Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

domingo, março 30, 2008

E ADMIRAM-SE?

Nos últimos tempos, a opinião pública tem sido entretida com um vergonhoso incidente ocorrido numa escola, como se o que se lá passou, apanhasse de surpresa todo um país de brandos e exemplares costumes. Não se consegue mesmo perceber onde está a necessidade de passar vezes sem conta aquelas imagens, como se fossem únicas. Não o são e se atentarmos [nesta compilação] feita pelo Expresso, poderão os mais distraídos aperceber-se do que vai por essas salas de aula fora e chegar à conclusão que o que se passou na escola Carolina Michaelis, até não pode ser considerado de tão grande gravidade assim.
À explosão da liberdade ocorrida em 1974 deveria estar associada a responsabilidade que apenas se consegue através do cultivo de valores e não da sua inversão. O que se passa actualmente em muitas salas de aula são claros exemplos de libertinagem, protegida por leis e estatutos em que muitos dos adolescentes e jovens de escudam para se considerarem intocáveis. A anarquia é hoje uma realidade nas mentes de muitos dos nossos estudantes. Porque é moda, porque não há regras e princípios e porque é bonito e parece ser uma forma que encontraram de se impor e de parecer gente crescida e madura. E é daqui que nasce a futura geração de políticos, médicos, advogados, etc,.
A notícia [aqui] acerca da forma de resolver o problema é, no mínimo, ridícula. Em que estaremos a transformar as escolas ao reconhecermos a necessidade de os professores se especializarem na arte de defesa pessoal, para que possam ministrar a sua profissão dentro de uma sala de aula?
Diga-se o que se disser, a mim, parece-me que a reposição de alguma autoridade que foi retirada aos professores, resolveria perfeitamente estes casos de delinquência de meninos mimados, sem educação e que se armam em donos do mundo.

ELEITORALISMOS - 4

(Clicar na imagem)
Ora aí está o que o povo gosta de ouvir.
Uma pergunta: será que haverá ainda alguém que os leve a sério???




sábado, março 29, 2008

MANUAL MÉDICO

Para início do fim de semana deixo aqui um link que considero extraordinário pela sua grande utilidade e que me caiu na caixa de correio, numa extrema gentileza do conterrâneo Álvaro Oliveira.
Coloquem lá o ponteiro do rato aqui e acedam a um verdadeiro MANUAL MÉDICO.

quinta-feira, março 27, 2008

ELEITORALISMOS - 3


Doze dias separam as duas notícias...

ELEITORALISMOS - 2

Em 10 de Março p.p., previa [aqui] que estaria para breve o abaixamento de impostos. Não me enganei, como julgo estar igualmente certo da inutilidade da medida para o cidadão comum, e isso veremos nos próximos tempos.
Veremos se o tal 1% de redução do IVA terá correspondência igual na bolsa dos consumidores. Não o creio. Toda a gente que me parece responsável e merecedora de alguma credibilidade, tem vindo a público dizer que o contribuinte não sentirá benefício algum. Também me parece.
Trata-se de uma medida arriscada e ilusória e que apenas trará uma significativa diminuição de receitas ao Estado (na ordem dos 250 milhões de euros), em troca de votos.
Afinal, continua tudo mais na mesma. Ou seja, pede-se esforço, mais esforço, cada vez mais esforço aos contribuintes e, ao primeiro sinal de algum equilíbrio, o(s) governo(s), hipoteca(m) tudo com a redução, a meu ver irresponsável, de 1 % nos impostos. E não se pense que não concordo com a redução da carga fiscal. Muito pelo contrário; entendo que o contribuinte português é severamente sacrificado em nome do relançamento de uma economia que nunca acontece. Andamos nisto há cerca de trinta e quatro anos, ao jeito de um jogo sobe e desce, e sempre pelo mesmo motivo: quando o déficit começa a dar sinais de conseguir respirar, logo se apressa o governo em lhe retirar as garrafas de oxigénio.
Bom seria que, no seguimento de uma política séria, esta medida fosse a primeira de muitas que se lhe seguíssem e que, ao fim de algum tempo, se traduzissem por um abaixamento efectivo da carga fiscal. Não é o caso. Trata-se de mais uma ilusória pincelada de tinta numa parede completamente podre. Outras se lhe seguirão.
Que me importa pagar menos 1% de IVA nos bens que adquira se sei que isso me vai custar mais tarde o dobro ou o triplo??? E é isto que os portugueses ainda não perceberam... mas que acabará por ter muita influência no momento de colocar o xis no quadrado do boletim de voto.
Este governo, além de tudo o resto que já se lhe conhece, começa a ser previsível demais. Para mal dos portugueses.

