Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

A TRISTE REALIDADE

Alguém consegue arranjar uma explicação de jeito para nos andarmos por aí a armar que organizámos uma Expo 98, que fizemos 10 estádios de futebol, que vamos construir um novo aeroporto que será provavelmente dos melhores da europa, que temos duas auto-estradas paralelas que distam escassas centenas de metros uma da outra, que vamos construir uma linha ferroviária de alta velocidade, que vamos ter mais uma ou duas pontes sobre o Tejo, etc., etc.?

E já agora, alguém quererá contar quanto é que meteram no bolso dos ministros para os mandarem embora?

terça-feira, janeiro 29, 2008

O CIRCO

O CIRCO MUDOU DE SÍTIO: PALHAÇOS, MALABARISTAS, ILUSIONISTAS, TRAPEZISTAS, APARECEM AGORA POR TODO O LADO, TRANSFORMANDO O PAÍS NUMA ENORME TENDA. E O PROBLEMA MAIOR É QUE, MESMO AQUELES QUE NÃO GOSTAM, TÊM DE PAGAR BILHETE PARA MANTER A "ARTE" E OS "ARTISTAS" EM ACTIVIDADE.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

BAIXO VOUGA

Uma boa notícia, [aqui], para os defensores da Região do Baixo Vouga, e que pode mesmo contribuir para ajudar, e muito, o Movimento pelo Fim da Caça nessa zona.

domingo, janeiro 27, 2008

DESAFIO - 2

Com 4 linhas rectas e sem levantar o lápis, passar por todas as estrelas.
SOLUÇÃO:

sexta-feira, janeiro 25, 2008

O VALOR DA VIDA

Urgência: qualidade do que é urgente; pressa; necessidade premente, imediata; sector de um hospital onde se atendem doentes que necessitam de cuidados médicos imediatos.
in Dicionário da Língua Portuguesa.

Os socialistas de Estarreja querem que o ministro da Saúde, Correia de Campos, mantenha o serviço de urgências local aberto 24 horas, até que o hospital da Aveiro garanta o atendimento pleno dos utentes provenientes do concelho.
in o Correio da Manhã.


A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Maria Augusta Sousa, criticou hoje ( 7/01/2008) o ministro da Saúde «por ter um discurso a favor da qualidade e segurança dos cuidados prestados e não disponibilizar os meios» necessários aos hospitais.
in Diário Digital

O que se tem passado um pouco por todo o país, no campo da saúde, demonstra claramente o estado caótico a que o país está votado, também nesta área que deveria ser alvo das maiores atenções e merecedora de uma séria e profunda reforma, com benefício para os cidadãos, já de si mais debilitados fisicamente.
Pelo contrário, assiste-se ao completo desrespeito pela saúde e mesmo pela vida, por parte desta gente sem escrúpulos e sem princípios, que assiste lá do alto das escadarias de S. Bento, à boa maneira dos imperadores romanos que, de polegar invertido, se tornavam nos donos da vida.

