Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

quarta-feira, junho 25, 2008

UM ESTRANHO CARDÁPIO

De Ponte de Lima, trouxe um amigo esta ementa, no mínimo... "sui generis", que atesta bem o Portugal profundo ainda por descobrir, envolto num certo mistério e oculto pela magia das palavras e designações, que a fértil imaginação traz à luz do dia.
Mas não deixe o leitor que os pensamentos lhe turvem a alma e o desejo, quiçá aguçados pelo hipotético conteúdo dos pratos publicitados.
E, para que não restem dúvidas sobre a honradez e dignidade do estabelecimento e seus frequentadores, a seguir se deslinda parte do mistério de tão apelativo cartaz:

Fodinhas quentes - Pataniscas de bacalhau
Escarrapachadas quentes - Codornizes
Biquinhos de amor - Caprichos do mar
Tique-taques no redondo - Corações de frango no prato
Vanico de ronca - Orelha de porco
Perigoso na Racha - Fígado de cebolada no pão
Corno na racha - prego (de vaca) no pão
Com sola na racha - Panado no pão
Mamadeiras quentes - Coxas de frango
Mentirosos quentes - Bolinhos de bacalhau
Corninhos de marcha lenta - Caracóis
Cu de galinha recheado - atum, cebola e salsa
Saquinho cheio - Rissóis
Charuto da avó - Pão misto com salsicha

Diz-se ainda que as Fodinhas podem ser na racha (no pão), no redondo (no prato) ou embrulhadas (no guardanapo), e regadas com uma putinha (malga) do bom vinho da região.
Ao que consta, os seis anos que a D. Márcia leva já desta aventura gastronómica, têm resultado num grande sucesso. Pelos vistos, imaginação é o que não falta lá para os lados de Ponte de Lima...

segunda-feira, junho 23, 2008

COMO SE PREVIA,

a saga da destruição continua. Este é hoje o aspecto do edifício recém-restaurado da estação de Canelas. Desta feita, foram as portas que voaram.
Pela sua localização sobranceira aos campos do Baixo Vouga, o imóvel tem todas as condições para servir de apoio a um futuro alargamento do espaço Bioria, tal como já foi sugerido.
Diz o poeta que o sonho comanda a vida e, se nem todos se podem transformar em realidade, outros há que, com maior ou menor facilidade o podem ser. Assim se queira.
Pois bem; nesta pequena freguesia, nem tudo são nuvens negras. De facto a Natureza privilegiou este recanto com paisagens magníficas - diria mesmo, únicas - que merecem ser conhecidas. A tranquilidade de um passeio pelos campos do Baixo Vouga, onde se pode disfrutar de cores, cheiros e sons magníficos, é sem dúvida, um dos bons prazeres da vida que pode ser saboreado aqui tão perto, pelo que a definição de um ou vários percursos, devidamente sinalizados, não envolveria grandes gastos. Arriscaria mesmo dizer que com a colaboração desses amigos da natureza que são os escuteiros, poderia mesmo não envolver qualquer despesa.
Claro que os paineis informativos da fauna e flora seriam igualmente bem-vindos, mas uns desdobráveis poderiam, nesta primeira fase, dar bem conta do recado. E aqui entraria então o papel reservado ao edifício da Estação da CP - um parêntesis apenas para que não se perca da memória que o mesmo foi levantado pelo povo da freguesia.
Dizia então que, aos fins de semana e em horário tornado público, poderia o dito edifício abrir as portas para, através da distribuição dos tais desdobráveis, introduzir o visitante no percurso que no regresso poderia deixar a sua impressão, sugestão ou até qualquer questão. Seria uma excelente forma de lhe dar utilidade e de assim contribuir para a divulgação desta parte da freguesia.
Olhando para a fotografia acima impõe-se a questão: será possível alguma vez dar esse passo?


sexta-feira, junho 20, 2008

AINDA OS COMBUSTÍVEIS

Por mais incrível que pareça, o preço dos combustíveis nos Açores, é inferior ao da vizinha Espanha. Isto porque o Governo Regional abriu mão de parte do ISP, o que lhe permite ter a gasolina a 1,28 € e o gasóleo a 93 cêntimos o litro!
Bom, mas os Açores já não fazem parte do território Português???

