Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, março 10, 2008

ELEITORALISMOS

COMEÇOU A CORRIDA!

Tal como se previa, o governo apresta-se para mais uma decisão irresponsável e demagoga: baixar os impostos, concretamente o IRS e o IRC.
Depois de pedir sacrifícios atrás de sacrifícios, em nome do controlo do déficit orçamental e do equilíbrio da economia e, numa altura em que se impõe o maior rigor para que se possa no futuro desafogar um pouco a queda vertiginosa do poder de compra dos portugueses, deita-se tudo a perder com uma decisão que só pode ser aplaudida por quem não consegue ver mais além que o imediato. E infelizmente são muitos mais do que se possa imaginar e o governo sabe-o muito bem. É por isso que uma medida do género se transforma facilmente em votos necessários para uma segunda vitória eleitoral. Afinal tem sido esta a política seguida governo atrás de governo: dois ou três anos a sacrificar os portugueses e um ou dois anos a dar o que se tirou. É fácil de perceber que, contas feitas, ficamos na mesma.
Há que introduzir aqui o factor externo de que o País depende cada vez mais e o contínuo aumento do despesismo do estado, para explicar então porque não continuamos iguais mas cada vez piores.
Mas alguém julga que pagar menos 0,5 ou 1% de IRS vai tirar os pobres da miséria, ou fazer dos menos abastados pessoas ricas?
Há que, de uma vez por todas, encarar seriamente o que é necessário fazer para conduzir o País a uma recuperação devidamente sustentada. E isso não passa seguramente pelo abaixamento de umas décimas percentuais nos impostos que se pagam, porque passadas as eleições vai-nos ser cobrado muito mais do que hipoteticamente nos possam agora vir a dar.
Será preferível então, manter o esforço por forma a que num futuro próximo, os Portugueses possam respirar um pouco, sem ter quem lhes venha de novo asfixiar as gargantas.
Há formas de controlar o déficit e de recuperar a economia, e todos poderemos apontar meia dúzia de medidas que conduzam a tal. Claro que mexer com os grande loobies não é para todos e está claro que em Portugal nenhum governo está ou esteve para aí virado. É mais fácil subir o IVA, o IRS, o IRC, as Taxas moderadoras, o preço dos serviços, os combustíveis, os bens essenciais, etc, para que nos cofres entrem os valores inscritos no OE. O povo é sereno; paga e não "bufa". Já com os chamados "grandes" a história é outra.
O Sr. Ministro disse em Novembro,[Aqui], que se não houvesse fuga ao fisco nem fraude fiscal, os contribuintes portugueses pagariam menos 38% de IRS e menos 25% de IVA.
Então, Sr. Ministro, se o governo detecta dívidas fiscais no valor 3.300 milhões de Euros, nada mais terá de fazer do que as cobrar, e aliviar assim, substancialmente, a carga fiscal sobre os contribuintes. É certo que não são os pequenos contribuintes ou os trabalhadores por conta de outrém, os responsáveis por esta enormidade. E é aqui que começa a demonstrar-se a hipocrisia e a incapacidade dos governos que não hesitam em cobrar um Euro que seja, ao cidadão anónimo e deixam passar em claro, ano após ano, a fuga de milhões e milhões.
Habituámo-nos a que, em nome da ânsia pelo poder, valha tudo. Este já anunciado abaixamento dos impostos (se não acontecer este ano, irá acontecer com toda a certeza no próximo ano), será uma atitude irreflectida e sem resultados práticos para o povo e traduz mais um perigoso jogo político que visa unicamente uma vitória eleitoral. A seguir ao "doce" atiram-nos com vinagre.
E enquanto eles se divertem a jogar...

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