Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

VEMO-NOS EM 2008

O último post do ano: uma música calma para uma passagem tranquila para 2008.

FELICIDADES PARA TODOS!

sexta-feira, dezembro 28, 2007

SABER FAZER CONTAS


Habituado a responder aos desafios, eis-me aqui novamente a falar de um assunto sobre o qual tinha já decidido não escrever, pois tive oportunidade de transmitir pessoalmente ao Sr. Presidente da Junta de Freguesia desta terra, as minhas felicitações pelo teor da sua intervenção na última sessão da Assembleia Municipal de Estarreja, bem como pela sua abstenção na votação do Plano de Actividades do Município para o próximo ano. No que a Canelas diz respeito, que consta no documento, ou melhor, o que não consta, justificaria o voto contra, mas aceita-se a abstenção.

Posto isto, e lançado o repto pelo José Matos [aqui], impõe-se-lhe uma resposta.
Antes de mais, importa saber fazer contas. Não serei eu um ás nessa Ciência exacta que dizem ser a Matemática, mas saberei provavelmente o suficiente para esclarecer alguns aspectos ou, se quiserem, o suficiente para pôr os pontos nos ii.
Diz o autor do Terra Nostra, que consta no Plano de Actividades e Orçamento (PA) da CME, um investimento de 277 mil euros para a freguesia de Canelas. Mas isso não é verdade. E então vou explicar ao amigo Zé Matos que a esses 277 mil, que efectivamente lá constam para 2008, há que retirar o seguinte:
- 2.500 euros para a elaboração do Projecto de Electrificação da Variante Sul - pois consta do Plano de Actividades e Orçamento para 2007 devendo ter tido início em Janeiro /2007 e sido concluído em Outubro/2007;
- 5.000 euros para elaboração do Projecto de Electrificação da rua do Picoto Sul com ligação à rua do Espinhal Norte - à semelhança do anterior deveria ter iniciado em Fev/07 e sido concluido em Maio/07;
- 75.500 euros para o alargamento da rua do Corgo que, tal como as anteriores, constava do Plano para 2007 devendo ter sido iniciada em Março/07 e concluída em Dezembro - começou em Dezembro 07;
- 45.000 euros para a beneficiação da rua Vale do Picoto. Deveria ter sido iniciada em Junho/07 e concluída em Dezembro;
- 2.500 euros para o projecto do Largo do novo Cemitério - estava no PA para 2007 devendo ter sido concluído em Dezembro 07;
- 2.500 euros para o projecto do Centro Cívico - constava já em 2007 devendo ter início em Fevereiro.
Importa dizer também que todas estas verbas, que no total ascendem a 133.000 euros, apareciam como financiamento definido para o ano 2007.
Ora bem, nesta altura, podem tirar-se já duas conclusões: a primeira, é que nenhuma das obras, inscritas no PA da CME para a freguesia de Canelas, foi realizada, com excepção da rua do Corgo que se encontra em andamento; a segunda é que os 133 mil euros não foram gastos aqui em Canelas, tal como devia ter acontecido.
Assim, é ilusório dizer-se que se vai aqui gastar mais 277 mil euros, quando 133 mil vêm do Orçamento de 2007 e não foram utilizados. Ficamos então a saber que, do novo Orçamento da CME, o que nos cabe são apenas 144.000 euros, isto contando que as obras venham a ser realizadas, claro!
As contas são estas. E, se imaginarmos que o orçamento para o Carnaval de Estarreja de 2008 é de 165 mil euros... está quase tudo dito.
Quase, porque falta ainda dizer que as obras que a CME teima em inscrever, ano após ano, no seu PA, não são as obras entendidas por prioritárias para os Canelenses.
E, como o Zé diz que está aberto a sugestões - perdoe-me o amigo, mas por momentos, cheguei a pensar que se assumia como elo de ligação entre o povo e a Câmara - aqui vão algumas:
- De nada nos serve o arranjo da zona do Ribeiro quando nada mais teremos para oferecer. Preferíamos a beneficiação dos caminhos que ladeiam o esteiro desde o Ribeiro até ao Porto, pelo menos, criando-se assim, condições para bons passeios de bicicleta ou a pé, através de uma zona magnífica dos campos do Baixo Vouga;
- A aposta num percurso Bioria que, sem desprimor para Salreu, tem condições de excelência nesta freguesia;
- O redefinição e arranjo do largo Campo da Cruz, criando condições para a dinamização desse espaço;
- A resolução do problema do estacionamento na rua Campo da Cruz;
- A ligação a Albergaria-a-Velha, cujo projecto deveria ter sido elaborado no corrente ano (tinha um financiamento definido para 2007 de 20.000 euros) e em cuja execução se previa gastar em 2008 e 2009, 425.000 euros;
- A conclusão das obras do saneamento - há ainda algumas ruas e vielas que não têm saneamento;
- A aplicação da Postura de Trânsito e consequente sinalização das ruas;
- A reparação de diversos caminhos agrícolas ou a cedência de meios para tal;
- A beneficiação da rua Vale do Picoto, uma vez mais adiada para o próximo ano;
- O alargamento e beneficiação do caminho existente no limite da freguesia que se configura como a mais natural variante a sul, tal como já foi proposto.
- A revisão urgente do PDM e a redefinição de novas zonas de construção - anteriormente o obstáculo era a definição do traçado da A29 ...
Fica ainda discutível a utilidade da construção de um novo Centro Cívico da freguesia, a sul, sendo certo que ele nunca deixará de ser o Campo da Cruz.