As mortes nos serviços de urgências sucedem-se por motivos que não têm justificação. O que se lhes sucede é o habitual lavar de mãos e umas investigações que normalmente ilibam os responsáveis. E tudo se fica por aqui, como se uma vida humana, que terminou em circunstâncias condenáveis num serviço especialmente dedicado ao atendimento de situações urgentes, valesse tanto como uma folha de papel que, por descuido ou negligência, se rasga e se deita fora.
E continuamos todos a assistir a tudo isto e a pagar a quem nos retira as mais básicas condições de assistência.
Enquanto uns lutam pelos seus direitos - porque a protecção da saúde é um direito consignado na Constituição Portuguesa (Artº 64º) - por aqui aceita-se tudo o que se nos impõe.
As forças actualmente no poder acobardam-se em atitudes de silêncio, entretidas em festas e carnavais e à sombra de um protocolo que sabem não será cumprido; as da oposição dão-se por satisfeitas se as urgências do Hospital Visconde de Salreu não fecharem enquanto de Aveiro se não garantir o atendimento dos doentes concelhios, como se alguma vez isso viesse a acontecer!
Claro que quem decide não passa por estes dramas. Os senhores ministros, presidentes, governadores e respectivas famílias, têm toda a assistência de que necessitam sem terem de passar por uma qualquer triagem, ou pelo desespero de sentir, impotentes, o tempo a passar num corredor de um hospital público, onde se morre por cair de uma maca ou por falta de atendimento, que tarda horas e horas.
O tempo deveria ser de concentração de esforços no sentido de se lutar por aquilo que é óbvio, ou seja, não o encerramento das urgências mas sim o seu reforço e melhoria na procura de melhores condições para a população do concelho. Baixar os braços é admitir a derrota e entrar no jogo dessa gente insensível, miserável e sem princípios que, como abutres, vive da carne putrefacta dos cadáveres.
A política local vive há muitos anos de guerrilhas e acusações infantis sobre quem fez, quem não fez, quem deveria ter feito, etc. Deixem-se de tretas! Pelo menos uma vez e por uma causa do interesse de TODO O CONCELHO, virem-se para o mesmo lado. E, se uns conseguem inverter o triste rumo que lhes traçaram, porque teremos nós de ser diferentes? Acaso os seus argumentos serão diferentes dos nossos? Tenho a certeza que não.
A única iniciativa pública pelo não encerramento das urgências do hospital de Salreu foi, que me lembre, uma vigília de vela na mão a fazer lembrar já a procissão das almas. Não me parece que seja esse o caminho. O poder local terá um papel fundamental na condução deste processo tornando reversível o que parece certo.
Cada minuto que passa, numa situação de emergência, pode ser determinante. Aumentar a distância e o tempo de atendimento é muitas vezes fatal. Concentrar tudo no hospital de Aveiro é, como se verá, a pior solução e com um preço demasiado alto a pagar por muitos de nós. E é disto que falamos, porque é isto que nos importa e porque o sentimos na pele.
Iluminemos a "cidade" com milhares de luzes, patrocinemos carnavais e outras festas, façam-se parques e açudes, piscinas e campos de futebol, depois de termos no concelho as mais elementares condições para uma vida com alguma qualidade, a nível da educação, da saúde e bem estar. Ou então, metamos a viola no saco e vamos tocar para outro lado.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

REFLECTIR

Foi hoje a sepultar em Santo Amaro um homem, mais um, que faleceu nas urgências do hospital de Aveiro.
Terá caído da maca e uma pessoa da família foi dar com ele, no chão, a esvair-se em sangue (ler aqui).
Isto aconteceu! Todo o país viu.
Em Aveiro seguiu-se o lavar de mãos, à boa maneira de Pilatos.
A reflexão impõe-se.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

VEJAM LÁ BEM ISTO!


UM RAIO DE SOL

O Ministério Público mandou arquivar a queixa-crime contra o autor do blog "Do Portugal Profundo". Não se esperava outra coisa, mas...
Tudo começou com a questão da licenciatura do Primeiro Ministro que ainda hoje não está muito bem esclarecida e que aqueceu a Primavera de 2007.
Ao companheiro António Caldeira, um abraço pelo desfecho da "estória" e que nunca lhe doam os dedos.

sábado, janeiro 19, 2008

DESAFIO -1

Aqui vos deixo um enigma para o fim de semana... para desanuviar um pouco e arejar o pensamento.


Três amigos que já se não viam há bastante tempo, decidiram ir a um bar tomar qualquer coisa enquanto punham a conversa em dia.
No final, o total da despesa foi de 30 Euros, pelo que cada um tirou da carteira uma nota de dez, que entregou ao empregado. O dono do bar reparou que este se tinha enganado na conta, pois a mesma era de 25 Euros e não de 30, como foi cobrado. Assim, pediu ao empregado para restituir os 5 Euros que tinham sido pagos a mais.
O empregado pegou nos 5 euros e pensou para consigo: "vou restituir 1 Euro a cada um e fico com dois para mim". E assim fez.
Cada um pagou então 9 Euros. Ora, 9 x 3 são 27, mais os dois que o empregado meteu ao bolso = 29. Onde está o outro Euro?

sexta-feira, janeiro 18, 2008

AO QUE ISTO CHEGOU

A NOTÍCIA:
Mangualde - Uma fábrica do grupo PSA corre o risco de ir para Marrocos, veja-se lá bem, por falta de terrenos para o seu alargamento. A fábrica emprega actualmente 1400 pessoas.







