Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

sexta-feira, julho 11, 2008

Não tenho por hábito

comentar aqui, no Sem Rumo, posts de outros colegas da Blogosfera. Quando entendo dever fazer um comentário, recorro normalmente à possibilidade de o fazer através do link que aparece a seguir ao post respectivo. A excepção que entendo dever fazer prende-se com o facto de o post em questão não permitir que o comente da forma mais usual e, como se refere a opiniões minhas procurarei, espero, de uma forma mais clara, exprimir o que penso acerca do assunto.

Direi, antes de mais e uma vez mais, que sou frontalmente contra a construção de qualquer linha de Alta Velocidade que corte o país no sentido longitudinal, por dois motivos que para mim são óbvios e muito sérios: a relação do investimento / benefício e a débil situação económica do país, que só o governo parece não querer assumir como real.
Escrevi há dias [aqui], que a remodelação da Linha do Norte custa cerca de cinco milhões e trezentos mil euros/Km, e que a derrapagem financeira vai já em 22 vezes o orçamento previsto. Para o meu mais que modesto entendimento nesta matéria, isto é simplesmente assustador e leva-me a estabelecer a comparação com o que serão os custos inerentes à construção da nova linha de AV na altura em que a mesma seja dada por concluída. O abandono deste louco projecto seria o melhor caminho a seguir, mas parece-me claro que ele vai mesmo transformar-se em realidade.
Da mesma forma e pelos mesmos motivos, me parece injustificável a construção de qualquer outro ramal que não o que estabeleça, apenas e tão só, uma ligação directa a Espanha. Mas é preciso não perder da memória que todas estas grandes, loucas e polémicas obras que estão na ordem do dia, foram aprovadas por um governo de maioria e mesmo por parte da "oposição".
Assim sendo, não me parece que restem muitas dúvidas de que as mesmas se transformarão em realidade, para mal de todos nós.

No que diz respeito às repercussões a nível local, efectivamente as minhas preocupações vão muito além do impacto que a possível ligação entre a estação de Albergaria e a plataforma de Cacia possa criar.
Não creio também, e ao contrário do Abel, que essa via contribua para a desvalorização dos terrenos, antes pelo contrário. A realidade que hoje podemos observar aponta efectivamente para uma continuada desvalorização, mas pelo simples facto de que é cada vez mais visível o abandono dos mesmos. E parece-me evidente que essa desvalorização vai continuar, a não ser que seja feito algo que consiga inverter esse processo letal.
Sendo certo que é praticamente impossível a qualquer cidadão que o pretenda, conseguir a desanexação de uma parcela de terreno classificada como RAN ou da REN, parece-me óbvio que a valorização desses terrenos jamais será uma realidade. E bastará ter em conta o escasso número de pessoas com idade abaixo dos 60 anos que ainda se dedicam ao amanho das suas agras, para percebermos que dentro de 10 ou 15 anos, a quase totalidade dos terrenos férteis da freguesia estará a produzir silvados.
Ora, as saídas para o evitar parecem-me apenas duas: vender a preços pouco mais que simbólicos a quem os queira cultivar, ou iniciar um processo que leve a uma classificação diferente dos mesmos.
Neste momento, a oferta é já muito maior que a procura, não sendo raros os casos da cedência de terrenos a terceiros, em troca apenas do seu cultivo mantendo-os, assim, "apresentáveis". É, pois, bom não esquecer a lei da oferta/procura, que se traduz na máxima de que uma coisa não vale aquilo que queremos, mas tão só o que os outros estiverem dispostos a dar por ela.
A outra saída - essa que julgo dever ser a opção certa - é conseguir gradualmente a reclassificação de diversas áreas, transformando-as em zonas de eleição para construção. Parece-me ser esta a única coisa que Canelas tem para oferecer - o solo para habitação - valendo-se da sua excelente localização e para o que muito contribui o facto de ser servida por algumas das mais importantes vias de comunicação do país, bem como da proximidade de três importantes zonas industriais.
Ora, parece-me que a construção da referida ligação Albergaria/Cacia, bem como da A29, poderia servir de factor de negociação para a desanexação de diversas áreas da RAN, as quais deveriam ser infra-estruturadas com arruamentos, água e saneamento, tornando-as assim em aliciantes zonas para a fixação de pessoas que, por si, trariam o aumento do comércio e pequena industria. Julgo que seria esta a forma natural de se tirar partido do impacto negativo dessas obras, que não queríamos mas que começam a ser uma realidade. As freguesias dinamizam-se na proprção do aumento da sua população. Mais população implica mais investimento e garantia de manutenção de equipamentos e serviços básicos tais como: escolas, farmácias, serviços de saúde, etc.
Pensar em algo mais que isto parece-me utópico para estes 10,15 Km2 de área.
Canelas tem, mesmo depois de rompida a sua fronteira natural com Salreu, muita área disponível e atractiva, mas que os senhores dos gabinetes teimosamente insistem em mal classificar, prejudicando os seus proprietários e o possível desenvolvimento desta freguesia.
Esta é, para mim, a grande questão e o desafio que se impõe no futuro: a escolha entre uma área de 10 Km2 que se vai desertificando lentamente ou, com uma simples decisão administrativa, projectá-la para o futuro.
O que me preocupa é, em última análise, vê-"los" chegar, levar as áreas que entendem e não deixar nada em benefício da população. Nem sequer a isenção de tributação de IRS sobre o valor das parcelas expropriadas para benefício público.
Foi isto que defendi na última sessão da Assembleia de Freguesia a que tive a honra de presidir; é isto que continuarei a defender, agora como vogal da mesma, porque entendo ser de justiça para com esta terra.
Quanto à "história dos Kiwis", o que repugna é somente o embuste que tem a ver com a finalidade anunciada a dar aos terrenos, quando era já previsível a sua valorização pela expropriação para a construção da A29 pois, na realidade, será difícil a alguém vender por mais de 2€/m2 qualquer terreno para cultivo. E, não passasse por lá a tal estrada e jamais os mesmos valeriam os 8 e 12 €/m2 a que foram pagos, até porque não haveria maneira de os desanexar da RAN.

