Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, março 03, 2008

AS NOITES QUE SÃO DIAS

Tomando por base [esta] notícia, impõe-se uma reflexão séria acerca do trabalho nocturno.
Já por si mais desgastante fisica e psicológicamente, tem ainda a agravante de que o descanso se faz durante o dia - em que não há quaisquer restrições ao barulho. Nem poderia haver, naturalmente!
Mas poderia e deveria haver uma legislação que tivesse em conta os milhares de trabalhadores que exercem a sua actividade durante a noite - esses mesmos que dormitam duas ou três horas durante o dia e têm de se manter acordados durante toda a noite.
Parece fácil. Mas não é. Ao cabo de 10, 15 ou 20 anos, dependendo da resistência de cada um, o trabalho nocturno começa a ser uma verdadeira batalha, penosa e dolorosa. Imperceptívelmente se vão perdendo diversas faculdades a um ritmo muitíssimo mais acelerado do que o normal e que provocam graves alterações no corpo e no espírito. São as alterações do humor, a perda de concentração e de memória, a capacidade de reacção, os problemas de visão, etc., etc.
Entendo inconcebível que um cidadão que desempenhe as suas funções durante a noite, tenha direito à sua reforma exactamente à mesma idade que um outro que trabalhe a vida inteira no horário dito normal. Esta é uma desigualdade tremenda, que merecia ser analisada e que se manifesta carente de legislação específica.
Aos 65 anos, e depois de 40 anos de desgaste acentuado pelo exercício de trabalho nocturno, são poucos os cidadãos com saúde e condições físicas e psíquicas razoáveis para viver mais meia dúzia de anos.
Mas haverá alguém que se importe com isto?
Também por aqui se percebe que quem faz as leis trabalha apenas de dia...

2 comentários:

kimikkal disse...

Reflexão sem dúvida importante e com a qual concordo, há muito que sou da opinião que seja dado o estatuto de "profissão de desgaste rápido" por forma a que quem se sujeita a esse tipo de horários se possa reformar 5 ou 10 anos mais cedo.

Maria, Simplesmente disse...

Não imagina CR como eu admiro os que trabalham de noite e os que, por terem um trabalho por turnos vivem assim anos e anos!
Penso que estes trabalhos se devem refletir demasiado na saúde e na própria vida familiar, pois eu conheço alguém que me disse que, desde há muitos anos, semana sim semana não só se encontra com o marido durante uma meia hora por dia.
Ele irrita-se com ferquência, sendo um homem calmo, mas na semana em que trabalha de dia à noite não consegue dormir socegado.
Devia haver para estes trabalhadores um mês de férias suplementar, mas quem não tem um trabalho assim não entende.
Cpts
Maria