quarta-feira, março 26, 2008

O CISNE DO VOUGA

Passam hoje 152 anos sobre a data da morte de Francisco Joaquim Bingre.
Propositadamente quis deixar para o fim do dia a publicação desta simples homenagem.
Por aí procurei, nesta data, uma referência, ainda que breve, à sua pessoa, ao poeta ou à sua obra. Nada. Como sempre.
Apenas um companheiro da blogosfera ousou homenagear esta figura enorme da literatura portuguesa.
Digo, com mágoa, que Francisco Bingre continua a ser esquecido nesta terra que o viu nascer, e que nem os seus restos conserva nas entranhas.
Poderá rebuscar-se nas páginas mais enrugadas da literatura, figura mais ilustre aqui nascida que certamente se não encontrará. E isso seria motivo de orgulho de uma terra e das suas gentes, não fora a ingratidão desmedida que o esquecimento escreve.
Apesar de em muitos momentos da sua vida ter ombreado com Bocage e outros ilustres, o Cisne do Vouga, aqui nascido nesta freguesia de Canelas, tivera em vida e na morte sorte bem diferente.
A riquíssima obra de Bingre foi compilada por Vanda Anastácio e encontra-se publicada em seis volumes pela Lello Editores. Vale a pena, como valeria também lembrá-lo uma vez por ano, aquando de uma qualquer Semana Cultural, por exemplo.
Deixo [Aqui] mais um excelente apontamento dos seus escritos.

segunda-feira, março 24, 2008

ISTO É UM GOZO

Depois de lida [esta] notícia, apetece dizer: Volta Salazar, estás perdoado.
Parece-me que nem nos tempos da ditadura a privacidade de cada um terá sido tão violada como nos tempos de hoje.
É a instalação de câmaras em espaços públicos, as escutas telefónicas por tudo e por nada, a cedência de dados pessoais por parte de empresas com quem temos algum contacto e agora os inquéritos com ameaça de punição caso não sejam respondidos!
Passaremos assim a estar controlados à distância, como marionetas nas mãos de um governo prepotente que, ao invés de usar os meios de que dispõe para combater a fuga aos impostos, atira a bola para o lado dos contribuintes. Será possível descer ainda mais baixo?
Por algum motivo o Sr. de Santa Comba Dão foi por aqui eleito a figura maior do século XX, tendo Álvaro Cunhal ficado em segundo lugar.
Começasse o governo por aquilo que lhe está mais próximo e teria, certamente, uma parte do problema do desequilíbrio orçamental resolvido. Pagar 400 contos/mês aos motoristas dos senhores ministros é, no mínimo, gozar com a cara dos contribuintes.

(IN)SEGURANÇA

Mário Crespo, um jornalista cujo trabalho admiro particularmente, publica na revista Única do Expresso, do passado dia 15, um retrato da nação muito à sua maneira e que não resisto a partilhar com quem habitualmente aqui passa:

SINTO-ME INSEGURO

Quando um acontecimento desportivo em tempo de paz mobiliza mais meios de segurança que a defesa do perímetro de Cabora Bassa na guerra colonial, sinto-me inseguro. Quando vejo a tolerância dos clubes de futebol pelos seus grupos organizados e agitadores, sinto-me inseguro. Quando um colega meu é atacado por um bando de marginais de cara tapada à entrada do meu local de trabalho, sinto-me inseguro.
Quando a principal artéria da capital de Portugal é fechada para deixar passar hordas fanatizadas de claques de futebol que marcham entoando cânticos javardos, sinto-me inseguro. Quando vou na rua e em vez de um polícia vejo um tipo com uma camisola e um capuz sinto-me inseguro. Quando tenho de meter combustível a meio da noite e sou forçado a romper uma barreira de cabeças rapadas e embuçados que se acotovelam frente a um caixa sitiado atrás de grades, sinto-me inseguro. Quando tenho que esgrimir o direito de arrumar o meu carro com gente esquisita que embrulha um instrumento afiado num jornal e me tenta guiar para onde não quero ir, sinto-me inseguro. Quando tenho que pagar ao parquímetro e ao drogado, sinto-me inseguro. Quando ando na rua e vejo um grupo a injectar-se indiferente a quem passa, sinto-me inseguro. Quando o meu governo me diz que não há cura para os vícios das drogas, sinto-me inseguro. Quando o organismo do Estado encarregado do combate à droga se chama Instituto da droga, sinto-me inseguro. Quando na página deste organismo dedicada aos jovens leio nas perguntas e respostas «P: É possível acabar com a droga? R: Talvez não», sinto-me inseguro. Quando se mata a tiro à porta de casa, na rua e nos parques de estacionamento, sinto-me inseguro. Quando mensagens tribais de morte, ameaça e injúria aparecem da noite para o dia pintadas nos muros da minha terra, sinto-me inseguro. Quando vejo as cidades portuguesas encherem-se de condomínios fechados, sinto-me inseguro. Quando vejo as empresas de segurança privadas a cumprir funções de que a ordem pública abdicou, sinto-me inseguro. Quando não conheço ninguém que não tenha na família uma história de assalto, de roubo, de brutalidade no trato quotidiano, sinto-me inseguro. Quando oiço o responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança do governo dizer que as estatísticas mostram que as coisas estão muito melhores, aí, sinto-me mesmo muito inseguro.
Deixámos de ver no que nos estamos a tornar.