segunda-feira, julho 07, 2008

ALMA DE MAESTRO

A Banda Bingre desta freguesia de Canelas apresentou na passada sexta-feira o seu mais recente CD, intitulado "ALMA DE MAESTRO", composto por oito magníficos temas dos quais permito-me destacar, apenas por gosto próprio, "Cycles and Myths" e "Recordar ZecAfonso", este último enriquecido pela voz do actual presidente da colectividade e a que a Banda dá magnífico suporte.
Trata-se de um trabalho de nível superior, diria mesmo, de excelente qualidade e que vem enriquecer grandemente o património histórico desta colectividade e imortalizar o carinho e dedicação que todos os elementos da Banda lhe dispensam.
A harmonia, equilíbrio e diálogo entre os diversos naipes de instrumentos, tem neste trabalho uma visibilidade e uma beleza assinaláveis provando que, numa pequena e simples freguesia se fazem coisas de elevado grau de perfeição. E, se pensarmos que muitas das mãos que delicadamente pousam sobre os trompetes, trombones, tubas, saxofones, clarinetes e restantes instrumentos, têm as palmas e os dedos calejados pela dureza dos trabalhos do campo, então o orgulho e admiração cresce mais ainda.
Abaixo fica o primeiro tema do CD - Cycles and Myths, de Nuno Osório Silva, numa interpretação fabulosa da Banda Bingre Canelense.
Vale a pena comprar o disco pelo simples prazer de o ouvir, vezes sem conta.