TRAGAM-NA PARA CÁ. NÓS AGRADECEMOS.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

MAIS UM PASSO ATRÁS

O projecto-Lei, apresentado pelo PS e pelo PSD, e que visa a alteração da Lei das Autarquias, retira aos presidentes das juntas, como membros das Asembleias Municipais, o direito de votarem os Planos e Orçamentos das Câmaras.
Tivesse a Lei sido mudada há mais tempo e por estes lados, muito menos polémica teria havido...
Este passo atrás, nos direitos daqueles que estão mais próximos das populações e que devem ser o elo de ligação entre estas e as Câmaras Municipais, é, no mínimo, rocambolesco.
Sendo estes os principais documentos de gestão das autarquias, é inacreditável que, aquando da sua discussão e votação, os presidentes de Junta sejam silenciados. Ora, sendo membros de pleno direito, como os restantes elementos, de um mesmo órgão, não se compreende a discriminação que se pretende agora introduzir, a lembrar outros tempos em que o voto era um direito só de alguns.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

O TRATADO DO MEDO

O governo decidiu, como já se esperava, não referendar o Tratado de Lisboa. Fê-lo por medo. Medo de o povo, no uso de um legítimo direito seu, dizer não. Tanto mais que se sabe que uma substancial parte dos cidadãos que contribuíram para a maioria absoluta que nos governa, se mostra descontente com o resultado de tal governação. E aí, o governo e este primeiro ministro ficariam mal na fotografia. Foi esse o medo do governo, porque se preocupa em governar para fora do país, ao invés de assumir os compromissos que assumiu com os portugueses. O medo de os grandes da europa lhe apontarem o dedo, por um eventual fracasso da ratificação do Tratado.
Ora, um governo que se deixe conduzir pelo medo, não merece a confiança dos portugueses.
Não sou a favor de referendos por tudo e por nada, até pelo alto preço que pagamos por cada acto eleitoral mas, o assunto merecia a consulta popular. E merecia-a porque o Tratado não será mais do que uma capa ilusória com que se pretende cobrir a Europa, numa subserviência, cada vez mais evidente, aos países mais ricos. Ou alguém acredita que a economia entre os vários países europeus venha algum dia a ser equiparada? Ou que a colaboração assumida com os países mais pobres de África se venha a fazer de uma forma desinteressada, tendo em vista exclusivamente o seu desenvolvimento? Ou ainda que Países como Portugal, venham a ter algum benefício resultante da ratificação do Tratado?
O que acontecerá gradualmente será a perda de identidade do País e dos portugueses, subjugados a leis e normas criadas para países ricos e desenvolvidos, e que se não enquadram na realidade nacional.
Daí que o assunto justificaria a aprovação da maioria dos portugueses, fazendo jus a um acto de cidadania consagrado na Constituição Portuguesa, mas que um primeiro ministro, por medo, não permitiu. Preferiu, como disse, consultar os seus homólogos europeus e, num acto ignóbil, entregar-se nas suas mãos, como um qualquer fugitivo acossado pelos lobos.

terça-feira, janeiro 15, 2008

QUE É FEITO DE VÓS?




A grande causa abraçada em 2007 aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui parece, inexplicavelmente, adormecida. Que ventos fortes terão feito recuar a barca?
Caros companheiros: está na hora de voltar a levantar a bandeira!

A NOSSA MÚSICA

Um link que permite conhecer a música que rolava quando nascemos. Basta seleccionar o mês e ano, e ficamos a saber quais os sons que nos acompanharam nos primeiros dias de vida. Depois, é só procurar, no Youtube por exemplo, e ouvir, ouvir, ouvir...
Experimentem.
Aqui fica um "cheirinho"... de Março/1965. Fiquem então com Andy Williams & António Carlos Jobim.



segunda-feira, janeiro 14, 2008

ANOS BISSEXTOS

PORQUE HÁ ANOS BISSEXTOS?

