Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

domingo, outubro 21, 2007

DIA DO CORTEJO

Hoje por aqui é dia de cortejo. E, não fora o ter-se já perdido o verdadeiro sentido desta realização, poder-se-ia assistir hoje a um momento soberbo de tradição e cultura populares.
A foto acima (anos 50 do século passado), documenta a riqueza do momento. A beleza dos trajes, os cordões e peças de ouro que orgulhosamente eram ostentados em dias festivos, o cuidado com a preparação dos tabuleiros, os cantares apropriados, tudo faz parte de um passado cada vez mais longínquo.
O objectivo - a angariação de fundos - também ele mudou substancialmente pois, se hoje a realização dos cortejos é uma forma fácil de dar algum animo à tesouraria das colectividades da freguesia, nesses tempos idos, tudo acontecia em torno da realização de uma obra de interesse geral. Foi assim para as construções da Residência Paroquial, da sede da Banda e do pavilhão do Arsenal, para a restauração da Igreja, etc., etc.
Desta forma se conseguia a participação de toda a comunidade para o alcance do objectivo traçado. Também por isso se pode dizer que cada obra erguida na freguesia tem um pouco de cada um de nós.
Mas hoje a tradição já não é o que era e acaba de passar pelas ruas da aldeia o cortejo ao som de Quim Barreiros.
De trajes antigos, nada; de cantares populares, nada; de tabuleiros à cabeça, nada; de tradição popular, nada!
São os tempos de hoje e a descaracterização de um povo, da sua cultura e da sua maior riqueza: as suas tradições.


7 comentários:

Estrela Cadente disse...

Acredita que me doi o que está há muito a acontecer ao nosso País.
Dentro de algum tempo ñinguém saberá o porquê dos fatos tipicos e tão ricos das regiões que à medida que se querem modernizar perdem o que tinham de riqueza.
Na minha terra havia a festa da nossa Padroeira tão bela em que cada um fasia questão de engalanar as janelas para a passagem da procissão o arraial junto à capela, onde a malta nova se juntava am alegria, os que estavam fora voltavam à terra nessa altura, era uma alegria.
Fui lá há três anos. Jurei não mais lá voltar.
E o que mais me chocou foi ver a imagem na procissão levada num tractor e meia dúzia de gatos pingados à volta.
Eu sei que tudo muda, mas há mudanças que vão minando a identidade de cada um. E o pior é que não se apercebem.
Ao perdermos a nossa identidade deixamos de ser alguèm e qualquer um nos domina.
Cumprimentos

Anónimo disse...

Lamento discordar da sua opinião.
Pelos vistos não moramos na mesma aldeia, porque pela minha rua passou um grupo bem trajado á moda antiga, bem organizado e com participação de jovens musicos da nossa Banda Bingre que tocaram uma marcha popular de Lisboa com um arranjo de letra alusivo ao tema escolhido para este desfile ' As Vendedeiras de Castanhas '.
Estão de Parabéns todas as pessoas que contribuiram para a realização deste desfile, e um agradecimento especial ao Miguel que ensaiou o grupo e compôs a letra.
Já agora gostava de ver uma foto desse cortejo!!! Que poderá mostrar que as pessoas iam trajadas a rigor com os seus cordões de oiro lenços de cochiné e chapéus á moda antiga e cantando a marcha.

Cumprimentos.

Ass:. Cláudio Matos

Camilo Rego disse...

Ao Cláudio:

Claro que vivemos na mesma aldeia mas aqui pela minha rua o som que se ouvia era o de Quim Barreiros. Provavelmente por outras ruas outras músicas se tocaram. Falo pelo que ouvi.
O objectivo do post mantém-se na íntegra. Apesar do excelente esforço de alguns, o verdadeiro espírito subjacente à realização dos cortejos nada tem a ver com outros tempos.
Cumprimentos.

Rosa Andrade disse...

Camilo mesmo assim nós ainda tentamos manter um bocadinho do que era a tradição, já há 2 anos tentamos retratar as vindimas e as desfolhadas, este ano tentamos retratar os vendedores de castanhas, já se sabe que nunca se consegue fazer como antigamente porque 30, 40 ou 50 anos depois é sempre muito difícil mas com a ajuda de todos os que participaram, tentou-se fazer o melhor possível.
Quanto à música do Quim Barreiros talvez não fosse a mais adequada mas deixa-me dizer-te que as pessoas de idade até gostam de ouvir e realmente não tinhamos outra cassete com música de raiz mais popular.
A esse pequeno promenor pedimos as nossas desculpas.
Já agora queria aproveitar para agradecer ao Miguel, à Banda Bingre Canelense e a todas as pessoas que se envolveram nos cortejos (na marcha, na lenha etc,) o nosso muito mas muito obrigado porque sem o vosso apoio nada disto teria sido possível.

Rosa Andrade

Anónimo disse...

