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quarta-feira, janeiro 16, 2008

O TRATADO DO MEDO

O governo decidiu, como já se esperava, não referendar o Tratado de Lisboa. Fê-lo por medo. Medo de o povo, no uso de um legítimo direito seu, dizer não. Tanto mais que se sabe que uma substancial parte dos cidadãos que contribuíram para a maioria absoluta que nos governa, se mostra descontente com o resultado de tal governação. E aí, o governo e este primeiro ministro ficariam mal na fotografia. Foi esse o medo do governo, porque se preocupa em governar para fora do país, ao invés de assumir os compromissos que assumiu com os portugueses. O medo de os grandes da europa lhe apontarem o dedo, por um eventual fracasso da ratificação do Tratado.
Ora, um governo que se deixe conduzir pelo medo, não merece a confiança dos portugueses.
Não sou a favor de referendos por tudo e por nada, até pelo alto preço que pagamos por cada acto eleitoral mas, o assunto merecia a consulta popular. E merecia-a porque o Tratado não será mais do que uma capa ilusória com que se pretende cobrir a Europa, numa subserviência, cada vez mais evidente, aos países mais ricos. Ou alguém acredita que a economia entre os vários países europeus venha algum dia a ser equiparada? Ou que a colaboração assumida com os países mais pobres de África se venha a fazer de uma forma desinteressada, tendo em vista exclusivamente o seu desenvolvimento? Ou ainda que Países como Portugal, venham a ter algum benefício resultante da ratificação do Tratado?
O que acontecerá gradualmente será a perda de identidade do País e dos portugueses, subjugados a leis e normas criadas para países ricos e desenvolvidos, e que se não enquadram na realidade nacional.
Daí que o assunto justificaria a aprovação da maioria dos portugueses, fazendo jus a um acto de cidadania consagrado na Constituição Portuguesa, mas que um primeiro ministro, por medo, não permitiu. Preferiu, como disse, consultar os seus homólogos europeus e, num acto ignóbil, entregar-se nas suas mãos, como um qualquer fugitivo acossado pelos lobos.

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