VANDALISMO

As fotos documentam parte do vandalismo de que foi alvo o apeadeiro da freguesia. O bando de energúmenos e mentecaptos que, a coberto pela brandura da lei, vai vilipendiando o património público decidiu, de uma assentada, levar os bancos, parte das vedações e as placas de fundição existentes nos canteiros das árvores. Restou apenas a da foto acima.
Há duas ou três semanas foi um dos elevadores que serviu de sanitários.
Será, provavelmente este, um sinal do progresso e da modernidade dos tempos de hoje. Dir-me-ão que sempre aconteceram actos semelhantes. Talvez, mas quando os autores eram identificados, talvez ficassem sem vontade de voltar a repetir tais actos, o que não acontece nos dias de hoje.
Mesmo que apanhados em flagrante, os autores são identificados e mandados para casa e, se um qualquer cidadão "se passar" ao ver tal destruição e resolver aquecer as costas a tais bandidos. corre o risco de passar uns dias à sombra e de ter de pagar ainda uma choruda indemnização.
Assim sendo, resta esperar pela continuação que não deverá tardar.

O REGRESSO À NORMALIDADE

E... pronto! Tudo parece voltar à normalidade.
Por aqui, o governo decide subir o preço de 121 medicamentos. Nada de espantar, claro, não estivessem estes no lote dos mais vendidos. Em qualquer lado, um produto baixa o seu custo de produção, na medida em que mais vender. Assim sendo, a única justificação de jeito que se encontra para mais esta fabulosa medida, é o aumento da margem de lucro por parte das empresas que os fabricam. Que importa se o povo pode ou não pagar?

Por Bruxelas, os engulhos pelo resultado do referendo na Irlanda, são mais que evidentes. Parece que ninguém sabe o que fazer porque a aprovação do Tratado de Lisboa era tida como certa e, como tal, ninguém acautelou outra saída. Afinal, conseguida a "caldeirada" com 26 países, não estaria nas cogitações de ninguém que um pequeno país como a Irlanda, pudesse provocar esta tremenda dor de cabeça.
A imagem que tem passado desde o "Não" da Irlanda, é de uma desorientação constrangedora. Para uns, não se justifica a continuação dos processos de ratificação enquanto outros os defendem com "unhas e dentes", numa tentativa de ganhar tempo para estudar a forma de dar a volta à situação.
Uma coisa é certa: não creio que o Tratado possa entrar em vigor, a não ser que esteja na forja alguma aldrabice política.

Por terras da Suíça, os mareantes lusos terminaram a sua epopeia. Mais uma vez, sem honra nem glória.
Uma vez mais não assisti à contenda entre os tanques germanicos e a fina cavalaria lusa mas o desfecho parecia inevitável.
Nestas coisas, há uma série de anos que nos promovemos a nós próprios como favoritos dos favoritos. Faz bem ao ego, claro!
Investimos na auto-promoção enquanto outros investem na preparação. Espalhamos pelos quatro cantos que temos os melhores do mundo e andamos com eles ao colo. Compramos bandeiras e bebemos uns copos à saúde dos nossos dignos embaixadores. Metemos um dia ou umas horas de férias porque é impensável perder um jogo desta natureza.
E no fim, como sempre, a montanha pariu um rato.
A imagem do seleccionador que tem passado exaustivamente nos canais de televisão desde o fim do jogo, não me parece muito adequada para quem tantas expectativas criou. Já todos assistimos a entrevistas após a derrota - e derrotas com muito menor significado - que demonstram uma solidariedade notável e um sentido de responsabilidade que impressionam. Não foi o caso, a meu ver, do treinador português que, muito provavelmente estará ansioso por cheirar as libras esterlinas das terras de Sua Majestade. Afinal eles andam todos ao mesmo e ainda há quem não perceba isso!
Após cinco anos e meio em terras lusas, pago principescamente, o que deixou foi a arte de iludir o povo de que chegar aos quartos-de-final ou final de um campeonato da europa é tão ou mais importante que ganhar a dita competição.
Continuamos a ser candidatos a candidatos e, por isso, pagamos milhões a seleccionadores, publicidade e afins.