Talvez não seja necessário esse tal Plano Estratégico, que afinal parece não existir em lado algum, para que se faça alguma coisa por estes lados. Bastar-nos-ia que nos ouvissem, que percebessem aquilo que temos como prioritário e que não se fosse adiando, ano atrás de ano, o cumprimento dos Planos de Actividades, mesmo que eles não espelhem os anseios directos dos Canelenses.
Talvez agora se perceba o que motivou o Sr. presidente da Junta de Freguesia a ter aquela intervenção, e fica também o esclarecimento ao amigo Zé Matos acerca do (in)cumprimento dos Planos de Actividades da CME, bem como daqueles números que se inscrevem no Orçamento e que não passam disso mesmo - números - e ainda do que pretendem os Canelenses, que até nem são muito ambiciosos...
Queria que batêssemos palmas???

O FIM

Apenas o link para ler com calma... [aqui].
Seguem-se Estarreja e o Fundão.

Quando é que o povo vai dizer: BASTA!!!???

quinta-feira, dezembro 27, 2007

A REEDIÇÃO DO FILME

Em 16 de Setembro de 2006 foi em Canelas. Agora, aqui, em Águeda. O filme é sempre o mesmo, embora por vezes mudem os actores.
O desfecho é, também ele, sempre igual, ou seja: a impunidade daqueles que praticam tais atentados.
Volvidos um ano e três meses, o que se passou no Esteiro de Canelas continua no segredo dos deuses - o mesmo que acontecerá com mais este novo caso.
Haverá muita gente interessada em que neste, como em tantos outros casos, quanto menos se falar, melhor. É sabido que o tempo tudo apaga.
Tudo, ou quase, porque nem todos se esquecem...

segunda-feira, dezembro 24, 2007

PRIMEIRO NATAL

Miríades de estrelas cintilavam
Sobre um pavor de intensa escuridade
Com cavernas de monstros e fantasmas.

Já dera meia-noite, ou ia dando,
E recostavam-se os pastor's no campo,
Tão rodeados de ovelhinhas mansas.

E ouviu-se um coro de Anjos, nas alturas:
- Glória nos Céus, e paz às criaturas!

Miríades de estrelas cintilavam.
Já dera meia-noite, ou ia dando.

Reinaldo Matos, P.e

domingo, dezembro 23, 2007

O Natal e os natais

Apenas a dois pequenos passos do Natal, dou comigo a pensar no que celebram aqueles para quem o Natal não existe. Sim, porque quando celebramos o natal de alguém - aquilo a que nos habituámos a designar por festa de aniversário - fazemo-lo porque estimamos a pessoa em questão e queremos lembrar o seu nascimento, partilhando essa alegria com familiares e amigos que se associem à festa.
Afinal, parece não existir ninguém que não se refira ao Natal entendendo-o como uma data especial, mesmo aqueles que o não relacionam com o nascimento de Jesus Cristo. Mesmo esses aproveitam o feriado, reúnem a família, trocam prendas, etc. E é aqui que reside o contra-censo: todos queremos organizar e viver a nossa festa de Natal sem nos lembrarmos do verdadeiro motivo para que ela exista. É por isso que entendo que a maior parte das vezes se deveria escrever "natal" em vez de "Natal". Uma simples letra faz aqui toda a diferença, porque o Natal é uma coisa e os natais são outra. O mundo encontrou assim uma forma de banalizar o Natal, bastando-lhe para isso mudar apenas uma letra.
Penso ser pacífico que uma festa de aniversário de uma pessoa de família ou de um amigo, só faz sentido se toda ela se desenrolar à sua volta, em sua homenagem e na data respectiva.
O Natal que devemos celebrar a 25 de Dezembro, está até já desajustado no tempo. Começa em Outubro porque a ânsia de vender, vender, vender obriga a que assim seja.
Mas o Natal é simplicidade, tal como era simples o presépio de há dois mil anos; é alegria, pela ligação visível entre Deus e os homens; é troca de presentes, tal como o fizeram os reis do Oriente; mas é sobretudo a aceitação de que Jesus nasceu e é por isso que devemos fazer festa.