sexta-feira, março 21, 2008

PÁSCOA


Poderá achar-se que falar aqui hoje da Páscoa é uma banalidade, um lugar comum, uma coisa sem interesse.
Seguramente que para uma grande parte da sociedade, a Páscoa perdeu o seu verdadeiro significado, tal como o Natal, que actualmente começa lá pelo mês de Outubro.
Temos assim uma páscoa sem Cristo, uma vez rendidos aos aspectos materiais traduzidos por um desenfreado comércio cujas raízes sugaram a verdadeira essência das festas cristãs.
E se na festa de Dezembro a figura do pai natal, personifica na perfeição a falsidade associada a um dos mais importantes acontecimentos da história da humanidade, relegando-o para segundo plano, na Páscoa a ligação ao coelho e aos ovos, apesar de conhecida a sua explicação lendária, pretende provocar exactamente o mesmo efeito estupidificante.
Aquela auréola misteriosa que envolvia as épocas Natalícia e Pascal, há muito que desapareceu; as cores e os cheiros característicos que agradavelmente se associavam apenas a estas épocas, também eles se diluiram por todo o ano e são hoje imperceptíveis.
Lembro-me que neste dia de sexta-feira santa, pelo menos na parte da tarde, cessavam todos os trabalhos habituais e o silêncio sentia-se nas ruas da aldeia, nos campos e em muitos outros locais de trabalho, numa atitude de profundo respeito e comunhão. E mesmo os imponentes sinos da igreja se calavam até ao anúncio solene da Ressurreição.
O domingo era então um dia de alegria, marcado pelas cerimónias religiosas da parte da manhã e pelo ansiado momento de a criançada sair para a rua, saca na mão, para "buscar o folar". Folar que tinha aquele verdadeiro sabor das coisas que se provam raras vezes na vida...
Hoje, tudo é diferente: há folar e amêndoas todo o ano e a Ressurreição de Cristo é um assunto de menor importância.
Resta-nos as recordações da Páscoa de antigamente - mais pobres materialmente, mas muito mais ricas no seu verdadeiro sentido.
Mas o verdadeiro motivo que me levou a fazer este post, era apenas para desejar uma Páscoa Feliz a todos!

terça-feira, março 18, 2008

O PAÍS REAL




O felizardo já tem o poste no quarto... falta a menina para o show!

quarta-feira, março 12, 2008

AFINAL ELES RECUAM... (2)

Esta notícia do JN, vai inteirinha para os incrédulos, para os que baixaram os braços e se entregaram aos caprichos do governo, contra a vontade e o sentimento geral da população do concelho. E aqui está a prova de que, afinal, vale sempre a pena insistir na luta pelo que se julga certo.
Claro que ainda é cedo para cantar vitória, mas tudo indica que ela vai mesmo acontecer. Oxalá, para benefício do povo de Anadia que nunca perdeu a noção do que era melhor para o concelho e que nunca baixou os braços.
Umas vezes 1000, outras 500, outras ainda talvez 200, os cidadãos de Anadia e os seus autarcas foram pressionando, pressionando e estão à beira da vitória final.
Em Estarreja passará a ser proibido, muito em breve, qualquer situação clínica que mereça atendimento urgente durante a noite.
A CME tem, neste momento, razões de sobra para rasgar o protocolo assinado (porque nada foi cumprido até à data e porque o governo tem admitido o erro e a precipitação em que caiu), e voltar à luta pelo não encerramento do serviço no HVS.
A melhoria dos serviços e valências previstas para o nosso hospital, é um direito a que todos temos, e seria uma aplicação correcta dos impostos que pagamos, mas nunca a troco do encerramento desse serviço tão necessário e crucial para o salvamento de vidas em situações em que todos os segundos são importantes.
Para já, louve-se a persistência do povo de Anadia e, mesmo que não consigam o pretendido, ficará sempre para a história, a sua tenacidade e coragem de lutar até ao fim. Perder, de cabeça erguida e com a consciência de tudo ter sido feito pela vitória, é muito mais digno do que uma vitória envergonhada e de duvidosa credibilidade.
E nós, estaremos à espera de quê?

