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sábado, dezembro 01, 2007

A CARTA EDUCATIVA

" A Carta Educativa é, a nível municipal, o instrumento de planeamento e ordenamento prospectivo de edifícios e equipamentos educativos a localizar no concelho, de acordo com as ofertas de educação e formação que seja necessário satisfazer, tendo em vista a melhor utilização dos recursos educativos, no quadro do desenvolvimento demográfico e socio-económico de cada município".

In http://www.cm-estarreja.pt/main/carta_educativa.php



Feita por encomenda, a Carta Educativa do concelho de Estarreja espelha, claramente, a política despesista, sem nexo e de aniquilação dos pequenos aglomerados populacionais.

Senão vejamos:

- O concelho de Estarreja tem presentemente um parque escolar de bom nível e que foi alvo de substanciais beneficiações nos últimos anos;

- Todas as sete freguesias têm igualmente os seus equipamentos, por forma a que as suas crianças tenham, a curta distância, as infraestruturas necessárias ao seu desenvolvimento intelectual;

- A concentração de todo o ensino em três escolas, estratégicamente acomodadas nas maiores freguesias, apenas beneficia e ajuda a desenvolver cultural e economicamente os maiores centros populacionais;

- Os custos inerentes à aplicação da Carta Educativa, serão astronómicos para a realidade do concelho que há muito se arrasta com dificuldades económicas, como aliás a maioria das câmaras do país;


O longo texto da Carta Educativa , para quem tiver a paciência suficiente para ler 136 páginas, mostra, com alguma facilidade, que as condições existentes são boas e os equipamentos suficientes e em bom estado.

Técnica e economicamente nada parece justificar que se avance para esta perfeita loucura. Será então uma questão política, como tantas outras.

E aqui está o fulcro da questão: é que o que está na moda, é fazer brilharetes à custa da aniquilação dos mais pequenos. Por isso se fecham as urgências dos hospitais mais pequenos, os centros de assistência médica das pequenas localidades, as escolas, os postos de atendimento dos Correios, e por aí fora. Tudo isto faz parte de uma política que, no lugar de criar melhores condições de vida, entretém-se a construir barreiras e distâncias.

Houve um tempo em que se levantavam todas as infraestruturas necessárias à vida normal de uma população, por mais pequena que fosse. Era um orgulho para uma terra ter a sua escola, o seu posto médico, a sua igreja, a sua creche, as sedes das suas colectividades, etc.

Hoje, a memória desses homens, desses grandes homens que se esforçaram pela construção de inúmeras infraestruturas por este país fora, é barbaramente desrespeitada por quem não tem qualquer orientação que não a sua própria. O caminho mais fácil para os políticos de hoje é fechar aqui e ali, por falta de competência e ideias para rentabilizar o que há e que ao longo dos tempos foi construído com esforço e sem os dinheiros fáceis da europa. Intocáveis permanecem os seus altos salários e as suas mordomias inclassificáveis.

A Carta Educativa de Estarreja é, na realidade, mais um duro golpe com vista ao asfixiamento progressivo das pequenas freguesias do concelho, porque além de dificultar a vida a alunos e pais, desactiva uma parte substancial do trabalho desenvolvido pelas IPSS, que actualmente desenvolvem meritórios serviços em benefício da sociedade.
E isto não é demagogia, está à vista de todos!

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