Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

O VALOR DA VIDA

Urgência: qualidade do que é urgente; pressa; necessidade premente, imediata; sector de um hospital onde se atendem doentes que necessitam de cuidados médicos imediatos.
in Dicionário da Língua Portuguesa.

Os socialistas de Estarreja querem que o ministro da Saúde, Correia de Campos, mantenha o serviço de urgências local aberto 24 horas, até que o hospital da Aveiro garanta o atendimento pleno dos utentes provenientes do concelho.
in o Correio da Manhã.


A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Maria Augusta Sousa, criticou hoje ( 7/01/2008) o ministro da Saúde «por ter um discurso a favor da qualidade e segurança dos cuidados prestados e não disponibilizar os meios» necessários aos hospitais.
in Diário Digital

O que se tem passado um pouco por todo o país, no campo da saúde, demonstra claramente o estado caótico a que o país está votado, também nesta área que deveria ser alvo das maiores atenções e merecedora de uma séria e profunda reforma, com benefício para os cidadãos, já de si mais debilitados fisicamente.
Pelo contrário, assiste-se ao completo desrespeito pela saúde e mesmo pela vida, por parte desta gente sem escrúpulos e sem princípios, que assiste lá do alto das escadarias de S. Bento, à boa maneira dos imperadores romanos que, de polegar invertido, se tornavam nos donos da vida.

As mortes nos serviços de urgências sucedem-se por motivos que não têm justificação. O que se lhes sucede é o habitual lavar de mãos e umas investigações que normalmente ilibam os responsáveis. E tudo se fica por aqui, como se uma vida humana, que terminou em circunstâncias condenáveis num serviço especialmente dedicado ao atendimento de situações urgentes, valesse tanto como uma folha de papel que, por descuido ou negligência, se rasga e se deita fora.
E continuamos todos a assistir a tudo isto e a pagar a quem nos retira as mais básicas condições de assistência.
Enquanto uns lutam pelos seus direitos - porque a protecção da saúde é um direito consignado na Constituição Portuguesa (Artº 64º) - por aqui aceita-se tudo o que se nos impõe.
As forças actualmente no poder acobardam-se em atitudes de silêncio, entretidas em festas e carnavais e à sombra de um protocolo que sabem não será cumprido; as da oposição dão-se por satisfeitas se as urgências do Hospital Visconde de Salreu não fecharem enquanto de Aveiro se não garantir o atendimento dos doentes concelhios, como se alguma vez isso viesse a acontecer!
Claro que quem decide não passa por estes dramas. Os senhores ministros, presidentes, governadores e respectivas famílias, têm toda a assistência de que necessitam sem terem de passar por uma qualquer triagem, ou pelo desespero de sentir, impotentes, o tempo a passar num corredor de um hospital público, onde se morre por cair de uma maca ou por falta de atendimento, que tarda horas e horas.
O tempo deveria ser de concentração de esforços no sentido de se lutar por aquilo que é óbvio, ou seja, não o encerramento das urgências mas sim o seu reforço e melhoria na procura de melhores condições para a população do concelho. Baixar os braços é admitir a derrota e entrar no jogo dessa gente insensível, miserável e sem princípios que, como abutres, vive da carne putrefacta dos cadáveres.
A política local vive há muitos anos de guerrilhas e acusações infantis sobre quem fez, quem não fez, quem deveria ter feito, etc. Deixem-se de tretas! Pelo menos uma vez e por uma causa do interesse de TODO O CONCELHO, virem-se para o mesmo lado. E, se uns conseguem inverter o triste rumo que lhes traçaram, porque teremos nós de ser diferentes? Acaso os seus argumentos serão diferentes dos nossos? Tenho a certeza que não.
A única iniciativa pública pelo não encerramento das urgências do hospital de Salreu foi, que me lembre, uma vigília de vela na mão a fazer lembrar já a procissão das almas. Não me parece que seja esse o caminho. O poder local terá um papel fundamental na condução deste processo tornando reversível o que parece certo.
Cada minuto que passa, numa situação de emergência, pode ser determinante. Aumentar a distância e o tempo de atendimento é muitas vezes fatal. Concentrar tudo no hospital de Aveiro é, como se verá, a pior solução e com um preço demasiado alto a pagar por muitos de nós. E é disto que falamos, porque é isto que nos importa e porque o sentimos na pele.
Iluminemos a "cidade" com milhares de luzes, patrocinemos carnavais e outras festas, façam-se parques e açudes, piscinas e campos de futebol, depois de termos no concelho as mais elementares condições para uma vida com alguma qualidade, a nível da educação, da saúde e bem estar. Ou então, metamos a viola no saco e vamos tocar para outro lado.

1 comentário:

ms disse...

Todos os dias somos confrontados com estas situações que nos indignam profundamente, até quando, queremos dizer basta.
cpts