Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, outubro 01, 2007

ANÁLISE

Um pouco por todo o lado vão aparecendo "grandes" vozes denotando conhecimento e preocupação pelo estado em que o país está, e pelo rumo que se lhe adivinha num futuro próximo.
A alternância do poder que saltita entre o Partido Socialista e o PSD com alguns acordos de circunstância pelo meio, tem conduzido o país para a miserável cauda da Europa. E nem os milhões dos Quadros Comunitários de Apoio nos salvam. A este propósito, alguém sabe onde para tanto dinheiro que veio com o claro objectivo de fazer renascer a economia, através de investimentos na modernização da agricultura e da indústria?
Portugal depende cada vez mais dos países estrangeiros e vai perdendo a sua identidade muito por culpa dessa inevitável dependência.
Ao invés de investirem, os industriais fecham as suas portas e os que o não fazem, recorrem cada vez mais à mão-de-obra barata de que são donas as muitas empresas de prestação de serviços que proliferaram por todo o país nos últimos anos, e que contribuem de sobremaneira para a precariedade do emprego.
Após 74, dois partidos chamaram a si a condução dos destinos do país. Ora um, ora outro, como se de um divertimento se trate. Quatro ou oito anos, no máximo, é o período que têm para (se) governar, sendo certo que seja bom, mau ou medíocre o trabalho, a ninguém têm de prestar contas. O exercício do poder é visto como um divertimento proveitoso para quem governa. E esse é o principal problema que vai arrastando para o abismo o que ainda resta, por uma classe de políticos sem princípios, sem valores e sem competência.
A diferença entre a governação de ambos os partidos, está apenas num solitário aspecto: o PS é muito melhor oposição que o PSD. Ou seja: pouco importa se governam os socialistas ou os sociais democratas, contudo o PS soube sempre ser oposição, a ponto de não deixar governar e mesmo de fazer cair governos. O PSD não. E neste regime pluralista português, o papel da oposição tem uma importância capital no sentido de evitar a inclinação para a prepotência por parte de quem governa.
E depois, o eleitorado português é difícil de compreender: ora dá uma maioria a um partido, ora a dá a outro. Mas todas as maiorias são perigosas, assim como todos os segundos mandatos, e podem mesmo levar ao abuso do poder por parte de quem o exerce. Parece ser um pouco isso que se está a praticar por aqui...
Além de haver uma maioria, não há oposição. O PSD quando não está no governo, entretém-se em anedóticas substituições dos seus líderes, ao invés de marcar pontos naquilo que devia ter como prioridade e que resulta do acompanhamento da acção governativa: mostrar que está atento e apresentar propostas concretas de combate às medidas que entenda serem lesivas para os portugueses. E o Eng.º do governo bem precisa que lhe façam ver que os pontos têm ii...
Ao invés, esta tendência de auto-destruição que emerge do seu interior nada poderá trazer de útil ao país.
Desde a acobardada fuga de Durão Barroso (agora com uma conta bancária muito mais tranquilizante, claro), que o partido nunca mais se encontrou a ele próprio. A forma como militantes do mesmo partido se degolam publicamente, é o mais baixo exemplo do nível a que os políticos chegaram e do completo desprezo pelo sentido de estado e de serviço público que os devia nortear.
Alguém dizia recentemente numa entrevista, que o enriquecimento dos políticos não começa quando estão no governo, mas sim alguns anos após.
Nada mais certo. Muito embora se façam pagar principescamente quando lá estão, é quando saem que, descaradamente, se atiram a ardilosas negociatas com proveito próprio.
A propósito, diz-se que com a construção da nova travessia sobre o Tejo, a Lusoponte vai ser indemnizada por cada carro desviado das actuais pontes. E passam lá mais de 200.000 por dia!
A areia na engrenagem vem do facto de o contrato de exclusividade da exploração da travessia do rio da capital, foi lavrado em 1994 quando era ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações, Ferreira do Amaral. E não é que o “manda-chuva” actual da Lusoponte é o mesmo F. do Amaral que agora se prevê ir embolsar uns milhões à custa de quem deixe de passar nas “suas” pontes???
Mas isto, quero crer, é apenas mais uma mera coincidência, à semelhança de tantas em que o nosso país é fértil em gerar.
Bom, a conversa já vai longa e não se chega a lado algum. O remédio para este miserável estado de coisas parece-me estar somente na mão dos portugueses que, com uma simples esferográfica, têm o poder de acabar com isto. Basta que um dia a maioria queira poupar tinta...

2 comentários:

noticiasd'aldeia disse...

Isto não tem cura. A nova lei eleitoral vai permitir a maioria absoluta ao partido vencedor, logo, estamos por conta.

Aqui na aldeia, diz o povo "alguém tem de ser", ou seja, qualquer madraço ignorante lhes serve para governador. O problema é mais bem profundo do que se imagina. É de raíz cultural.

Cpts

Estrela Cadente disse...

Gosto de ler os seus artigos, com rumo e com norte.
Este é mais um que vale a pena ler, num País de que gostamos tanto e vemos "sem rumo e sem norte".
A maior parte não fala por mêdo. Aquela imprensa que valia a pena ler por ser fidedigna acabou há muito. è preciso "caixas" que tragam dinheiro aos "mídia" e nada que abra os olhos a quem não sai da cegueira.
Até Cristo disse: "Abre os olhos e vê", mas é mais comodo não ver ou fazer de conta que não vê.