terça-feira, março 11, 2008

NO RESCALDO DO EURO-2004

Impressionante e inclassificável [esta] forma de gestão pública.
Dois milhões e trezentos mil euros transferidos, assim, de mão beijada, para anular os prejuízos da exploração do Estádio Municipal de Aveiro!!!
Que mais é isto senão uma perfeita loucura e um claro sinal de irresponsabilidade perante os cidadãos, e de abuso na gestão dos dinheiros públicos?
Que se deite abaixo urgentemente o estádio, se negoceie os terrenos ou neles se construa um qualquer empreendimento rentável para a autarquia.
A indignação é tanta que se torna difícil articular alguma palavra mais sobre o assunto.

segunda-feira, março 10, 2008

ELEITORALISMOS

COMEÇOU A CORRIDA!

Tal como se previa, o governo apresta-se para mais uma decisão irresponsável e demagoga: baixar os impostos, concretamente o IRS e o IRC.
Depois de pedir sacrifícios atrás de sacrifícios, em nome do controlo do déficit orçamental e do equilíbrio da economia e, numa altura em que se impõe o maior rigor para que se possa no futuro desafogar um pouco a queda vertiginosa do poder de compra dos portugueses, deita-se tudo a perder com uma decisão que só pode ser aplaudida por quem não consegue ver mais além que o imediato. E infelizmente são muitos mais do que se possa imaginar e o governo sabe-o muito bem. É por isso que uma medida do género se transforma facilmente em votos necessários para uma segunda vitória eleitoral. Afinal tem sido esta a política seguida governo atrás de governo: dois ou três anos a sacrificar os portugueses e um ou dois anos a dar o que se tirou. É fácil de perceber que, contas feitas, ficamos na mesma.
Há que introduzir aqui o factor externo de que o País depende cada vez mais e o contínuo aumento do despesismo do estado, para explicar então porque não continuamos iguais mas cada vez piores.
Mas alguém julga que pagar menos 0,5 ou 1% de IRS vai tirar os pobres da miséria, ou fazer dos menos abastados pessoas ricas?
Há que, de uma vez por todas, encarar seriamente o que é necessário fazer para conduzir o País a uma recuperação devidamente sustentada. E isso não passa seguramente pelo abaixamento de umas décimas percentuais nos impostos que se pagam, porque passadas as eleições vai-nos ser cobrado muito mais do que hipoteticamente nos possam agora vir a dar.
Será preferível então, manter o esforço por forma a que num futuro próximo, os Portugueses possam respirar um pouco, sem ter quem lhes venha de novo asfixiar as gargantas.
Há formas de controlar o déficit e de recuperar a economia, e todos poderemos apontar meia dúzia de medidas que conduzam a tal. Claro que mexer com os grande loobies não é para todos e está claro que em Portugal nenhum governo está ou esteve para aí virado. É mais fácil subir o IVA, o IRS, o IRC, as Taxas moderadoras, o preço dos serviços, os combustíveis, os bens essenciais, etc, para que nos cofres entrem os valores inscritos no OE. O povo é sereno; paga e não "bufa". Já com os chamados "grandes" a história é outra.
O Sr. Ministro disse em Novembro,[Aqui], que se não houvesse fuga ao fisco nem fraude fiscal, os contribuintes portugueses pagariam menos 38% de IRS e menos 25% de IVA.
Então, Sr. Ministro, se o governo detecta dívidas fiscais no valor 3.300 milhões de Euros, nada mais terá de fazer do que as cobrar, e aliviar assim, substancialmente, a carga fiscal sobre os contribuintes. É certo que não são os pequenos contribuintes ou os trabalhadores por conta de outrém, os responsáveis por esta enormidade. E é aqui que começa a demonstrar-se a hipocrisia e a incapacidade dos governos que não hesitam em cobrar um Euro que seja, ao cidadão anónimo e deixam passar em claro, ano após ano, a fuga de milhões e milhões.
Habituámo-nos a que, em nome da ânsia pelo poder, valha tudo. Este já anunciado abaixamento dos impostos (se não acontecer este ano, irá acontecer com toda a certeza no próximo ano), será uma atitude irreflectida e sem resultados práticos para o povo e traduz mais um perigoso jogo político que visa unicamente uma vitória eleitoral. A seguir ao "doce" atiram-nos com vinagre.
E enquanto eles se divertem a jogar...