Bom Natal para todos.

sábado, dezembro 22, 2007

Desde que passei os olhos pelo Vela Latina [aqui] e pelo Terra Nostra [aqui], que tenho dado comigo a pensar se este assunto merece da minha parte mais algum comentário. Depois destas doutas opiniões com mais vontade fico em reafirmar tudo o que já escrevi sobre este assunto.

O direito a pensar de forma diferente, tenho-o concerteza, da mesma forma que o facto de fazer parte de um órgão autárquico, como antes o disse, não me retira a capacidade de pensar por mim próprio.

A discussão pública do assunto, pode até ter sido feita nos termos legais, pode ter sido publicitada no Jornal de Estarreja, pode inclusivamente ter tido a concordância dos agrupamentos de escolas. Não deixará, no entanto, de encerrar em si uma grave lacuna: a não auscultação propositada das populações mais afectadas. E até seria fácil. Todas as freguesias têm a sua Junta e a sua Associação de pais. E são estes - os pais - que deveriam ser ouvidos porque as alterações a introduzir os vão afectar directamente. E não me falem em gestão rigorosa dos dinheiros como forma de justificar a sustentabilidade da Carta. Nem em demonizações da nova escola. Nem nas dificuldades de manter uma escola por freguesia. Nem em falta de espaço. Nem que o princípio de uma escola por freguesia é própria do Estado Novo. Nem na falta de condições das escolas actuais. Nem na inevitabilidade deste processo. Nem em muitas outras coisas. Digam-me que se trata de uma decisão política da Câmara Municipal de Estarreja, com objectivos definidos a curto ou médio prazo e, continuarei a discordar mas entenderei.
O que me custa a entender são os benefícios que daí advêm para os alunos e para o futuro das mais pequenas freguesias. Dizer que a população continuará a escolher Estarreja, Albergaria ou Aveiro, é admitir que nada tem sido feito para inverter essa situação.
Dizer que as escolas de hoje não têm condições para a prática do ensino levar-nos-ia a questionar porque é que se tem gasto tanto dinheiro nas suas recuperações.


quarta-feira, dezembro 19, 2007

OS SALTEADORES

Teixeira dos Santos disse, no passado mês de Novembro, que "se não houvesse fuga ao fisco nem fraude fiscal, os contribuintes podiam pagar menos 38% de IRS e menos 25% de IVA."
Entende-se assim que o estado se mostra incapaz de obrigar os que não pagam, a fazê-lo e, mais grave ainda, que obriga os cidadãos cumpridores a pagar pelos que o não fazem e, sem qualquer pejo, o assume publicamente.
Nem mais! Aí está um claro incentivo à fuga aos impostos, que se pratica com uma impunidade angelical, e a prova provada de que o crime compensa.
A par disso, o roubo que o governo pratica ao obrigar os cidadãos honestos a pagar mais 63% de impostos, é um crime que deveria ser punido.
A apatia estupidificada com que o povo assiste a tudo isto é deveras preocupante. Raramente se vêem manifestações de desagrado ou vozes discordantes. Enquanto isso quem nos desgoverna, vai-se governando!

O DISCURSO


... MUITO PREGA FREI TOMÁS!