Um ano bissexto é aquele que tem um dia a mais que os anos convencionais, ou seja, 366 dias. Mas poucas pessoas saberão que o tal "dia a mais" resulta da duplicação do 24º dia do mês de Fevereiro. Na verdade, o dia extra serve de sincronismo entre o ano solar e o calendário, uma vez que a terra, para completar o seu movimento de translacção em volta do sol, demora 365,25635 dias. Daí que os tais 0,25, ou seja, um quarto de dia, ao fim de 4 anos dêem origem a uma discrepância de 1 dia em relação ao calendário - razão porque se torna necessária a introdução de mais um dia. No entanto, há ainda necessidade de um outro acerto devido aos 0,00365 dias. Para eliminar esse pequeno erro, convencionou-se que um ano divisível por 100, só é bissexto se for também divisível por 400. Ou seja: os anos bissextos são todos aqueles que são divisíveis por 4 e por 100 , com excepção dos que divisíveis por 100 não o sejam por 400. Confuso?
Exemplificando: 1700, 1800, 1900, 2100, 2200 - não são anos bissextos porque embora divisíveis por 100, não o são por 400; 1600, 2000, 2400 - são anos bissextos porque são divisíveis por 100 e por 400.

RECUANDO NO TEMPO...

O Imperador romano Júlio César, chegado ao poder, deparou-se com uma perfeita anarquia no que dizia respeito à distribuição dos dias pelos meses, já que o ano tinha normalmente 354 dias, havendo necessidade de recorrer à intercalação de um novo mês, de dois em dois anos, para minimizar os desacertos em relação ao ano solar. Para piorar ainda mais as coisas, essas intercalações eram feitas sem qualquer base científica e de acordo com interesses particulares ou políticos, chegando mesmo a verificar-se um adiantamento de três meses em relação ao ciclo das estações do ano.
Numa tentativa de terminar com tal desordem, Júlio César, sustentado por um trabalho efectuado pelo astrónomo Grego Sosígenes, criou o seu próprio calendário, com doze meses e 365 ou 366 dias, e que passou a vigorar a partir do ano 45 a. C. - o calendário Juliano. Voltando à origem do ano bissexto, teremos de recordar a maneira como os romanos contavam os dias, para a entender. Assim, o primeiro dia do mês era designado de Calendae, e os dias que se lhe seguiam eram numerados em função de quantos restavam para o primeiro dia do mês (Calendae) seguinte. Como exemplo, o dia 20 de Fevereiro era designado como sendo 0 décimo dia antes das Calendae de Março (Março era considerado inicialmente o primeiro dia do ano), da mesma forma que o dia 24 era tido como o sexto dia antes das Calendae de Março (ante diem sextum kalendas martias). Júlio César escolheu então o dia 24 de Fevereiro para o duplicar, dando assim origem ao ante diem bis sextum kalendas martias que, na realidade, passaria a ser o dia 25 de Fevereiro, efectuando assim o tal acerto no calendário. Em bom rigor poderíamos dizer que o dia bissexto é o 25º e não o 29º, muito embora acabe por ser este último, o dia inserido "a mais" no calendário gregoriano - este que actualmente nos regula e que foi criado em 1582 pelo papa Gregório XIII, precisamente para corrigir os erros de imprecisão ainda patentes no calendário Juliano que é cerca de 11 minutos e 5 segundos mais longo do que o ano trópico. O ano bissexto tem assim origem no dia bissexto do mês de Fevereiro.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