Efectivamente, tudo regressa à normalidade...

sábado, junho 14, 2008

DE REGRESSO ÀS ASSEMBLEIAS

Esta semana ficou marcada na blogosfera local por uma série de comentários sobre o papel da Assembleia Municipal e, se a uns a acidez subiu pelo esófago acima, a outros terá feito pensar um pouco.
A génese de tais exageros terá estado num post do Abel que, baseado num Editorial do Jornal de Estarreja, assinado pela Andreia, entendeu expressar o que pensa acerca daquele órgão, ou de quem lá tem assento.
Longe de mim a ousadia de ser o advogado de defesa do autor do Notícias d'Aldeia, até porque o Abel sabe perfeitamente o terreno que pisa e disso não necessita, mas confesso que há coisas que nos causam algum engulho, sobretudo quando provêm de pessoas que, pela análise do que vomitam, estarão certamente acima da vulgaridade intelectual, embora denotem uma pobreza de carácter raramente vista.
Julgo, porém, que ao expressar a sua opinião o Abel estará a usar de um direito que lhe assiste o regime democrático do país e que é devidamente sustentado pela Constituição Portuguesa. E, como o fez de cara destapada e sem ali se perceber qualquer ofensa pessoal, não consigo entender o que terá levado a que outros, protegidos pela escuridão do anonimato, usassem da malcriadeza e exageros demonstrados.
É evidente que as acções ficam sempre com quem as pratica mas é pena que a coragem de uns chegue apenas até ao momento de assinar o que escrevem.
Aprendi que dar a cara pelo que se pensa, seja concordante ou em desacordo absoluto com o assunto em questão, é um sinal de verticalidade e de carácter; atirar a pedra e esconder a mão é o mais ignóbil e repugnante dos actos, para quem não se rege pelos mesmos princípios.
Poder-se-ia ter encetado uma discussão séria sobre o tema do post, se o respeito e bom senso fizessem parte da lista de valores de toda a gente.
Não creio, no entanto, que os comentários imbuídos de malcriadeza deixados no Notícias d'Aldeia, tenham partido de qualquer membro da Assembleia Municipal. Muito mal estaríamos mesmo, se tal tivesse acontecido.

Passada, no entanto, a tempestade, importa fazer uma reflexão séria sobre o papel do órgão em questão, podendo mesmo estender-se a discussão às Assembleias de Freguesia.
O próprio Zé Matos, que é já um habitué nestas coisas das Assembleias, reconheceu [aqui] que as coisas não funcionam lá muito bem, e que o assunto é merecedor de uma reflexão. Fica então por compreender o teor do seu comentário neste post do Abel, bem como a mudança de rumo deste escrito, que foi feito no seguimento da promessa feita de voltar ao assunto.
Importa também referir que a autora do irritante Editorial não terá falado de cor, pelo que se não percebe o porquê de tão grande irritação, a não ser que se pretenda esconder a verdade. E não há motivo para tal, até porque o povo está pouco virado para essas coisas, pelo que as Assembleias, sejam Municipais ou de Freguesia, lá vão cumprindo calmamente os seus mandatos, na sua maioria, beneficiando do total desinteresse dos eleitores e vendo, com alguma frequência, o seu papel reduzido a... quase nada.
Sabendo-se que uma significativa parte dos cidadãos eleitos para membros das Assembleias de Freguesia e, provavelmente Municipais, não dedicam tempo algum na preparação das sessões, ou tão pouco conhecem a Lei que as regulamenta, ou ainda que passam um mandato inteiro sem apresentarem uma proposta que seja, poderá assim perceber-se o reduzido papel destes órgãos deliberativos, que acabam por ser meras figuras de estilo na engrenagem da política local.
Acresce ainda dizer que o desrespeito pelas deliberações tomadas é também algo frequente e contribui igualmente para a insignificância e redução do seu papel.
Agora não venham é os políticos, locais ou outros, querer fazer passar a ideia de que estão a fazer um grande favor ao povo, que falar é fácil e outras parvoíces já costumeiras. Não consta que qualquer cidadão a desempenhar um cargo político lá esteja por imposição de alguém. E, em boa verdade, uma grande parte deles teriam prestado um grande serviço ao país se nunca se tivessem candidatado a coisa alguma.