sexta-feira, julho 04, 2008

Continuam na ordem do dia

as peripécias em torno da construção da linha da AV. Fala-se agora de uma possível ligação entre a, também possível, estação de Albergaria, a plataforma de Cacia e o Porto de Aveiro, ligação essa a passar algures entre as freguesias de Canelas e Salreu.
Desde o início que alimentei a ideia de que, um dia, alguém - leia-se, algum governo - tivesse a coragem de reconhecer que construir uma nova ligação entre Lisboa e o Porto, é um tremendo erro.
Bastaria a constatação dos resultados práticos - a redução de cerca de meia hora na viagem que cobre a maior distância - para conscientemente se mudar de rumo. Mas, se tal não bastasse, o custo da obra face à situação económica do país, seria justificação mais que suficiente para a tomada de uma decisão séria que conduzisse ao abandono desse projecto.
Tolera-se a construção de uma ligação directa a Espanha; mais que isso será entrar numa eufórica corrida, de consequências económicas imprevisíveis.
Mas, uma vez que quem decide assim o quer, de pouco adiantará gritar aos ouvidos dessa gente que padece de surdez crónica.
Centrando a questão na tal ligação entre Albergaria - Cacia - Aveiro e, contrariamente a algumas opiniões que vão surgindo, não me parece que a argumentação de que a freguesia vai ficar "entrincheirada", sirva de alguma coisa. Todos sabemos que é uma falsa questão a pretensão de crescimento físico da freguesia, que pacíficamente vive com a A29 a nascente, e a actual linha do caminho de ferro a poente . Restam os limites naturais a norte e a sul, pelo que tudo o que possa ser implantado nesses limites não trará o "encolhimento" físico do território.
Não passa por aí então a discussão. Passará sim pelo impacto ambiental e pelo enquadramento físico da obra, bem como todos os incómodos e alterações à vida de quem por aqui habita, sempre tendo em conta a perspectiva da não necessidade da sua construção.
Não tenho qualquer dúvida de que os proprietários, chamados a ceder os seus terrenos, verão aí mais uma oportunidade de valorização instantânea dos mesmos, muitos deles votados ao abandono - basta lembrar as recentes e pacíficas negociações para a construção da A29.
Parece-me óbvio então que, em função da determinação da sua construção, o estudo da RAVE aponte para um dos locais que menor impacto trará, a que não será alheio o facto de estarmos a falar da freguesia mais pequena do concelho.

Se perguntarem se quero o TGV aqui, digo claramente que não! Reconheço, no entanto, que iniciar uma luta pelo recuo do governo, é pura perda de tempo. Caberia sim à Assembleia da República apresentar, atempadamente, argumentação suficiente e fundamentada para provocar o recuo perante o abismo e defender assim os interesses do país e dos portugueses.
Não tendo sido essa a realidade, não me parece que valha a pena lutar contra fantasmas, pelo que deveria pensar-se em aproveitar este momento para dar o tal salto em direcção a um acentuado desenvolvimento desta zona do concelho.
Nesta altura, a minha verdadeira preocupação vai nesse sentido: a falta de um qualquer projecto que possa fazer regredir esta letargia que se abate sobre a freguesia.
Canelas tem na sua história secular, uma inevitável ligação ao amanho da terra. Mas, basta levantar um pouco o olhar para perceber que, gradualmente, a mesma terra que outrora oferecia o linho, o trigo, o milho, o feijão, o centeio e o arroz, vai ficando abandonada aqui e ali. Há alguns anos chegou a falar-se em projectos de emparcelamento de parte dos terrenos agrícolas a nascente e dos campos do Baixo Vouga, por forma a valorizar e rentabilizar a agricultura, mas tudo não passou de uma miragem. Parte desses terrenos estão hoje a maninho, mas insiste-se em embuti-los na Reserva Agrícola Nacional quando se lhes poderia dar outra utilização e outra projecção no futuro. E é isto que estrangula e asfixia a freguesia, mais do que a passagem do TGV entre Canelas e Salreu.
Não existindo nem se prevendo uma redefinição da política agrícola para esta zona, restar-nos-ia a criação de espaços infra-estruturados e passíveis de construção aproveitando o privilégio de por aqui passarem algumas das principais vias de comunicação do país, como a EN 109, a A1, a A29, o Caminho de Ferro e, futuramente o TGV, bem como a proximidade às zonas Industriais de Albergaria, Estarreja e Aveiro. E é isso que Canelas tem para oferecer: excelentes zonas para construção de moradias onde coabitam o sossego e uma beleza natural de referência mas que, poque integradas na RAN, produzem actualmente silvas e lenha.
Resumindo: não gostaria de ver a linha de AV nem aqui nem a ligar Lisboa ao Porto mas, dada a inevitabilidade mais que certa da sua construção, haveria que conceder-se a esta zona novos horizontes. Afinal, aquando da construção da A29, da A1, das linhas de Alta tensão, das condutas do gás e da água públicas e agora da linha de AV, fez-se vista grossa sobre os hectares de solo da RAN e REN que foram destruídos, pelo que se exigia igual procedimento a respeito de outras áreas que nada produzem actualmente.

