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segunda-feira, janeiro 14, 2008

ANOS BISSEXTOS

PORQUE HÁ ANOS BISSEXTOS?

Um ano bissexto é aquele que tem um dia a mais que os anos convencionais, ou seja, 366 dias. Mas poucas pessoas saberão que o tal "dia a mais" resulta da duplicação do 24º dia do mês de Fevereiro. Na verdade, o dia extra serve de sincronismo entre o ano solar e o calendário, uma vez que a terra, para completar o seu movimento de translacção em volta do sol, demora 365,25635 dias. Daí que os tais 0,25, ou seja, um quarto de dia, ao fim de 4 anos dêem origem a uma discrepância de 1 dia em relação ao calendário - razão porque se torna necessária a introdução de mais um dia. No entanto, há ainda necessidade de um outro acerto devido aos 0,00365 dias. Para eliminar esse pequeno erro, convencionou-se que um ano divisível por 100, só é bissexto se for também divisível por 400. Ou seja: os anos bissextos são todos aqueles que são divisíveis por 4 e por 100 , com excepção dos que divisíveis por 100 não o sejam por 400. Confuso?
Exemplificando: 1700, 1800, 1900, 2100, 2200 - não são anos bissextos porque embora divisíveis por 100, não o são por 400; 1600, 2000, 2400 - são anos bissextos porque são divisíveis por 100 e por 400.

RECUANDO NO TEMPO...

O Imperador romano Júlio César, chegado ao poder, deparou-se com uma perfeita anarquia no que dizia respeito à distribuição dos dias pelos meses, já que o ano tinha normalmente 354 dias, havendo necessidade de recorrer à intercalação de um novo mês, de dois em dois anos, para minimizar os desacertos em relação ao ano solar. Para piorar ainda mais as coisas, essas intercalações eram feitas sem qualquer base científica e de acordo com interesses particulares ou políticos, chegando mesmo a verificar-se um adiantamento de três meses em relação ao ciclo das estações do ano.
Numa tentativa de terminar com tal desordem, Júlio César, sustentado por um trabalho efectuado pelo astrónomo Grego Sosígenes, criou o seu próprio calendário, com doze meses e 365 ou 366 dias, e que passou a vigorar a partir do ano 45 a. C. - o calendário Juliano. Voltando à origem do ano bissexto, teremos de recordar a maneira como os romanos contavam os dias, para a entender. Assim, o primeiro dia do mês era designado de Calendae, e os dias que se lhe seguiam eram numerados em função de quantos restavam para o primeiro dia do mês (Calendae) seguinte. Como exemplo, o dia 20 de Fevereiro era designado como sendo 0 décimo dia antes das Calendae de Março (Março era considerado inicialmente o primeiro dia do ano), da mesma forma que o dia 24 era tido como o sexto dia antes das Calendae de Março (ante diem sextum kalendas martias). Júlio César escolheu então o dia 24 de Fevereiro para o duplicar, dando assim origem ao ante diem bis sextum kalendas martias que, na realidade, passaria a ser o dia 25 de Fevereiro, efectuando assim o tal acerto no calendário. Em bom rigor poderíamos dizer que o dia bissexto é o 25º e não o 29º, muito embora acabe por ser este último, o dia inserido "a mais" no calendário gregoriano - este que actualmente nos regula e que foi criado em 1582 pelo papa Gregório XIII, precisamente para corrigir os erros de imprecisão ainda patentes no calendário Juliano que é cerca de 11 minutos e 5 segundos mais longo do que o ano trópico. O ano bissexto tem assim origem no dia bissexto do mês de Fevereiro.

2 comentários:

Anónimo disse...

Um esclarecimento perfeito para quem tinha dúvidas.CPTS

Flor Selvagem disse...

Se não tem sido corrigido onde estaríamos agora?...
Isto é Serviço Público educativo.
Um abraço.
Maria