Quase a terminar a presidência portuguesa da CEE, o Engº Sócrates não resistiu, mais uma vez, ao auto-elogio espampanante e ridículo.
Mandam as regras do bom senso que sejam os outros a avaliar o nosso trabalho mas, como ninguém assim o entendeu, o nosso primeiro ministro lá fez questão de lembrar (pelos vistos às moscas da sala) que após a presidência portuguesa, a europa jamais será a mesma!
Enfim, demagogias baratas de um bem falante que cada vez menos gente leva a sério.
A maioria confortável que detém internamente, permite-lhe "cantar de galo", mas seria bom que percebesse que o país não se desenvolve com cantigas de embalar e que a europa não vai em contos de fadas, como ficou provado pelo desprezo a que foi votado durante o discurso.
Em termos práticos, e apesar de toda a gabarolice das enormes vitórias alcançadas pelo governo português, tudo continuará mais na mesma: os grandes serão cada vez maiores e os pequenos cada vez menores. De nada adianta tentar enganar o povo, muito embora uma grande parte dele goste de, estupidamente, se deixar levar por estas parolices.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

MODERNIDADES

Se gosta de beber um café numa chávena bem quente, fique a saber que a partir do próximo ano tal não será possível. Especulação ou verdade?
A ser verdade, as novas medidas impostas pela ASAE obrigam, por exemplo, a que as chávenas de porcelana sejam substituídas por plástico. Mas esta é apenas uma das muitas medidas que poderão alterar os hábitos dos portugueses, com particular incidência dos profissionais da restauração.
Mas, se é certo que muito há a corrigir no âmbito da higiene e saúde alimentar, depois de lido todo o rol das alterações, que circula pela net, fica-se com a ideia de que se está a cair num exagero desmedido e sem motivo.
E é essencialmente por isso que, da mesma forma, são cada vez menos os que acreditam que tais medidas venham a ser implementadas ou que estejam embuidas que qualquer fundamento. Tanto mais que no site da ASAE não há qualquer referência às mesmas.
De qualquer forma foi lançada uma Petição on line contra essas novas medidas, que vai já a caminho de 11800 assinaturas.
Como diz o povo... mais vale prevenir que remediar!

MAIS UMA!

Mais uma medida de excelência do governo: em 2008 entrará em vigor uma nova fórmula de remuneração dos médicos dos hospitais públicos, que passarão a ser pagos em função da sua produtividade. Em termos práticos, quantas mais consultas ou cirurgias um profissional de saúde realizar, mais ganha.
Esta não lembrava ao diabo! Está-se mesmo a ver que vai ser um vê se te avias.
Sem dúvida que esta medida muito contribuirá para acabar com as listas de espera, conforme prometeu o Engenheiro. Do hospital para o cemitério.
Sem por em causa a ética profissional dos bons médicos, que os há, a medida não deixará de ser uma forma descarada de proteger e beneficiar os maus profissionais, que também os há. Premeia-se a quantidade em vez da qualidade.
Aqueles que efectuarem consultas de 5 minutos ganharão muito mais do que os que demorarem meia hora para efectuar um diagnóstico. Não será isto demasiado perigoso numa área tão sensível como a da saúde?

sexta-feira, dezembro 14, 2007

O PROBLEMA DA IMAGEM

O governo decidiu lavar a cara ao país. Ou melhor, pegou em três milhões de euros, contratou um fotógrafo Inglês, e aí vai disto. Em breve, pela europa, Cristiano Ronaldo, Mariza, José Mourinho, Vanessa Fernandes e outros (os verdadeiros artistas), gritarão que Portugal é um paraíso, que os nossos produtos são os melhores, que o sol é mais quente no Algarve, etc, etc.
Três milhões para armar o jogo da mentira.
Não será necessário nada para se falar das listas de espera dos hospitais; dos meses ou anos que medeiam entre a marcação de uma consulta pela Caixa ou uma intervenção cirúrgica, e a sua realização; dos que se têm de levantar às 4 da manhã para conseguir uma consulta num qualquer posto médico; dos encerramentos das urgências, dos postos dos Correios e escolas; dos milhares de famílias que sobrevivem com o salário mínimo; dos milhares de desempregados; do aumento da insegurança; do emprego precário; do que se passou (e parece que passa) na Casa Pia, em Felgueiras e no Futebol; dos perdões fiscais; e por aí adiante.
Não será necessário gastar dinheiro para mostrar a realidade do país, mas é necessário gastar muito para tentar esconder essa realidade. E é isso que o governo quer fazer: mentir!