quinta-feira, julho 03, 2008

DIVULGAÇÃO

As Tasquinhas de Salreu são a montra da gastronomia da Vila.
Os sabores e saberes tradicionais juntam-se aqui num ponto de encontro anual, marcado pelo convívio e pela animação constante durante os dois dias do certame.
São muitas as variedades gastronómicas que divergem nos modos de preparação mas que convergem no respeito pelas tradições e especialidades da nossa terra.
Desde à Sopa de Peixe às Carnes de Javali, passando pelas Sardinhas, Caldo Verde e Patanisca, até os doces mais tradicionais.
Os visitantes poderão ainda assistir aos espectáculos de música que vão, com certeza, proporcionar momentos de muita animação.
Venha até Salreu nos dias 5 e 6 de Julho para a 5ª Edição das Tasquinhas de Salreu, que se realizarão no Largo da Igreja, a partir das 15 horas.

Não há festa como esta!
ACS



UM PASSO EM FRENTE


A Câmara Municipal de Estarreja passou a contar com um novo serviço: um Balcão Virtual.
Trata-se de um verdadeiro passo em frente no atendimento, disponibilização de documentos, requerimentos e conteúdos, e que se traduz numa redução da burocracia que tantas vezes nos faz perder horas e horas.
Louve-se a ideia e o esforço que um serviço destes exige, e aplauda-se pois, neste aspecto, a CME pode considerar-se na vanguarda, já que poucas congéneres disponibilizam aos seus munícipes serviço idêntico.
À distância de um clique pode comodamente aceder-se a Actas, Avisos e Editais, Regulamentos, Tabelas de Taxas e Licenças, Requerimentos e Certidões, etc.
Pode aceder-se a partir [deste link].

terça-feira, julho 01, 2008

ENQUADRAMENTO VERTIGINOSO

Recentemente num consultório médico, passo os olhos por uma revista - daquelas que por ali ficam meses e meses até que o seu estado de deterioração obrigue a que sejam retiradas - e paro na página 40. A publicação dá de nome "Visão" e é de 12 de Julho do 2007. O título do artigo que me prende a atenção: Linha sem norte.
Despertada a curiosidade, verifica-se que o texto, bem elaborado e de fácil leitura e percepção, incide sobre a modernização da Linha do Norte.
À medida que se avança na leitura, um sentimento de espanto, de angústia ou do que quer que seja vai tomando conta de nós. Os números ali expostos levam-nos mesmo a pensar numa qualquer obra de vanguarda num dos países mais desenvolvidos do mundo.
Segundo os dados da Visão, a remodelação da LN, numa extensão de 336 Km, arrasta-se há já 12 anos, sendo o investimento por Km de cerca de 5.300.000 euros. Sim, cinco milhões e trezentos mil euros!!!
Prevendo-se a conclusão das obras em 2012, a derrapagem financeira aponta para um incremento de 22 vezes sobre o valor inicialmente estimado! O mesmo será dizer que o dinheiro gasto daria para reformular a via 20 vezes, segundo a previsão inicial.
Tudo isto para um ganho de tempo numa viagem Lisboa-Porto de cerca de 15 minutos. Ou seja: contas feitas, cada minuto desses 15 que a remodelação permite reduzir, custa a módica quantia de 68 milhões e 750 mil euros!!!
Nesta altura, a comparação com a construção da Linha de Alta Velocidade é inevitável e, mais do que opinar sobre a utilidade ou não da sua construção, parece-me que é importante fazer-se contas e perceber a dimensão deste tremendo encargo para o país, o mesmo será dizer, para as gerações futuras.
E, sabendo-se as costumadas e inconcebíveis derrapagens de que as obras públicas por aqui padecem, pode dizer-se que o cenário que se adivinha é mesmo assustador.