DA CAIXA DO CORREIO

O GOVERNADOR DO BANCO DE PORTUGAL

O texto que se segue circula por aí...
1) Para quem não saiba quem é Alan Greenspan, fique a saber que é um senhor nascido em Nova Iorque, de origem judaica, que gostava de tocar saxofone na adolescência, que se doutorou com elevadíssimas médias em Economia e que foi nomeado pelo presidente Reagan, em Junho de 1987, "Chairman of the Board of Governors of the Federal Reserve" -- nomeação confirmada pelo Senado dois meses depois.
2) O "Federal Reserve" está para os americanos como o Banco de Portugal está para nós. E por que estou eu com toda esta conversa sobre o Sr. Greenspan?Porque quando ele deixou o lugar, em Janeiro de 2006, auferia anualmente, pelo desempenho daquele alto cargo, a módica quantia de 186.600 dólares norte-americanos por ano -- qualquer coisa como 155.000 euros. O valor dos honorários dos outros membros do Conselho de Administração ("Vice-Chairman" incluído) é de cerca de 150.000 euros.
3) Agora, sabem quanto pagamos ao Governador do Banco de Portugal, um senhor dotado de prodigioso 'crânio', que dá pelo nome de Vítor Constâncio? Não sabem, pois não??? Então pasmem-se: 280.000 euros, leram bem, DUZENTOS E OITENTA MIL EUROS! É claro que uma grande potência como Portugal, que possui o dobro da influência, à escala planetária, dos insignificantes EUA, tinha de pagar muito bem ao patrão do seu Banco, além de todas as incontáveis mordomias que lhe dispensa, tal como aos seus pares daquela instituição pública. Também é claro que a verba do americano é fixada pelo Congresso e JAMAIS – como diria o bronco do Lino -- pelo próprio, ao contrário do que se passa no país dos donos do mundo e dos maiores imbecis que habitam o planeta Terra.
4) O que mais impressiona nestes números é que o homem que é escutado atentamente por todo o mundo financeiro, cuja decisão sobre as taxas de juro nos afecta a todos, ganha menos do que o seu equivalente num país pobre, pequeno, periférico, que apenas uma ínfima parcela desse território presta alguma atenção! Até a reforma do Mira Amaral é superior à do Greenspan!Talvez não fosse má ideia espreitarem o portal do Banco de Portugal e verem quem por lá passou como governador, http://www.bportugal.pt/, cliquem em "história".
5) Por que razão esta escandalosa prática se mantém? Pela divisa do Conselho de Administração do Banco de Portugal que deve ser parecida com algo assim: " Trabalhe um dia, receba uma pensão de reforma vitalícia e dê a vez a outro."
6) Os sucessivos governadores do Banco de Portugal têm muito em comum. Por exemplo, sempre que aparecem em público de rompante é porque vem aí borrasca! -- "Os portugueses vivem acima das suas possibilidades. Há que cortar nos ordenados, há que restringir o crédito!" Proclamam-no sem que a voz lhes trema, mesmo quando se sabe que o actual governador aufere rendimentos que fariam inveja a Alan Greenspan. No fundo, o que eles nos querem dizer é, "Vocês vivem acima das vossas possibilidades, mas nós não!"Têm carradas de razão.
7) As remunerações dos membros do conselho de administração do Banco de Portugal são fixadas, de acordo com a alínea a) do art. 40.º da Lei Orgânica, por uma comissão de vencimentos. E quem foi que Luís Campos e Cunha, o então ministro das Finanças e ex-vice-governador do Banco de Portugal, nomeou para o representar e presidir a essa comissão? O ex-governador Miguel Beleza, o qual, como adiante se verá, e caso o regime da aposentação dos membros do conselho de administração também lhe seja aplicável como ex-governador do Banco, poderá beneficiar dos aumentos aprovados para os membros do conselho de administração no activo. Uma seita a que o comum dos portugueses não tem acesso e sobre a qual lhe está vedada toda e qualquer informação, filtradas que são todas as que não interessa divulgar pelos meios da subserviente comunicação social que temos.
8) Mas tão relevantes como os rendimentos que auferem, são as condições proporcionadas pelo Banco de Portugal no que respeita à aposentação e protecção social dos membros do conselho de administração.
9) O regime de reforma dos administradores do Banco de Portugal foi alterado em 1997, para "acabar com algumas regalias excessivas actualmente existentes." Ainda assim, não se pode dizer que os membros do conselho de administração tenham razões de queixa.Com efeito, logo no n.º 1 do ponto 3.º (com a epígrafe "Tempo a contar") das Normas sobre Pensões de Reforma do Conselho de Administração do Banco de Portugal se estabelece que, "O tempo mínimo a fundear pelo Banco de Portugal junto do respectivo Fundo de Pensões, será o correspondente ao mandato (cinco anos), independentemente da cessação de funções."
10) Que significa isto? Um membro do conselho de administração toma posse num belo dia e, se nessa tarde lhe apetecer rescindir o contrato, tem a garantia de uma pensão de reforma vitalícia, porque o Banco se compromete a "fundear" o Fundo de Pensões pelo "tempo mínimo (?) correspondente ao mandato (cinco anos)". (Ver "divisa" no parágrafo 5).
11) Acresce que houve o cuidado de não permitir interpretações dúbias que pudessem vir a prejudicar um qualquer membro do conselho de administração que, "a qualquer título", possa cessar funções. O n.º 1 do ponto 4.º das Normas sobre Pensões de Reforma dissipa quaisquer dúvidas: "O Banco de Portugal, através do seu Fundo de Pensões, garantirá uma pensão de reforma correspondente ao período mínimo de cinco anos, ainda que o M.C.A. [membro do conselho de administração] cesse funções, a qualquer título."
12) Quem arquitectou as Normas sobre Pensões de Reforma pensou em tudo?
Pensou, até na degradação do valor das pensões. É assim que o n.º 1 do ponto 6.º estabelece por sua vez: "As pensões de reforma serão actualizadas, a cem por cento, na base da evolução das retribuições dos futuros conselhos de administração, sem prejuízo dos direitos adquiridos."