PONTO DE VISTA

José Sócrates tem em mãos um problema de difícil resolução, que emana da recente manifestação dos professores: ou deixa cair a ministra da Educação ou arrisca perder as eleições. Não creio que opte por esta última opção, pelo que acredito que a senhora tem os dias contados no que diz respeito ao exercício das suas actuais funções.
É certo que este primeiro ministro já deu provas da sua surdez à voz do povo, mas à medida que o tempo se encurta, os ouvidos vão-se abrindo, ainda que a custo.
Não seria preocupante este facto se se sentisse a existência de uma oposição com alternativas. Mas, e pelo menos aí louve-se a coerência, é o próprio Luís Filipe Menezes que admite que o PSD não está em condições de ser alternativa.
Muito provavelmente o PSD estará à beira de mais uma rotura na liderança. É certo que Luís Filipe Menezes nunca foi um líder forte, mas alguns militantes do próprio partido cedo se encarregaram de o fragilizar ainda mais; o mesmo acontecera já com Santana Lopes e com Marques Mendes.
Este permanente clima de guerrilha interna, do qual o partido parece não conseguir sair, torna o PSD inoperante e demissionário das suas responsabilidades no panorama político nacional.
Enquanto isso, o governo faz do povo o que quer; se voltar a ganhar as eleições, continuaremos a ter esta política estúpida a lembrar os regimes ditatoriais do eu quero, mando e posso, com prejuízo claro das classes média e média baixa; se o PS perder as próximas legislativas, não se adivinham tempos melhores pelos motivos atrás referidos - a falta de um projecto alternativo, devidamente sustentado e voltado para a recuperação do país sem que sejam sempre os mesmos a pagar a crise, que nunca mais está paga.
E não haverá alguém que nos consiga tirar disto?

domingo, março 09, 2008

UMA TARDE FRIA

Cerca de três centenas de pessoas estiveram hoje presentes na Praça Francisco Barbosa, em Estarreja, para manifestar o seu descontentamento pela determinação do governo em fechar o Serviço de Urgências do Hospital Visconde de Salreu.
Três centenas de inconformados, num universo de cerca de 28300 habitantes do concelho, faz pensar se vale a pena dar a cara por qualquer causa pública.
É certo que a ideia predominante é de que agora já é tarde pois esta como outras acções de protesto deveriam acontecer antes da decisão do governo e da assinatura de qualquer protocolo, o qual não será mais do que um pequeno balão de oxigénio no futuro que se adivinha moribundo do HVS.
E é pena que o sentimento seja esse pois o baixar dos braços é o princípio da derrota. É certo que se não exigia a presença dos 28000 cidadãos, nem de 15000 ou mesmo de 10000, mas 4 ou 5000 seria talvez um número razoável. E, se tivermos em conta que há populações de concelhos e freguesias vizinhas neste mesmo barco, e talvez mesmo em situação mais difícil do que os habitantes do concelho de Estarreja, não seria de espantar que a Praça Francisco Barbosa fosse pequena demais.
Este habitual acomodamento dos cidadãos perante as grandes questões - e esta é sem dúvida uma grande questão para o futuro do concelho - é preocupante.
Começa a sentir-se que se aceita tudo de braços abertos, mesmo quando isso tenha as piores implicações no futuro da população. E perdem-se assim batalhas importantes. Perdeu-se a questão do IC1 que se tinha conseguido voltar a favor do interesse do concelho; está em vias de se perder esta, das Urgências, e sabe-se lá o que nos espera o futuro.
Dizia-se lá, a este respeito que "as pessoas ficam em casa porque ainda não sentiram na pele o que isto vai dar".
E é bem verdade. Sabe-se que Santa Maria da Feira e Aveiro são incapazes de dar resposta às situações que irão acontecer após o encerramento das urgências do HVS. E esta é que é a grande questão que se tenta camuflar com o cumprimento duvidoso de um protocolo que alguém entende ser vantajoso para nós.
Pois é importante que se diga que uma coisa são as melhorias previstas no tal protocolo e outra, bem distinta, é o facto de às 2, ou três horas da madrugada, não termos quem nos acuda numa situação de urgência. Ou seja: nenhum protocolo substitui o serviço de urgências.
Não me parece que o SNS não consiga suportar o vencimento de um ou dois médicos durante a noite no HVS. A vida terá sempre um preço muito mais alto, mas a que este governo parece completamente insensível.
A pouco e pouco, estaremos a regredir ao tempo dos nossos avós: nascia-se em casa e em casa se morria. Ou então passaremos a nascer na rua e a morrer nela, a caminho de uma maternidade ou de um serviço de urgência cada vez mais distantes.
Não será isto um assunto sério demais para que acordemos todos desta letargia hipnótica que parece ter tomado conta de nós?


