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segunda-feira, maio 26, 2008

AINDA OS COMBUSTÍVEIS

Continua na ordem do dia o assunto dos combustíveis em Portugal.
O governo diz que não cede à tentação fácil de congelar os preços. E percebe-se. Afinal o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos não tem aumentado.
O que se passa é, na verdade, fruto da especulação desmedida das gasolineiras que à custa dos cidadãos vão engrossando de dia para dia o montante astronómico dos seus lucros. Se não há falta de crude e se a produção diária tem inclusivamente aumentado, não haverá outro motivo a justificar o que presentemente se passa, que não a ganância desmedida das empresas petrolíferas, o que equivale a falar em Portugal, na Galp, e na BP.
Há dois factores que julgo não poderem dissociar-se de tudo isto: um é o facto de que a gasolina que hoje se vende nas bombas, terá sido comprada há pelo menos 6 meses (portanto a preços muito inferiores aos de hoje), tendo em conta que esse é o tempo assegurado pelas reservas do país; e o outro é a constante desvalorização do dólar que tem servido igualmente para justificar a presente loucura, mas que pode ser também uma falsa questão, uma vez que o aumento do preço do barril em dólares não tem reflexo de igual dimensão em Euros.
Se imaginarmos que no dia em que é decretado um aumento, por exemplo do gás, logo nesse dia o consumidor que se desloque ao revendedor, o vai pagar já ao preço actualizado ( mesmo que o revendedor tenha um assinalável stock), entenderemos facilmente o que se passa nos combustíveis. A isto chamam alguns de especulação, que leva ao lucro fácil. E é aqui que o governo deveria interferir, estabelecendo regras sensatas em defesa dos consumidores. E pode fazê-lo de várias maneiras, sendo que uma delas seria revogar a liberalização do preço dos combustíveis, uma vez que tal medida nunca produziu o anunciado efeito de redução do preço, chamando assim, novamente a si, a responsabilidade da gestão deste sector de capital importância para a economia do país. Senão veja-se a onda de protestos e lamentações que correm de norte a sul do país, desde o sector das pescas ao agrícola, e que levará muitos empresários ao abandono da actividade, uma vez que não lhes é possível fazer frente à concorrência que vem de fora.
Diz o Sr. ministro que, nesta matéria, Portugal está dentro da média europeia; esquece-se, no entanto, de que há outro parâmetro que altera o teor "brilhante" da sua declaração: os salários. Não se compara o incomparável, Sr. ministro. E o Sr. saberá, melhor que nós, que em termos de salários mínimo e médio, os portugueses estão muito aquém desses a quem o Sr. ousa comparar-nos.
Poderá esta minha modesta forma de ver a questão estar muito longe da realidade, mas não me parece.
Vale-nos o Euro - o do futebol - que virá passar muito em breve uma esponja pela mente da maior parte dos portugueses.

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