13) E o esquema foi tão bem montado que as Normas sobre Pensões de Reforma não deixam de prever a possibilidade de o membro do conselho de administração se considerar ainda válido para agarrar uma outra qualquer oportunidade de trabalho que se lhe depare. Para tanto, temos o ponto 7.º, com a epígrafe "Cumulação de pensões", que prevê: "Obtida uma pensão de reforma do banco de Portugal, o M.C.A. [membro do conselho de administração] poderá obter nova pensão da C.G.A. ou de outro qualquer regime, cumulável com a primeira (!)."
14) Mas há mais. O ponto 8.º dispõe que o "M.C.A. [membro do conselho de administração] em situação de reforma gozará de todas as regalias sociais concedidas aos M.C.A. e aos empregados do Banco, devendo a sua pensão de reforma vir a beneficiar de todas as vantagens que àqueles venham a ser atribuídas."
15) Não restam dúvidas de que fez um excelente trabalho quem elaborou as Normas sobre Pensões de Reforma do Conselho de Administração do Banco de Portugal. Pena é que não tenha igualmente colaborado na elaboração do Código do IRS, de modo a compatibilizar ambos os instrumentos legais. Não tendo acontecido assim, há aquela maçada de as contribuições do Banco de Portugal para o Fundo de Pensões poderem ser consideradas, "direitos adquiridos e individualizados dos respectivos beneficiários" e, neste caso, sujeitas a IRS, nos termos do art. 2.º, n.º 3, alínea b), n.º 3, do referido código. No melhor pano cai a nódoa.
Percebe-se assim, mais uma vez, porque é que pagamos os impostos que pagamos.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

BARCLAY JAMES HARVEST

Alguém se lembra ainda?

quarta-feira, janeiro 09, 2008

A PASSO DE CARACOL

Começa a ser difícil de entender o que é que esta gente pretende. Veja-se [Aqui] o que está na forja.
Portugal começa a ter, efectivamente, uma imagem de marca: Pioneiro da estupidez.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

QUE MAIS VIRÁ A SEGUIR?

Começam por aí a circular rumores de que os bancos se preparam para cobrar 1,50 euros por cada levantamento efectuado nas caixas ATM.

Diz-se que, cada vez que levantarmos o nosso dinheiro utilizando o vulgar cartão Multibanco, estaremos a pagar o almoço aos funcionários do banco que já usa o nosso dinheiro para ganhar mais dinheiro.

Claro que a confirmar-se este facto, os bancos aumentarão brutalmente os seus lucros, à nossa custa.
A ser verdade, estaremos perante uma nova e vergonhosa forma de extorsão, simplesmente deplorável.
Pelo sim, pelo não, está disponível, já, uma petição on line como forma de protesto, aqui: http://www.PetitionOnline.com/bancatms/ e que leva já 137.500 assinaturas.
Que mais virá a seguir?

sexta-feira, janeiro 04, 2008

SERÁ NECESSÁRIO FAZER UM DESENHO?

Esta coisa do Plano de Actividades e Orçamento da CME para 2008, tem dado muito que falar - e ainda bem - porque estes documentos, pela importância que têm para as freguesias, deveriam ser discutidos publicamente e, acima de tudo, terem uma execução muito próxima dos 100%, o que está muito longe de acontecer. Pena é que a discussão aconteça depois de tudo estar consumado. No entanto, vale sempre a pena a discussão, quando ela mesma é séria, mas isso só é possível quando se parte de pressupostos sérios. Pena é que uns se percam a discutir o sexo dos anjos, rebuscando argumentos que mais não servem do que para enlamear cada vez mais o caminho em que se meteram. Sim, porque a realidade é nua e crua e não há argumentos que a escondam. As palavras doces não disfarçam a frieza dos números.