AINDA O REFERENDO

O assunto do post anterior deverá ser motivo de séria reflexão por parte de toda a classe política e, mais ainda, de todos os cidadãos.
E isto pelo simples facto de que ficou claro que, se não houvesse referendo na Irlanda, teria sido aprovado um documento estratégico, considerado da máxima importância para o futuro da Europa, provavelmente contra a vontade da maioria dos cidadãos Europeus.
E isto parece-me de uma gravidade extrema porque poderia ser o princípio do inimaginável. Não creio que nenhum governo estivesse mandatado para resolver esta questão a seu belo prazer, relegando assim a vontade popular para segundo plano.
Parece-me igualmente claro que o "não" dos Irlandeses é um claro "cartão amarelo" às políticas de Bruxelas, sobretudo para os sectores agrícola e das pescas, a que não será alheia, também, a problemática do preço dos combustíveis.
E, nestes capítulos, o descontentamento é geral, muito embora os senhores da política se esforcem por esconder essa realidade, como se tudo estivesse bem. Mas, de facto, não está, e o reflexo disso mesmo é a constante evolução do desemprego, do abandono da actividade agrícola, do desepero dos armadores, etc., etc.
Cada vez mais, estaremos sujeitos às mesmas regras que são criadas com o sentido de desenvolver os países mais poderosos - esses que ditam as leis - sem nunca termos condições económicas para ombrear com eles. Teremos assim uma luta desigual e que conduz a um, cada vez maior, desiquilíbrio entre os 27.
Será essa a finalidade da União Europeia?

sexta-feira, junho 13, 2008

E O TRATADO POR ÁGUA ABAIXO...

Chumbada a Constituição Europeia e chumbado o Tratado de Lisboa, adivinha-se uma nova travessia do deserto.
A resposta da Irlanda, ainda que isolada, bastou para que tudo volte ao ponto de partida.
Mas, interessante seria mesmo ver em quantos países o Tratado "passaria", se fosse dada a possibilidade aos eleitores de se pronunciarem.
Durão Barroso tem agora um sério problema entre mãos. Mas terá tempo para o resolver, a não ser que resolva fugir como já o fez.

Interessante é igualmente esta notícia. Já não bastam as artimanhas que o governo arranja para nos aliviar desalmadamente os bolsos, vem agora o Tribunal Europeu mandar nas portagens sobre o Tejo. Vamos a ver quanto tempo vai o PM resistir...

quinta-feira, junho 12, 2008

VÃO GOZAR COM A PQOP

ORA DIGAM LÁ SE [ISTO] NÃO DÁ UM GOZO, MUITO MAIOR DO QUE ASSISTIR, RECOSTADOS NO SOFÁ, AO MELHOR JOGO DO EURO 2008?

ATRÁS DO(S) EURO(S)