quarta-feira, dezembro 12, 2007

INAUGURAÇÃO

Foram ontem dadas por concluídas as obras de beneficiação dos apeadeiros de Canelas e de Salreu.
Depois de um período difícil em que se pretendeu encerrar ambos os apeadeiros, em troca pela construção de um único entre as duas freguesias, a CP acabou por aceitar as razões apontadas pela Comissão de Utentes do Apeadeiro e responsáveis autárquicos e decidiu manter as duas estruturas em funcionamento.
O projecto para o de Canelas, comportava a recuperação do edifício, a construção de uma passagem superior, a implantação de elevadores, o arranjo da zona envolvente e a criação de um interface rodoviário.
Espera-se que este último seja em breve também uma realidade, pois sabe-se da sua importância, sobretudo para os alunos da Universidade da Covilhã, que presentemente têm de apanhar o autocarro em Albergaria.
Espera-se igualmente que todos saibam respeitar o edifício e os equipamentos que foram colocados.
Pelas 10 horas da manhã acontecerá uma viagem simbólica entre Salreu e Canelas, para assinalar oficialmente o termo das obras. Seria justo que estivessem presentes todos os que contribuiram para a realização destes importantes melhoramentos, sem esquecer muito particularmente, todos os que trabalharam na construção dos mesmos e que, na hora das inaugurações, são sempre esquecidos.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

CARTA EDUCATIVA - 3

Quando aqui trouxe o assunto da Carta Educativa do concelho de Estarreja, fi-lo após a leitura das suas longas 136 páginas, onde se faz a caracterização do concelho, sob uma perspectiva que visa justificar a decisão de encerrar as escolas de Canelas, Fermelã e Veiros. E, por mim, o assunto estaria já encerrado não fosse o caso de o amogo , insistir e embirrar comigo acerca deste assunto.
Respeito a sua maneira de ver, entender e opinar sobre a matéria, mas tenho de reafirmar que não concordo.
À clarividencia que o Zé Matos diz ter acerca do que deve ser uma escola moderna (com salas bem equipadas, com um ginásio, com espaço polivalente coberto, com uma sala para professores e outra para recepção dos pais, com cantina, e instalações sanitárias adequadas), eu acrescentaria que uma escola moderna deve ter os professores colocados a tempo e horas, deve ter o pessoal auxiliar necessário e igualmente colocado no início do ano escolar, deve ter um calendário de actividades extra-curriculares adequado, deve ter monitores suficientes para as mesmas actividades, deve estar o mais próximo da área de residência dos alunos, deve ter a menor variação possível entre as faixas etárias, deve oferecer as melhores condições de segurança, deve estabelecer claramente as regras de respeito entre alunos e professores e vice-versa e, sobretudo, deve estar ao serviço da população. Assim sendo, tudo seria diferente.
A escola de Canelas, como a maioria das escolas do concelho, foi alvo de substanciais melhorias há bem pouco tempo.
As salas foras pintadas; as madeiras das janelas e portas foram substituídas por alumínio; a luminosidade aumentou grandemente devido à superfície vidrada que é agora maior; a vedação foi totalmente substituída; a instalação eléctrica idem; os quartos de banho reparados; as paredes exteriores pintadas e em todas as salas instalados aparelhos de aquecimento. A escola tem uma cantina onde são servidas diáriamente as refeições e está a ser construída uma nova sala e um quarto de banho para crianças com alguma deficiência física. A área atrás da escola, presentemente sem qualquer utilização, poderia ser reaproveitada para construção de uma cozinha de apoio à cantina e para a construção de mais duas ou três salas (as tais para os professores e pais). A insistente obsessão pelo ginásio é também uma falsa questão que só pode ser colocada por quem não conhece a realidade.
O pavilhão e todo o complexo desportivo do Arsenal colmatam perfeitamente essa lacuna, tal como foi anteriormente feito. Tudo passa pelo diálogo e pelo ajustamente de horários, uma vez que se sabe que é depois das 18h00 que o Pavilhão está ocupado.
Como vê o amigo Zé, não tenho qualquer solução mágica, nem ela é necesária, pois considero a escola de Canelas, suficientemente moderna para desempenhar, e bem, o papel que lhe está destinado, oferecendo aos alunos condições muito satisfatórias. Mas, devo dizer-lhe ainda que, a ser necessário deitá-la abaixo para construir uma nova, continuo a acreditar que é aqui, junto da população mais nova, mais frágil, que ela é necessária. Deslocalizar crianças de 6 anos e misturá-los com jovens de 16, faz-me lembrar os países do terceiro mundo, mas esses, infelizmente não têm recursos para mais. Nós, têmo-los e teríamos mais ainda, não fossem os mesmos desaproveitados e mal geridos por gente cujo principal objectivo é tratar da sua vidinha...
Quanto à questão da perda da população, o Zé não percebeu ou não quis perceber o que eu referi no post, acabando por misturar tudo, numa tentativa de dizer o que eu não disse.
Pois bem, Canelas e Fermelã têm perdido população por um ou dois factos muito simples e que estão à vista de toda a gente: o desinvestimento constante e sistemático e o malfadado PDM, completamente desenquadrado da realidade do concelho e cuja revisão nunca mais vê a luz do dia. Plano esse que, durante anos a fio, empurrou para fora daqui novos agregados familiares, ao negar-lhe a possibilidade de construção das suas habitações. Esta é a verdade nua e crua. Não é a escola que leva as pessoas embora destas freguesias - o seu encerramento poderá contribuir para isso - mas é sobretudo a falta de ambição e o desinteresse por parte de quem promete tudo mudar e depois... a montanha acaba sempre por parir um rato.
Deve o amigo Zé Matos saber que, pelo facto de pertencer a um órgão autárquico deliberativo, tal não me coibe de dizer o que penso e de querer mais para a minha terra. Aliás, tal facto exerce em mim o dever de reclamar quando o tiver de fazer e de mostrar satisfação sempre que para tal haja motivo. Infelizmente, os motivos de satisfação são tão raros e tão distantes no tempo!...
Entristece-me o facto de ver encerrar as infraestruturas básicas de uma freguesia, em nome de uma gestão rigorosa dos dinheiros públicos, para depois ver o mesmo dinheiro - que não há para melhorar ou manter as escolas de Canelas e Fermelã - ser literalmente queimado em banalidades socio-culturalmente deploráveis. Será necessário citar meia dúzia de exemplos?
Entristece-me ainda que a tal Carta Educativa - que vem encerrar a escola de Fermelã - tenha sido criada em Fermelã e seja tão defendida por um Fermelanense. Terão as suas razões, provavelmente. Mas não queiram que concorde com elas.

