Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

A NOBREZA E O POVO

Retomo aqui o tema do post anterior, e faço-o com base num trabalho da Marktest que permite caracterizar a sociedade portuguesa da seguinte forma:









Claro que cada um de nós pode ler os gráficos da maneira que melhor lhe convém. Eu leio assim:

- as 3 classes com menor poder económico totalizam 84,6%; ou, se quisermos ser um pouco mais optimistas: 57,30% da população portuguesa vive "na corda bamba", 27,3% "vai-se safando" e 15,4% vive "à grande e à francesa".
Parece-me claro isto, da mesma forma que todos sabemos que são as classes média e média baixa que suportam o tremendo peso dos Orçamentos do Estado. São esses que não podem fugir com um único euro pois logo têm o fisco a morder-lhe os calcanhares; são esses que pagam impostos pelos que o não fazem; são esses que necessitam dos serviços de Urgências e de escolas perto de si; são esses que para conseguir comprar casa, carro ou ter uma vida minimamente digna, têm de se endividar e suportar durante uma vida inteira o peso das amortizações dos empréstimos bancários; são esses para quem o governo não legisla favoravelmente, indiferente às suas realidades.
Não terão esses também direito a casa própria, mesmo que andem 30 anos a pagá-la? Ou terão de viver numa qualquer barraca construida clandestinamente? Será essa a política que se pretende?
Por outro lado, uma grande parte dos automóveis de gama alta que por aí circulam, vêm de outros países da europa a custos mais vantajosos do que um veículo de gama inferior custa em novo aqui. Não se trata de novo riquismo, mas de optar por gastar o mesmo dinheiro num usado que, por ser de uma gama superior oferece por vezes mais garantias a nível de segurança e mesmo de custos de manutenção do que um novo de uma gama inferior. Outros ainda "pertencem" a gestores públicos e privados que, muitas vezes, atiram as empresas para a falência... mas não dispensam tudo o que diz respeito ao seu exagerado bem-estar.
E depois, a verdadeira questão prende-se com o facto de que uma parte das pessoas que se situam nos tais 84,6%, lá vai sobrevivendo sem que lhes sejam criadas as condições mínimas que lhes permitam alguma qualidade de vida. E isto é o drama de muita gente.
Que política e políticos são estes que querem fazer obra à custa dos mais desfavorecidos?
Leia-se, a propósito, o último número da revista Sábado, e veja-se quanto meteram ao bolso os protagonistas do caso BCP/CGD, e ainda as benesses que lhes foram concedidas.
Parece-me mais que evidente que esses 4,9% da população portuguesa, controlam tudo e todos, fazem o que querem, enriquecem da forma que querem e ainda têm no governo o seu principal aliado.
De quando em vez lê-se, aqui e ali, que os hipermercados estão cheios... mas uma observação mais atenta aos carrinhos que chegam às caixas, permite ver que a qualidade deu lugar à quantidade. E, sabendo-se que os hiper, pelo volume de produtos que transaccionam e pelos acordos que têm com diversas empresas do ramo alimentar, conseguem apresentar ao consumidor preços muito inferiores aos das pequenas superfícies, nada mais natural que a eles se recorra.
Chegar ao fim de um mandato com o déficit abaixo dos 2%, mas com as famílias mais pobres, porque mais sobrecarregadas de impostos directos e indirectos; reduzir as despesas de produção à custa do despedimento de trabalhadores; baixar os custos da saúde fechado urgências, maternidades e outros serviços; diminuir os gastos com a educação encerrando escolas, etc., é a forma mais fácil de fazer política e não é necessário ser-se um expert na matéria para o fazer dessa maneira. Basta não ter capacidade para mais.
O estado deve, em primeiro lugar e acima de tudo, reduzir - e muito - os gastos consigo próprio, demonstrando uma atitude séria e de honestidade para com os portugueses. E deve pedir responsabilidades aos maus gestores públicos, estejam eles nas Câmaras Municipais, nas empresas do estado, ou no próprio Governo. Enquanto assim não for...


2 comentários:

Maria, Simplesmente disse...

Como se sente uma formiguinha?...
Neste quadro tão completo, eu tenho vontade de dar uma gargalhada, sabe porquê Camilo, ao fim de tantos anos de trabalho apetece-me dizer:
Por que fiz tanta hora gratuíta durante a minha vida!?...
Ainda por cima agora roubam-me dinheiro e não sentem vergonha!...
Ctp
Maria

Maria, Simplesmente disse...

A gargalhada Camilo que eu tenho vontade de dar é de "JaLouca" compreendeu Camilo?
Um Carnaval divertido por aí Camilo
Maria