Escrevia ontem aqui algumas linhas do que me parece ser a exagerada estupidificação do país em torna dos “heróis da bola” e das suas vitórias, como se delas dependesse a melhoria das condições de vida dos portugueses, ou a resolução dos graves problemas com que o país se debate na actualidade.
Essa desmedida euforia parece-me enraizada na filosofia do “beber para esquecer” e não trará com toda a certeza benefício algum mas, claro, cada cidadão é livre de expressar a sua gratidão para com esses beneméritos que rumaram a terras da Suiça, da forma que melhor entender.
Interessante e demonstrativo é o espírito com que lá estão esses nobres embaixadores da lusa Pátria, a começar pelo seu “comandante” supremo que, enquanto a malta se tenta concentrar nas disputas que se seguem, andou a tratar da vidinha... não vá a coisa correr mal no final do Euro.
Pois bem, a cabecinha do endeusado seleccionador, está já nos 7,5 milhões de euros/ano que, diz-se, vai receber do Chelsea.
Está lá, no site oficial do clube inglês, apesar do desmentido do Sr. Scolari. Afinal, ele que tanto pediu para não perturbarem os jogadores, esses seres psicologicamente tão frágeis que necessitam de tanto apoio e compreensão, sucumbiu ao primeiro assalto, para surpresa e admiração de quem ainda lhe paga, e bem, pelo que tem feito em prol do ego dos portugas. É normal e só quem não conhece o que move esta gente é que pode ficar surpreso.
O que não é normal é a parvalheira eufórica dos repórteres das estações televisivas que em altos berros se abeiram dos adeptos e lhes gritam perguntas do tipo: - Está contente com esta vitória? O Scolari vai para o Chelsea. O que é que acha? Acha que é uma enorme perda para os portugueses?
Desce tão baixo o jornalismo português, sobretudo quando, na falta de capacidade para uma reportagem séria, se mistura com a multidão aparvalhada e emocionalmente descontrolada, e lhe dá voz.

O DIA Decisivo

A Europa ou melhor, os senhores da CEE, estão hoje com os olhos postos na Irlanda e, muito provavelmente, a rezar a todos os santos para que o referendo seja favorável à ratificação do Tratado de Lisboa.
Para a maior parte do povo do velho continente, esta ”guerra” passa completamente ao lado. Mas o que é certo é que o futuro da Europa muito terá a ver com o resultado do escrutínio que hoje.
Uma coisa que parece algo surrealista é o facto de apenas um dos 27 países poder decidir tudo e, sabendo-se que não há um “Plano B” para o caso de vencer o não, as consequências serão imprevisíveis.
Afinal, está tudo nas mãos dos Irlandeses, uma vez que o Tratado tem de ser ratificado por todos os 27 Estados. E, se em Bruxelas se fazem “figas” pelo sim Irlandês, muitos milhares de eleitores que não foram tidos nem achados nesta questão, esperam que o povo daquele país reponha alguma dose de democracia no assunto.
Sem querer entrar na análise das 287 páginas do Tratado, ou sequer opinar sobre os benefícios ou prejuízos que advirão da aplicação do documento, parece-me, no entanto, óbvio e de toda a legitimidade, que a todos os cidadãos deveria ser dada a mesma oportunidade de escolha.
E, mesmo que muitos eleitores aquando da colocação do “X” no boletim, demonstrassem ainda desconhecimento total ou parcial do assunto, é preciso não esquecer que o voto em branco ou mesmo a abstenção, são indicadores claros da vontade popular, da mesma forma que o são uma ou outra escolha. E é triste que o jogo de interesses que parece existir nos corredores de Bruxelas, tenha retirado a milhões de cidadãos um dos seus direitos mais nobres: o direito de escolher o seu próprio destino, através da manifestação clara da sua vontade, expressa num simples boletim de voto.
A regionalização e o aborto tiveram essas “honras” mas, pelos vistos, o Tratado de Lisboa é de somenos importância para ter igual tratamento. Percebe-se bem porquê.




quarta-feira, junho 11, 2008

MAIS UMA VITÓRIA!