EGAS MONIZ

Hoje, 10 de Dezembro, no Canal História - infelizmente só acessível na tv por cabo - passará um documentário sobre Egas Moniz, às 15h00 e com repetição às 23h00.
António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz, nasceu no concelho de Estarreja, na freguesia de Avanca, em 29 de Novembro de 1874.Formou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra em 1898 e foi nomeado seu professor em 1902. Frequentou as clínicas neurológicas de Paris e Bordéus. Em 1911 regressa a Portugal para leccionar a cadeira de Neurologia na Universidade de Lisboa. Em 1903 deixa-se seduzir pela política e em 1917 chega a ministro dos Negócios Estrangeiros.
Executou a primeira angiografia cerebral humana em 1927 e em 1935 concebeu e executou uma intervenção cirúrgica cerebral, a leucotomia pré-frontal, em que eram cortadas as ligações do lobo frontal com o restante cérebro.
Por esse facto, em 1949, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel de Medicina, partilhado com W. R. Hess.
O sucesso daquela operação foi rapidamente reconhecido e aceite, de tal forma que passou a ser praticada nas principais clínicas neurocirúrgicas e psiquiátricas do mundo, tendo sido largamente utilizada no tratamento de psicoses graves, proporcionando um vasto conhecimento anatomofisiológico do cérebro e a base para o desenvolvimento de outros métodos cirúrgicos. Como escritor, foi memorialista e estudioso de vultos notáveis nos sectores das letras e das artes plásticas.
Da sua extensa obra destacam-se:

Tese de Doutoramento, A Vida Sexual - Fisiologia, apresentada em 1901. Provas de concurso para lente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em 1902 com o trabalho A Vida Sexual - Patologia. Estes dois últimos trabalhos vieram mais tarde a ser reunidos com modificações na sua obra A Vida Sexual (Fisiologia e Patologia), editada pela primeira vez em 1913 e que se tornou uma obra polémica e muito procurada, com 19 edições até 1933. Durante o governo de Salazar (1889-1970), a sua aquisição só podia ser feita com receita médica. A Neurologia na Guerra, Lisboa, Livraria Ferreira, 1917. Clínica Neurológia, Lisboa, Faculdade de Medicina, 1925. O Padre Faria na História do Hipnotismo, Lisboa, Faculdade de Medicina, 1925. Diagnostic des Tumeurs Cérébrales et Épreuve de l'Encéphalographie Arthérielle, Paris, Masson&Cie, 1931. L'Angiographie Cérébrale. Sea Applications et Résultats en Anatomie, Physiologie et Clinique, Paris, Masson&cie., 1934. Tentatives Opératoires dans le Traitement de Certaines Psychoses, Paris, Masson&Cie., 1936. La Leucotomie Préfrontal. Traitement Chirurgical de Certaines Psychoses, Torino, Baravalle e Falconieri, 1937. Clínica delle Angiografia Cerebrale, Torino, Iter, 1938. Die Cerebrale Arteriographie und Phlebographie, Berlin, Julius Springer, 1940. Trombosis Y Otras Obstrucciones de las Carotidas, Barcelona, Salvat, 1941.
Eis pois, uma boa oportunidade para conhecer o homem, o médico, o neurologista, o político, o investigador, o professor, o escritor e o primeiro português a ser galardoado com o Prémio Nobel.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

CARTA EDUCATIVA - 2

Passando os olhos pelo post do Notícias da Aldeia chamou-me a atenção o facto de o Abel referir que "na Blogo local se tem ultimamente falado da Carta Educativa..."
Como anteriormente aqui referi o assunto e, aguçado pela curiosidade de ler o que se escreve sobe o mesmo, fui visitando os Blogs do concelho. Confesso que já o não fazia há dias, por manifesta falta de tempo. E foi então que dei de caras com um post em jeito de resposta ao que escrevi sobre a Carta Educativa.
Pois bem, não tenho por hábito usar este espaço para responder a quem quer que seja. Normalmente os comentários que entendo dever fazer acerca deste ou daquele post, faço-os usando a possibilidade que o autor do blog nos dá através da sua caixa de comentários. Abrirei esta excepção, uma vez que foi assim a preferência do autor do post em questão.

E então terei de dizer que, em resposta ao que se escreveu aqui, o facto de as escolas de Canelas e Fermelã não terem duas condições básicas importantes numa escola moderna: a cantina e o ginásio, em nada altera a opinião que tenho acerca do assunto.
Considerarei sempre um erro o encerramento aqui, seja do que for. Os princípios que estiveram na base da construção da escola, do posto médico, da estação da CP, do Centro Social, da Residência Paroquial, etc. mantêm-se hoje, e traduzem-se na necessidade de dotar as populações de equipamentos que lhes tragam alguma qualidade de vida.
Hoje, o primeiro pensamento dos maus gestores que grassam por todo o lado, é fechar, fechar, fechar.
Terei de questionar se foi feito algum estudo com o fim de rentabilizar os equipamentos existentes, caso se manifeste necessário rentabilizá-los.
Terei de perguntar se a construção de uma cantina em Canelas e Fermelã não seria economicamente mais favorável do que construir a tal escola em Salreu para nela enlatar 9 anos de escolaridade.
Ou se é exactamente a mesma coisa meter crianças de 6 anos de idade ou de 10, em transportes públicos e deslocá-los para fora das suas freguesias.
Sabendo-se que a construção de uma escola Básica Integrada poderá servir para a fixação de novas famílias, poderei questionar também o porquê de a mesma vir a ser colocada em Salreu, uma das freguesias mais populosas. Não seria lógico deslocá-la então para uma das freguesias mais pequenas, ajudando assim o seu desenvolvimento?
E depois, quanto ao ginásio - outra obra necessária para a tal escola moderna - Canelas tem um complexo desportivo de excelente qualidade e que oferece óptimas condições, bastando para isso um acordo protocolar para que o mesmo possa servir de apoio às actividades escolares, como já anteriormente aconteceu.
Por tudo isto, não me parece que a questão deva ser colocada da forma que o Zé Matos a coloca: fazer duas escolas (em Canelas e Fermelã) ou uma que concentre os 9 anos de escolaridade porque nem Canelas nem Fermelã necessitam de escolas novas. Trata-se de uma falsa questão que emana de uma decisão política com base na Carta Educativa que, numa perspectiva social é simplesmente deplorável.
E se, como diz o Zé Matos, o país deve gastar bem o dinheiro que tem para a educação, então parece-me que as contas são fáceis de fazer se de um lado colocarmos o baixo custo da manutenção das escolas de Canelas e Fermelã, e do outro a construção de um novo complexo escolar, as despesas de transporte e os inconvenientes sociais que daí emanam.
Finalmente, não se percebe bem o porquê de, em tão curto espaço de tempo, se elaborar, se levar a discussão pública (?) e se promulgar uma coisa que não se apresenta como uma necessidade premente, e se não consegue acabar com a revisão do PDM que se arrasta há mais de uma década!

terça-feira, dezembro 04, 2007

REFLEXO

Vale a pena ler este artigo escrito por Clara Ferreira Alves em Outubro passado. Ler e reflectir.

"Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso.
Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.
Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia que se sabe que nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.
Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.
Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços do enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.
E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogues, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.
Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muito alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?
Vale e Azevedo pagou por todos.
Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.
Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.
Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?
Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.
No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não substancia.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu?
E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?
E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente"importante" estava envolvida, o que aconteceu?
Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?
E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?
E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.
Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.
Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. Este é o maior fracasso da democracia portuguesa e contra isto o PS e o PSD que fizeram? Assinaram um iníquo pacto de justiça."




sábado, dezembro 01, 2007

A CARTA EDUCATIVA

" A Carta Educativa é, a nível municipal, o instrumento de planeamento e ordenamento prospectivo de edifícios e equipamentos educativos a localizar no concelho, de acordo com as ofertas de educação e formação que seja necessário satisfazer, tendo em vista a melhor utilização dos recursos educativos, no quadro do desenvolvimento demográfico e socio-económico de cada município".

In http://www.cm-estarreja.pt/main/carta_educativa.php



Feita por encomenda, a Carta Educativa do concelho de Estarreja espelha, claramente, a política despesista, sem nexo e de aniquilação dos pequenos aglomerados populacionais.

Senão vejamos:

- O concelho de Estarreja tem presentemente um parque escolar de bom nível e que foi alvo de substanciais beneficiações nos últimos anos;

- Todas as sete freguesias têm igualmente os seus equipamentos, por forma a que as suas crianças tenham, a curta distância, as infraestruturas necessárias ao seu desenvolvimento intelectual;

- A concentração de todo o ensino em três escolas, estratégicamente acomodadas nas maiores freguesias, apenas beneficia e ajuda a desenvolver cultural e economicamente os maiores centros populacionais;

- Os custos inerentes à aplicação da Carta Educativa, serão astronómicos para a realidade do concelho que há muito se arrasta com dificuldades económicas, como aliás a maioria das câmaras do país;


O longo texto da Carta Educativa , para quem tiver a paciência suficiente para ler 136 páginas, mostra, com alguma facilidade, que as condições existentes são boas e os equipamentos suficientes e em bom estado.

Técnica e economicamente nada parece justificar que se avance para esta perfeita loucura. Será então uma questão política, como tantas outras.

E aqui está o fulcro da questão: é que o que está na moda, é fazer brilharetes à custa da aniquilação dos mais pequenos. Por isso se fecham as urgências dos hospitais mais pequenos, os centros de assistência médica das pequenas localidades, as escolas, os postos de atendimento dos Correios, e por aí fora. Tudo isto faz parte de uma política que, no lugar de criar melhores condições de vida, entretém-se a construir barreiras e distâncias.

Houve um tempo em que se levantavam todas as infraestruturas necessárias à vida normal de uma população, por mais pequena que fosse. Era um orgulho para uma terra ter a sua escola, o seu posto médico, a sua igreja, a sua creche, as sedes das suas colectividades, etc.

Hoje, a memória desses homens, desses grandes homens que se esforçaram pela construção de inúmeras infraestruturas por este país fora, é barbaramente desrespeitada por quem não tem qualquer orientação que não a sua própria. O caminho mais fácil para os políticos de hoje é fechar aqui e ali, por falta de competência e ideias para rentabilizar o que há e que ao longo dos tempos foi construído com esforço e sem os dinheiros fáceis da europa. Intocáveis permanecem os seus altos salários e as suas mordomias inclassificáveis.

A Carta Educativa de Estarreja é, na realidade, mais um duro golpe com vista ao asfixiamento progressivo das pequenas freguesias do concelho, porque além de dificultar a vida a alunos e pais, desactiva uma parte substancial do trabalho desenvolvido pelas IPSS, que actualmente desenvolvem meritórios serviços em benefício da sociedade.
E isto não é demagogia, está à vista de todos!