quero crer que com vontade própria), o exercício de qualquer cargo público e, muito em particular, neste domínio da Política Local.
Às Câmaras e Assembleias Municipais, a par das Juntas e Assembleias de Freguesia, têm a responsabilidade de, durante os seus mandatos, cumprirem com as funções para que são mandatados e estas vão muito além da gestão passiva do espaço concelhio ou local. Com isto não pretendo afirmar que se não faz nada, mas sim que se não tem feito nada que faça a diferença e que "empurre" o concelho e esta freguesia para o caminho do progresso e desenvolvimento. E isso parece-me ser uma aspiração legítima de todos, muito embora sejam poucos os que parecem preocupar-se com estas coisas.
A realização de obras de embelezamento e patrocinadoras do lazer é, sem dúvida, importante, mas só depois de efectuadas outras de primeira necessidade e de utilidade mais abrangente. E o que falta no concelho e nesta freguesia, é isso mesmo: a definição de um critério segundo o qual se dê primazia às obras prioritárias, sem nunca perder de vista qualquer oportunidade que possa vir a ser o polo dinamizador destas pequenas comunidades.
Circunscrever a actividade de um mandato à beneficiação de dois ou três arruamentos, ao tratamento de igual número de placas ajardinadas e à limpeza de valetas é, no mínimo, desolador e demonstrativo da falta de interesse e de ambição que se não vê tanto por outros lados. E é custoso constatar que, de todas as freguesias homónimas de Canelas, embora em situação geográfica de eleição, apenas esta, de Estarreja, terá parado no tempo.

(*) Fontes: Dicionário Corográfico do Reino de Portugal, Coimbra, 1878 e Censos de 2001. Não foram encontrados dados relativos à freguesia de Canelas, Peso da Régua para a verificação da evolução populacional.

quarta-feira, agosto 13, 2008

A CAÇA

Depois de ler [este] artigo do JN, fica-se completamente esclarecido acerca do que vai continuar a passar-se nos campos do Baixo Vouga, nomeadamente nos espaços Bioria, agora em fase de alargamento, como nos dá a conhecer a CME aqui.
A caça irá começar mais tarde cerca de três semanas para que se assegure uma boa colheita e para que se possam gastar os cartuchos de chumbo por outros lados, talvez... porque por aqui , chumbo é coisa que se não verá mais - dizem eles!
O investimento feito pela CME para a ampliação do Bioria é de louvar enquanto projecto de conservação e divulgação deste espaço de natural excelência. Também por isso, a edilidade não pode esquecer que tem uma palavra a dizer acerca da caça nas zonas Bioria. Se concorda, ficamos esclarecidos; se não concorda, é seguramente uma aliada de peso para se conseguir a redefinição da zona de caça municipal e dela excluir os campos do Baixo Vouga.
As classificações de Zona húmida Especial para as Aves, Important Bir Area, Sitio RAMSAR, Biótipo CORINE, Rede Natura 2000, ZPE, Bioria, etc, etc... parecem não ser suficientes para chamar à razão um grupo de cidadãos que , prepotentemente, entende ter o direito de ali caçar, ao mesmo tempo que não reconhece a mesma legitimidade a outros de pensar de forma diferente.
O exercício da caça hoje, envolve questões, interesses e dinheiros (por vezes públicos) pelo que qualquer tentativa de referência com a caça primitiva é, no mínimo, patética.
Em muitos casos mesmo, a caça é, tão somente, o alibi para umas almoçaradas e uns copos bem bebidos, à boa maneira portuguesa.
É evidente que se saúdam todos os esforços feitos no sentido de organizar, regulamentar e proteger a caça e os caçadores, desde que em zonas previamente estruturadas para o efeito, mas de modo algum num santuário / refúgio como é o Baixo Vouga.
Não sendo contra a caça, entendo, no entanto, que a mesma deve ter o seu espaço próprio e não que se faça de toda e qualquer zona apetecível, "propriedade" dos caçadores, situação que resulta normalmente de processos apressados e meio engulhados, que estão na base da definição das zonas de caça municipais.
Aqui, no Baixo Vouga e concretamente nas zonas Bioria, parece-me completamente estúpida a coexistência contraditória, no mesmo espaço, de quem tenta proteger, e quem destrua e mate.
E isto é o que por aqui se discute, nada mais. De nada adiantam certas tentativas de transformar a luta pelo fim da caça no Baixo Vouga, numa luta contra a caça em geral. Essa é uma falsa questão e uma subversão da verdade que tem vindo à luz do dia em desepero de causa, por falta de melhor argumentação e baseada no desrespeito pelos que pensam de maneira deiferente.

Espera-se para breve a abertura dos novos percursos Bioria, cuja inauguração será certamente assinalada com uma salva de tiros... de caçadeira.

domingo, agosto 10, 2008

ALI, NA MURTOSA

Existe na freguesia da Murtosa um pequeno museu que resguarda do esquecimento algum do património etnográfico da região, talvez o mais significativo e característico das gentes Murtoseiras.
Ali se preservam religiosamente diversas alfaias agrícolas que até há três ou quatro décadas atrás eram instrumentos indispensáveis ao amanho da terra, mas que hoje são já difíceis de encontrar.
A par, podem ver-se igualmente outros, ligados ao mar e à pesca, que a Câmara Municipal da Murtosa - e bem - soube recuperar e expor.
Lá está, também, uma pequena mas excelente réplica da Bateira de Canelas, que nos traz logo à memória um turbilhão de recordações enquanto o olhar se perde, saudosamente, na penumbra de imagens da nossa meninice.
O museu, apesar de pequeno e simples, cumpre na perfeição o importante papel de trazer para o futuro a história de uma terra e do seu povo.
Aqui, nesta pequena aldeia, muitas alfaias e objectos semelhantes terão já servido para aquecer as noites frias do inverno. Outros foram trocados por meia dúzia de "patacos" ou dados a um qualquer ferro-velho.
Previsivelmente, daqui a meia dúzia de anos os restantes desaparecerão da mesma forma, e com eles se apagarão décadas de história.
Mas, se pensarmos que é ainda possível recuperar teares, rocas, fusos e espadelas, utensílios e ferramentas ligados à construção de bateiras e carros de bois, alfaias agrícolas e de pesca construídas artesanalmente, tais como arados, grades, moais, ancinhos, biturões e redes, teremos pois a responsabilidade de tudo fazer para que o que ainda resta se não perca.
Se o fizermos, estaremos seguramente a preservar, dignificar e criar verdadeiros espaços de cultura, enraizados na história, e que não se esgotam em patéticas semanas aculturais.

terça-feira, agosto 05, 2008

EM SANTA MARIA DA FEIRA


Por terras de Santa Maria da Feira, continua a decorrer até ao próximo dia 10, a Viagem Medieval, que vai já na sua 12ª edição e cujo programa e outras informações podem ser consultados [aqui].

São imensas as áreas temáticas que recriam os usos e costumes ao tempo do reinado de D. Dinis. Interessante é também a visita guiada ao castelo, que dura cerca de 45 minutos. Um evento a merecer, sem dúvida, uma demorada visita.