A selecção nacional acaba de ganhar mais um jogo. Confesso que não vi o feito, pelo que talvez haja quem julgue que, por esse motivo, não terei o direito de opinar. Há efectivamente neste séc. XXI quem pense ainda que para se ter uma opinião sobre um qualquer assunto, se deve obter primeiramente o doutoramento no dito assunto. Mas esses, serão provavelmente aqueles que se fundamentam na doutrina do "nunca me engano e raramente tenho dúvidas". E esses, todos esses seres que se julgam referências do intelecto, passam-me completamente ao lado.
Voltando à meada que o fio começa a perder-se, estava a dizer que os "nossos heróis" lá conquistaram mais uma parte do mundo. Tiveram, como é já hábito, honras de abertura de todos os Telejornais, com entrevistas e mais entrevistas, directos e mais directos, figuras tristes e mais figuras tristes por parte de alguns apoiantes.
Tudo isto enquanto
- o país se debate com uma das maiores paralisações de que há memória;
- se apedrejam e incendeiam camiões;
- o número das empresas que encerram as suas portas aumenta diariamente;
- o desemprego sobe em flecha;
- os combustíveis e alguns bens de primeira necessidade começam já a faltar;
- o governo insiste em rever o Código do Trabalho e aprovar medidas penalizadoras para os trabalhadores em claro benefício dos patrões, etc,...
Enquanto todas estas questões passam para segundo plano, o povo sai à rua, bandeira na mão numa gritaria histérica em nome de Portugal.
Não sou contra o torneio que se está a disputar na Suíça e na Áustria - pelo menos estes países tiveram a sensatez de se unirem na organização do evento - nem contra o futebol em geral. Sou e serei sempre crítico enquanto se pagar 800 euros/dia a esses meninos super-endeusados para que joguem pela selecção;
Sou e serei sempre crítico quando um árbitro receba, pelos 90 minutos que dura uma partida, 10.000 euros;
Sou e serei sempre crítico quando para se disputar um jogo de futebol tenham de estar 300 ou 400 polícias destacados e para assegurar a ordem pública e combater o crime, se diga que não há agentes suficientes;
Sou e serei sempre crítico em relação ao adormecimento colectivo que o futebol provoca e que faz com que tudo o resto passe para segundo ou terceiro plano.

segunda-feira, junho 09, 2008

PARA REFLECTIR

EM CONSEQUÊNCIA DA REVOLUÇÃO DE 1974, criou raízes entre nós a ideia de que qualquer forma de autoridade era fascista. Nem mais, nem menos.

Um professor na escola exigia silêncio e cumprimento dos deveres? Fascista!

Um engenheiro dava instruções precisas aos trabalhadores no estaleiro? Fascista!

Um médico determinava procedimentos específicos no bloco operatório? Fascista!

Até os pais que exerciam as suas funções educativas em casa eram tratados de fascistas.

Pode parecer caricatura, mas essas tontices tiveram uma vida longa e inspiraram decisões, legislação e comportamentos públicos.

Durante anos, sob a designação de diálogo democrático, a hesitação e o adiamento foram sendo cultivados, enquanto a autoridade ia sendo posta em causa. Na escola, muito especialmente, a autoridade do professor foi quase totalmente destruída.


EM TRAÇO GROSSO, esta moda tinha como princípio a liberdade.

Os denunciadores dos 'fascistas' faziam-no por causa da liberdade.

Os demolidores da autoridade agiam em nome da liberdade.

Sabemos que isso era aparência: muitos condenavam a autoridade dos outros, nunca a sua própria;

ou defendiam a sua liberdade, jamais a dos outros.

Mas enfim, a liberdade foi o santo e a senha da nova sociedade e das novas culturas.

Como é costume com os excessos, toda a gente deixou de prestar atenção aos que, uma vez por outra, apareciam a defender a liberdade ou a denunciar formas abusivas de autoridade.

A tal ponto que os candidatos a déspota começaram a sentir que era fácil atentar, aqui e ali, contra a liberdade: a capacidade de reacção da população estava no mais baixo.

POR ISSO SINTO INCÓMODO em vir discutir, em 2008, a questão da liberdade.

Mas a verdade é que os últimos tempos têm revelado factos e tendências já mais do que simplesmente preocupantes.

As causas desta evolução estão, umas, na vida internacional, outras na Europa, mas a maior parte residem no nosso país.

Foram tomadas medidas e decisões que limitam injustificadamente a liberdade dos indivíduos.

A expressão de opiniões e de crenças está hoje mais limitada do que há dez anos.