1- ÉTICA - Tecer aqui considerações - essencialmente pejorativas - acerca de pessoas que por aqui não passam, denota uma falta de ética com a qual me não identifico. Falei aqui da atitude do Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Canelas, só depois de com ele ter trocado ideias numa, ainda que breve, análise ao Plano de Actividades e Orçamento da CME para o corrente ano.
A forma como se está a querer "crucificar" o Presidente da Junta de Freguesia de Canelas porque, pelo menos uma vez, ousou enfrentar aqueles que lhe/nos estendem os carris, é demasiado baixa - ignóbil mesmo - mas quero deixar claro que, sempre que esteja em causa a defesa dos interesses desta terra e dos seus habitantes, estarei na primeira linha com ele - como cidadão anónimo e como presidente da Assembleia de Freguesia, porque fui eleito, como aqui diz o Zé Cláudio, pelas listas do PSD/CDS, embora como independente. E isso dá-me inclusivamente mais direito e legitimidade para mostrar o meu descontentamento, que tem já uma coloração a indignação.
Já por aqui referi também que, antes de mais, penso por mim e não sirvo para transmitir recados de quem quer que seja. Não tenho que obedecer a qualquer doentia disciplina partidária, nem almejo ou me reconheço com qualquer capacidade para enveredar por uma tranquilizante e compensadora carreira política. Procurarei chegar ao fim deste 2º mandato, se tiver condições para tal, sem me desviar do objectivo com que me apresentei aos eleitores: procurar cumprir com isenção e rigor o papel que me for (foi) confiado, sempre com a finalidade de zelar pelos interesses dos Canelenses.

2 - CORRIDA - Espanta-me que a questão do Plano de Actividades e Orçamento da CME, esteja aqui a colocar-se como uma espécie de corrida entre Canelas e Fermelã, como se esta última fosse a grande vencedora. E acabo por dar comigo a lamentar esta pobreza de espírito... ou talvez, este desespero de causa, como se a realidade dos nossos vizinhos Ferrmelanenses se afigurasse como diferente; como se por lá os 364,37 euros que se prevêem investir per capita, resolvessem algum dos problemas estruturais dessas gentes.
Devo dizer aqui que não vejo o diferencial entre ambas as freguesias, inscrito no Orçamento/2008 como qualquer vitória, e muito menos pessoal, do Presidente da Junta de Freguesia de Fermelã - com todo o respeito e admiração que por ele tenho - nem me parece bem querer transformá-lo num doutorado da política, por forma a que possa dar cursos de como se rapam mais uns euros ao Orçamento da Câmara. O problema deste, como de outros Orçamentos não passa por aí, senão teríamos o assunto resolvido. Bastaria que o amigo Sílvio se dispusesse a dar os tais cursos - de como se rapam mais uns cobres do Orçamento Geral do Estado - aos senhores Presidentes das Câmaras, que tanto se queixam dos cortes...
Espero conseguir dizer no ponto seguinte onde, no meu simples entendimento, se situa o verdadeiro problema.

3- DESIGUALDADES - Esta coisa do "Investimento per capita" que o Zé Matos gosta de analisar, vem mesmo a calhar.
Tal como tenho referido, a freguesia de Canelas continua fora dos planos dos investimentos da CME. O amigo Zé , com a responsabilidade que tem nestes assuntos, e que de quando em vez faz questão de lembrar, acaba por confirmar isso mesmo, infelizmente. E digo infelizmente, porque gostaria de ver comprovado o contrário do que tenho dito, a bem desta freguesia e do povo que a habita.
Dos 92,63 euros de investimento, per capita, previstos para Veiros, aos 369,68 previstos para Avanca... vai efectivamente uma diferença abismal. Na análise que o Zé faz acerca deste assunto, acaba por dizer que ninguém estará disposto a abdicar da sua fatia em proveito dos outros. Pois... mas esta é apenas mais uma forma de colocar a questão da maneira que ela se não põe. É, como diz o povo na sua sabedoria milenar, querer tapar o sol com a peneira.
Parece-me que a responsabilidade é de quem divide o bolo, ou não?
A questão é que, ao contrário do que tantas vezes se apregoa, as freguesias e os cidadãos do concelho são tratados de uma forma desigual, e isso está bem reflectido no quadro que o Zé Matos tomou por base para a sua análise, e que serviu para ele próprio se vangloriar pelo facto de Fermelã ser a 3ª freguesia com maior investimento per capita.
E aqui, devo dizer ao Zé que não comungamos das mesmas ideias, pois eu envergonhar-me-ia se tivesse qualquer responsabilidade nos números que ali estão.