Amigo Camilo
Faz algum tempo que não tinha oportunidade de visitar o blog, e quando aqui voltei, por curiusidade, eis que me deparo com esta notícia dos cortejos de hà 50 anos e o comentário aos actuais, e embora possa concordar que a tradição já não é o que era, não posso deixar de considerar infeliz o teu comentário feito a partir do muito pouco que ouviste (nem sequer viste). Ou será que alguem te contou?
De facto há 50 anos não eramos nascidos, mas nessa época como hoje, e apesar de os objectivos terem mudado, o espirito mantem-se "Também por isso se pode dizer que cada obra erguida na freguesia tem um pouco de cada um de nós".
Poi se reparas-te na tua frase, escreves-te na 1ª pessoa do plural "Nós", mas neste cortejo e noutros alem dos participantes vestidos com mais ou menos rigor apenas costumam estar os outros, pois não tenho ideia de te ver presente, ou a integrar o grupo dos "mal vestidos".
Realmente a tradição já não é o que era!

A Santos

Camilo Rego disse...

Ao Sr. António Santos:

Antes de mais devo dizer que, sendo este um espaço que aceita a diferença de opinião (seria para mim muito fácil não deixar publicar os comentários menos agradáveis), não lhe reconheço o direito de adjectivar o teor das ideias ou comentários que aqui exponho. Poderá sempre discordar delas. É um direito que lhe assiste e terei sempre muito gosto em ouvir, aceitar e respeitar opiniões diferentes.
Mas trata-se de um espaço que criei, que mantenho (ainda que muitas vezes me falte o tempo necessário para o manter actualizado), e no qual tenho por uso falar das coisas boas desta terra.
E, se por vezes, aqui refiro algum assunto menos agradável, creia que é com mágoa que o faço e com o propósito de que algo possa mudar.
Relativamente ao post dos Cortejos devo dizer que estava à espera de ver o cortejo passar para tirar algumas fotografias que pudessem ilustrar o post sobre o assunto.
Aguardava eu então a passagem do desfile quando começo por ouvir a tal música do Quim Barreiros. Perdi logo a vontade de descer à rua para testemunhar a dita passagem. No entanto, respeito aqueles que acham por bem ser essa uma música que atrai as pessoas, da mesma forma que entendo que tenho o direito de achar que tal não faz sentido. E, se me dizem que em outras ruas se cantou e se tocaram músicas apropriadas, creia que isso me alegra e não tenho qualquer pejo em o reconhecer. Eu próprio já alinhavei algumas letras para desfiles semelhantes.
Por isso caro amigo, se bem me conhece, e sei que sim, sabe que não tenho por hábito falar "porque me disseram".
Relativamente ao facto de não ter estado presente, devo dizer-lhe que após a passagem do referido cortejo tive de ausentar-me da freguesia, a ela regressando já a noite ia alta. Mas deixe que lhe diga que também nunca tive grande jeito para desfiles. No entanto, nunca neguei o meu contributo para com todas as associações da freguesia e essa contribuição não pode ser medida pela participação nos cortejos. Existem muitas outras formas de "dar a cara" e de contribuir para o engrandecimento das mesmas. Por isso reafirmo que cada obra da freguesia tem um pouco de cada um de nós.
Uns participam de uma maneira, outros de outra e não é pelo facto de não ser cozinheiro que deixo de poder opinar sobre se um bom manjar tem ou não sal a mais.
É talvez por isso que temos hoje os políticos que temos. Devem mesmo basear-se na velha máxima de que só se aceita opiniões de quem sabe fazer melhor. Teremos então de passar a ser todos "experts" em todas as áreas para termos o direito de opinião.
Pois bem, caro amigo e voltando à história dos cortejos, louvo publicamente a persistência de quem organiza e participa nos desfiles; afinal essa é a única parte da tradição que se vai mantendo.
Mas continuo a pensar que hoje os cortejos são uma forma fácil e habitual de aliviar as dificuldades de tesouraria com que as Associações da freguesia se debatem, o que renega para plano inferior o verdadeiro espírito subjacente aos mesmos. Nada mais. E, se as colectividades da freguesia são legalmente declaradas como sendo instituições de utilidade pública, entendo que uma parte dos impostos que ambos pagamos deviam ser para elas canalizados. E, quanto a estas, sabe muito bem que as defendo incondicionalmente pelo papel que desempenham na formação e ocupação dos jovens desta terra e não só.
A referência que V. Ex.ª faz aos "mal vestidos" ( a frase é sua), nada tem a ver com o que penso. O que pretendi com o post foi tão só chamar a atenção de que a nossa freguesia é riquíssima em tradições como as mondas, o linho, as ceifas do trigo e do centeio, as vindimas, as desfolhadas,a pesca de enguias,a apanha do moliço "republicano", etc,...
Qualquer destes temas mobilizaria uma boa parte da freguesia e seria para preparar durante meses, mas valeria a pena, creio.
Com todo o respeito pelo tema do presente ano (que não vi pelo motivo acima descrito), não tenho na memória que por aqui tenha sido tradição a apanha ou a venda de castanhas, mas admito, respeito e louvo quem trabalhou no sentido de reavivar essa tradição, seja ela de que região for.
Termino dizendo que respeito a sua como qualquer outra opinião discordante e não a adjectivo de feliz ou infeliz. São opiniões. Valem apenas enquanto isso.
Cpts.

Anónimo disse...

Acho que algumas pessoas fizeram uma leitura incorrecta deste post ou então não o perceberam bem,eu também sou daqueles que por falta de jeito nunca participou nessas marchas mas o meu contributo é o monetário que não deixa de ser muito importante.
CPTS parabéns e continue sempre