Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, novembro 26, 2007

O ESTADO DAS COISAS E AS COISAS DO ESTADO

1. O desinvestimento constante que se vai fazendo nas mais pequenas freguesias não é já notícia para ninguém. A, por vezes, tão propalada aproximação do poder às populações, não passa de demagogia barata traduzida sim pelo afastamento e desrespeito dos governantes para com quem os sustentabiliza ou, para sermos mais rigorosos, os sustenta.
Vê-los junto do povo, só em marés de inaugurações, festanças ou então antes das eleições. E ouvir as populações, então... nem vale a pena pensar!
Saber bem falar, para melhor iludir o povo (principalmente nas vésperas de actos eleitorais), é hoje mais importante do que ter capacidade de gestão e realização, para assumir o cumprimento das promessas com que se conquistam os lugares principescos que o nosso sistema político tão bem sabe proporcionar, a quem dele se serve.
Desde os inúmeros casos de corrupção, à sucessiva dança das cadeiras dos gestores de cargos públicos, passando pelo amontoado de reformas que, inexplicavelmente, é permitido a "suas altezas", ou ainda pelas indemnizações milionárias de certos glutões criteriosamente afastados dos seus lugares, tudo contribui grandemente para tornar a despesa pública numa enorme e incontrolável bola de neve.

É assim (in) compreensível o facto de os Portugueses serem dos povos que mais contribuem para o erário público e, em contrapartida, terem uma das piores economias da europa. É que quem suporta tudo isto começa a ficar sem forma de o continuar a fazer...


2. No Plano de Actividades Plurianual (PA) da CME, faz-se constar que, para esta pequena freguesia de Canelas, o ano 2007 seria um pouco diferente em relação aos anteriores. Isto porque, finalmente, lá estão inscritas duas obras, cuja necessidade de execução são por demais evidentes: a beneficiação das ruas do Corgo e do Vale do Picoto.
A primeira deveria ter tido início no passado mês de Março e a outra em Junho, tal como define o PA, devendo ambas estarem concluídas no próximo mês de Dezembro.
Trata-se de uma despesa total, orçamentada em 115 mil euros e cujas verbas constam já como definidas no documento citado.
Compreender-se-ia o atraso se estivessem a decorrer, ou tivessem decorrido, na freguesia, outras obras sob a responsabilidade camarária. Mas tal não acontece nem aconteceu, e isso torna incompreensível que passe mais um ano de nulo investimento por estas bandas. E esta é a dura realidade com que nos deparamos, ano após ano. Uma realidade vista por quem aqui vive e que será certamente diferente, para quem a não sente, provocada pela falta de ambição e por um acomodamento asfixiante, que é por demais evidente.

1 comentário:

Maria disse...

Camilo não sabe que palevras leva-as o vento.
La que eles prometem... ai isso prometem, e é por isso que até os apoiam.
Isto é assim, basta prometer para acreditar, eu só acredito depois de ver.
O povo é sereno!...