quinta-feira, março 06, 2008

FINALMENTE


Depois de muitos e muitos anos de insistência e de o assunto ter sido abordado por diversas vezes em sessões da Assembleia de Freguesia, Canelas vai finalmente ver concretizada uma obra que se impunha há muito: a requalifificação do espaço onde outrora funcionou o mercado e que passará a ser um parque de merendas e lazer.
Situado junto ao Esteiro Velho, o espaço pode ser visto como a porta de entrada para uma demorada visita à zona do Baixo Vouga Lagunar, onde as paisagens são ainda, algumas delas, paradisíacas.
Sem desprimor para o espaço Bioria de Salreu, por aqui facilmente se nota uma maior diversidade de espécies no que diz respeito à fauna e à flora, a justificar um olhar especial e uma classificação semelhante.
Complementando o arranjo desta zona, o Projecto para o início do Esteiro Novo mostra-se também interessante. As alterações e beneficiações a introduzir parecem agradáveis e esteticamente bem enquadradas. Impõe-se, de seguida, a remoção da montanha de entulhos situada entre as duas obras a realizar, para que se obtenha então um espaço digno e convidativo para quem nos visite.
Um pouco mais de ambição justificaria a reparação do caminho até ao dique, tornando assim possíveis uns bons passeios de bicicleta, sem os modernos mp3 nos ouvidos, mas ao som do chilreio cristalino dos pássaros.
Toda esta zona magnífica merece ser desfrutada e vista com outros olhos. A concretização dos dois projectos acima referidos poderão ser determinantes para que isso venha a acontecer.
Por isso aqui fica o agradecimento à CME pela elaboração dos mesmos e o desejo de que, rapidamente, se comece a ver a obra.

terça-feira, março 04, 2008

SEM COMENTÁRIOS

O Futebol, a Segurança e o resto...
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segunda-feira, março 03, 2008

AS NOITES QUE SÃO DIAS

Tomando por base [esta] notícia, impõe-se uma reflexão séria acerca do trabalho nocturno.
Já por si mais desgastante fisica e psicológicamente, tem ainda a agravante de que o descanso se faz durante o dia - em que não há quaisquer restrições ao barulho. Nem poderia haver, naturalmente!
Mas poderia e deveria haver uma legislação que tivesse em conta os milhares de trabalhadores que exercem a sua actividade durante a noite - esses mesmos que dormitam duas ou três horas durante o dia e têm de se manter acordados durante toda a noite.
Parece fácil. Mas não é. Ao cabo de 10, 15 ou 20 anos, dependendo da resistência de cada um, o trabalho nocturno começa a ser uma verdadeira batalha, penosa e dolorosa. Imperceptívelmente se vão perdendo diversas faculdades a um ritmo muitíssimo mais acelerado do que o normal e que provocam graves alterações no corpo e no espírito. São as alterações do humor, a perda de concentração e de memória, a capacidade de reacção, os problemas de visão, etc., etc.
Entendo inconcebível que um cidadão que desempenhe as suas funções durante a noite, tenha direito à sua reforma exactamente à mesma idade que um outro que trabalhe a vida inteira no horário dito normal. Esta é uma desigualdade tremenda, que merecia ser analisada e que se manifesta carente de legislação específica.
Aos 65 anos, e depois de 40 anos de desgaste acentuado pelo exercício de trabalho nocturno, são poucos os cidadãos com saúde e condições físicas e psíquicas razoáveis para viver mais meia dúzia de anos.
Mas haverá alguém que se importe com isto?
Também por aqui se percebe que quem faz as leis trabalha apenas de dia...