A vigilância do Estado sobre os cidadãos é colossal e reforça-se.

A acumulação, nas mãos do Estado, de informações sobre as pessoas e a vida privada cresce e organiza-se.

O registo e o exame dos telefonemas, da correspondência e da navegação na Internet são legais e ilimitados.

Por causa do fisco, do controlo pessoal e das despesas com a saúde, condiciona-se a vida de toda a população e tornam-se obrigatórios padrões de comportamento individual.

O CATÁLOGO É ENORME. De fora, chegam ameaças sem conta e que reduzem efectivamente as liberdades e os direitos dos indivíduos.

A Al Qaeda, por exemplo, condiciona a vida de parte do continente africano, de uma organização europeia, de milhares de desportistas e de centenas de milhares de adeptos. Por causa das regulações do tráfego aéreo, as viagens de avião transformaram-se em rituais de humilhação e desconforto atentatórios da dignidade humana. Da União Europeia chegam, todos os dias, centenas de páginas de novas regulações e directivas que, sob a capa das melhores intenções do mundo, interferem com a vida privada e limitam as liberdades. Também da Europa nos veio esta extraordinária conspiração dos governos com o fim de evitar os referendos nacionais ao novo tratado da União.

MAS NEM É PRECISO IR LÁ FORA. A vida portuguesa oferece exemplos todos os dias. A nova lei de controlo do tráfego telefónico permite escutar e guardar os dados técnicos (origem e destino) de todos os telefonemas durante pelo menos um ano.

Os novos modelos de bilhete de identidade e de carta de condução, com acumulação de dados pessoais e registos históricos, são meios intrusivos.

A videovigilância, sem limites de situações, de espaços e de tempo, é um claro abuso.

A repressão e as represálias exercidas sobre funcionários são já publicamente conhecidas e geralmente temidas.

A politização dos serviços de informação e a sua dependência directa da Presidência do Conselho de Ministros revela as intenções e os apetites do Primeiro-ministro.

A interdição de partidos com menos de 5.000 militantes inscritos e a necessidade de os partidos enviarem ao Estado a lista nominal dos seus membros é um acto de prepotência.

A pesada mão do governo agiu na Caixa Geral de Depósitos e no Banco Comercial Português com intuitos
evidentes de submeter essas empresas e de, através delas, condicionar os capitalistas, obrigando-os a gestos amistosos.

A retirada dos nomes dos santos de centenas de escolas (e quem sabe se também, depois, de
instituições, cidades e localidades) é um acto ridículo de fundamentalismo intolerante.

As interferências do governo nos serviços de rádio e televisão, públicos ou privados, assim como na 'comunicação social' em geral, sucedem-se.

A legislação sobre a segurança alimentar e a actuação da ASAE ultrapassaram todos os limites imagináveis da decência e do respeito pelas pessoas.

A lei contra o tabaco está destituída de qualquer equilíbrio e reduz a liberdade.


NÃO SEI SE SÓCRATES É FASCISTA. Não me parece, mas, sinceramente, não sei.

De qualquer modo, o importante não está aí.

O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições.

Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação.

No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu governo.

O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.


TEMOS DE RECONHECER: tão inquietante quanto

esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder, é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação? Acordo? Só se for medo...

António Barreto \ Público"