4- JUSTIÇA Parece-me óbvia a diferença entre ambos os quadros. O primeiro denota uma repartição do Orçamento com as desigualdades que o caracterizam, enquanto o segundo - mais bonito e a cores - mostra o que poderia ser o mesmo Orçamento, numa perspectiva justa e equilibrada onde todos os munícipes, ou se quisermos, todas as freguesias, são tratados em pé de igualdade. Mas, claro, isto é a minha perspectiva, sem objectivos eleitoralistas ou outros que não o de servir a população do concelho. E, se assim fosse, nada haveria a dizer. Far-se-ia em cada freguesia o que possível fosse com as verbas disponíveis.
Voltando a olhar para o primeiro quadro, verifica-se que se vão fazer obras numas freguesias com o dinheiro das outras e a isto chamo eu, muito claramente, um roubo!

CONCLUSÃO - De nada adiantam as comparações com o passado. Bem sabemos que isso faz parte dos discursos vazios dos políticos de hoje, quando não têm a coragem de assumir os actos que praticam - basta assistirmos a uma qualquer sessão da Assembleia da República para darmos connosco próprios a pensar que a culpa de tudo isto é, afinal, do Afonso Henriques.
De nada adianta, também, culpabilizar o partido A ou B - não são os partidos que fazem ou deixam obra, são as pessoas. Essa é, aliás, a forma mais fácil e imediata de desresponsabilizar os culpados pelo estado de coisas em que está o país. E depois, já não se consegue perceber muito bem se são os partidos que escolhem as pessoas ou se são as pessoas que se servem dos partidos para chegarem onde pretendem.
De nada adianta, ainda, tentar encontrar justificações esfarrapadas para as injustiças orçamentais do concelho, nem atirar a responsabilidade destas para o exterior. É à Câmara que compete a distribuição do "bolo", bem como a obrigação de o fazer de uma forma o mais justa possível.
A seriedade é um valor que me foi transmitido, que cultivo e espero poder manter até ao fim dos meus dias. A seriedade para comigo, para com a sociedade em que me insiro e muito particularmente para com as gentes da minha terra, enquanto no exercício de um cargo paro o qual fui eleito.
Não pretendo, de forma alguma, voltar a trazer aqui este assunto porque me parece que nada mais de importante há a acrescentar, e começam a avistar-se argumentos que nada têm a ver com o mesmo, e que só servem para empobrecer a discussão, tornando-a numa infantil lavagem de roupa suja. Apenas quero dizer que a realidade aqui traçada e que me parece de uma clara evidência, é vivida na primeira pessoa e isso, por vezes, faz a diferença.
Quanto às taxas de execuções orçamentais que, o Zé aqui fala no seu ponto nº 5, apenas um comentário: ninguém espera que elas se situem nos 100%, mas aqui, nesta freguesia, em termos de obras realizadas, o zero fica muito, mas muito mais próximo que o 100.
Deixemo-nos de demagogias baratas e enfrentemos a realidade que está à vista de todos. E, se dúvidas houverem, deixo um desafio: passem os olhos pelos Boletins Informativos da CME (Município de Estarreja) e encontrem lá as referências às obras realizadas em Canelas. A questão é que Canelas não tem qualquer peso eleitoral. Há que não ter medo de o dizer e de o assumir!
Por aqui me fico, com o respeito que todos me merecem, mas entristece-me que alguém se possa sentir satisfeito com este estado de coisas, traduzidas em desigualdades, injustiças e desrespeito generalizado, apregoando uma vitória que não existe mas, a existir, seria à custa do empobrecimento dos outros. Serão, provavelmente, formas de estar na vida com as quais me não identifico.
Uma última nota para sublinhar, uma vez mais, o meu total apoio ao Presidente da Junta de Freguesia de Canelas pela sua intervenção a respeito deste assunto, que só peca por tardia.