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quinta-feira, março 27, 2008

ELEITORALISMOS - 2

Em 10 de Março p.p., previa [aqui] que estaria para breve o abaixamento de impostos. Não me enganei, como julgo estar igualmente certo da inutilidade da medida para o cidadão comum, e isso veremos nos próximos tempos.
Veremos se o tal 1% de redução do IVA terá correspondência igual na bolsa dos consumidores. Não o creio. Toda a gente que me parece responsável e merecedora de alguma credibilidade, tem vindo a público dizer que o contribuinte não sentirá benefício algum. Também me parece.
Trata-se de uma medida arriscada e ilusória e que apenas trará uma significativa diminuição de receitas ao Estado (na ordem dos 250 milhões de euros), em troca de votos.
Afinal, continua tudo mais na mesma. Ou seja, pede-se esforço, mais esforço, cada vez mais esforço aos contribuintes e, ao primeiro sinal de algum equilíbrio, o(s) governo(s), hipoteca(m) tudo com a redução, a meu ver irresponsável, de 1 % nos impostos. E não se pense que não concordo com a redução da carga fiscal. Muito pelo contrário; entendo que o contribuinte português é severamente sacrificado em nome do relançamento de uma economia que nunca acontece. Andamos nisto há cerca de trinta e quatro anos, ao jeito de um jogo sobe e desce, e sempre pelo mesmo motivo: quando o déficit começa a dar sinais de conseguir respirar, logo se apressa o governo em lhe retirar as garrafas de oxigénio.
Bom seria que, no seguimento de uma política séria, esta medida fosse a primeira de muitas que se lhe seguíssem e que, ao fim de algum tempo, se traduzissem por um abaixamento efectivo da carga fiscal. Não é o caso. Trata-se de mais uma ilusória pincelada de tinta numa parede completamente podre. Outras se lhe seguirão.
Que me importa pagar menos 1% de IVA nos bens que adquira se sei que isso me vai custar mais tarde o dobro ou o triplo??? E é isto que os portugueses ainda não perceberam... mas que acabará por ter muita influência no momento de colocar o xis no quadrado do boletim de voto.
Este governo, além de tudo o resto que já se lhe conhece, começa a ser previsível demais. Para mal dos portugueses.

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