quinta-feira, junho 05, 2008

AINDA O TGV

Arrumada que está (ou deve estar) a discussão sobre a decisão, da construção da linha de Alta Velocidade e da sua real necessidade nestes 560 Km de terra, estas declarações da SEMA, vêm de encontro ao que por aqui tenho escrito acerca do assunto.
É, por isso, tempo de agarrar, com ambas as mãos, esta possibilidade de desenvolvimento que inesperadamente surge, que pode abarcar uma significativa parte do concelho, e deixar de discutir, como se costuma dizer, o “sexo dos anjos”.
É realmente impressionante (e preocupante) o teor das discussões que se geram em torno de qualquer assunto importante para o concelho, por parte dos partidos com maior presença no concelho, ou por quem os representa. E basta lembrar por exemplo, os casos das urgências, do IC1 e agora do TGV, em que a preocupação foi e é, se o PS alertou ou não há 5 ou 10 anos para isto ou aquilo, ou se por outro lado foi o PSD que o fez; ou se o assunto foi falado e questionado na Assembleia Municipal de 1999, ou ainda o que se disse acerca disto ou daquilo pelo PS e pelo PSD.
Efectivamente, parece não haver assunto que não faça desenterrar discursos, já bolorentos, dos tempos d’antanho, como se o futuro do concelho e das suas gentes passásse por um simples concurso de retórica.
E é nisto que, infeliz e publicamente, se entretêm alguns políticos destas bandas.
Voltando às declarações da SEMA, penso que para que o “TGV seja efectivamente um excelente meio de desenvolvimento”, é necessário, quanto antes, desenhar no tempo e no espaço esse projecto.
Esperar sentados que se construam a rede de AV e a estação, e desejar que o resto venha por si, é cometer seguramente um tremendo erro, que se traduzirá pelo não aproveitamento real em proveito do concelho, das potencialidades ora oferecidas.
E, é importante não esquecer que meia dúzia de Km podem ser suficientes para que tudo passe ao lado. Albergaria-a-Velha parece saber bem disso.

BANDEIRA


PORTUGUESA... COM CERTEZA!

segunda-feira, junho 02, 2008

EI-LOS QUE PARTEM!

Enfim, começou a grande epopeia portuguesa do séc. XXI. Partiram ontem, não em naus ou caravelas, mas em luxuoso avião. Não ficaram lágrimas choradas no cais mas foram-se, ao som de palmas e gritos de júbilo. Ei-los que partem. Não sem antes merecerem honras de estado por parte do Sr. presidente da república que orgulhosamente os fez avistar o Tejo, para que levassem assim, todo o simbolismo que o local representa e que marcou as mais aúreas páginas da nossa história. Dali partiram os destemidos navegadores portugueses à descoberta do mundo!
Parece-me completamente infeliz a ideia, mas... enfim!
Desta vez, Portugueses e Brasileiros, numa união de esforços conjunta, com a Pátria lusa no coração e os bolsos bem cheios, chamaram a si tamanha responsabilidade de não fazer má figura no campeonato.
Não tiveram à chegada a incerteza do destino, mas uma multidão enlouquecida e estupidamente anestesiada.
Por eles, Junho será o mês dos meses. As conversas de café, no trabalho, nos consultórios médicos, nas paragens dos autocarros, nos comboios, etc., centrar-se-ão neles: nos heróis e nas fintas do Ronaldo, nos dribles do Deco, naquele frango do Ricardo ou nos golos falhados do Nuno Gomes.
É, por isso, o mês ideal para mais umas subidas dos combustíveis e dos bens alimentares, ou para a aprovação de mais umas quantas medidas por parte do governo, que saberá certamente tirar partido deste estado de adormecimento colectivo que se abaterá sobre o país.
É também por eles que finalmente se vai comprar - a prestações - aquele plasma enorme, de mil e quinhentos euros e que agora está "numa promoção imbatível"; e o gravador de DVD, para que se possam registar para a posteridade os gloriosos momentos que hão-de vir.
É por eles que se vai meter "aquela baixa" porque o patrão não dá o dia (que se lixe o trabalho, não se pode mesmo é perder o jogo!) e, como até calha ao fim de semana a Segurança Social não controla... e, se for à semana e "eles" aparecerem, que importa, se o que queremos mesmo é estar em casa?

O certo é mesmo que dentro de um mês tudo acabará, e cá estaremos para receber, agradecidos e em reverência, as conquistas entretanto alcançadas com destreza e sacrifício, em nome de Portugal.
Partirão depois (os heróis sobreviventes) para as merecidas férias num qualquer resort dos mares do sul, enquanto por cá... tudo voltará a ser como dantes.
É este o país pequenino que temos, e do qual muito nos orgulhamos...