Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

quinta-feira, setembro 13, 2007

PELO FIM DA CAÇA NO BAIXO VOUGA

Impossível ficar indiferente ao apelo do José Cláudio, acerca de um assunto em que poucos até hoje ousaram intrometer-se, tanto mais que comungo das mesmas ideias acerca do mesmo.
Por isso aqui estou, em apoio total a todos os que entenderem, como nós que, aqui e agora, se deve dar início a esse movimento pelo fim da caça do Baixo Vouga.
Em contrapartida, aqui deixo o convite a todos os caçadores para, uma vez sem as armas na mão, se deixarem seduzir pela beleza desta zona magnífica - única no nosso país.
Subscrevo e sublinho todos os argumentos apresentados pelo Notícias d'Aldeia, Terra Nostra, O Efervescente, o Poeta de Fermelã e o Vela Latina.
Além disso, também neste assunto se assiste a mais um contra-senso (i)legal, tão típico deste país sem norte.
Pois é! Lembram-se ainda, de um dos argumentos dito, "de peso", esgrimido até às últimas instâncias mesmo, e até europeias, pelas organizações ambientalistas, e que esteve na origem do adiamento sucessivo da construção da A29 (então ainda o IC1), e que terá pesado mesmo no abandono em definitivo do traçado a poente da linha do caminho de ferro?
Pois eu lembro-me: foi o facto de a estrada atravessar uma parte de uma Zona de Protecção Especial (ZPE). Alegou-se então, que o barulho dos carros era prejudicial ao ecossistema dessa zona e a construção iria contribuir para a destruição de parte da fauna e flora locais. Fez-se queixa à Comissão Europeia e tudo!
Mas parece que o mesmo argumento não foi invocado nem tido em conta aquando da definição das zonas de caça nesta região. Quase de um dia para o outro marcou-se uma reunião na Junta de Freguesia e ali se deu "duas de letra" a quem quis ou pode estar presente e, passados alguns dias, Canelas acordava enfeitada por inúmeras plaquinhas vermelhas e brancas. Também por isso, aqui fica o meu repúdio.
A zona do Baixo Vouga Lagunar é demasiado bela e merece ser protegida. Nos terrenos de Salreu, o Bioria deu uma ajuda, muito embora muito haja ainda a fazer. Reclama-se, pelo menos, idêntico projecto para as zonas de Canelas e Fermelã. O primeiro passo é seguramente acabar com o tiroteio nessas zonas.
Na coluna da esquerda deste blog, aproveite para manifestar a sua opinião, votando pelo fim (ou não) da caça nos campos do Baixo Vouga.





3 comentários:

noticiasd'aldeia disse...

Depreende-se do seu texto que a Junta de Freguesia foi consultada ou teve participação na demarcação da zona. No sentido de determinar linhas de actuação, seria bom que o Camilo nos esclarecesse do papel da mesma.

Cpts

poeta de fermelã disse...

Caro Camilo, vem já de longa data a utilização de argumentos para um determinado fim e que depois são postos de parte, porque já não convém ir buscar esses mesmos argumentos, para a próxima "empreitada" que aí vem. As histórias à volta das urgências do HVS e da A29 já deram tantas voltas como um satélite em órbita (o Zé Matos é que percebe disso), já houveram contradições risiveis entre os protagonistas.
Nesta situação particular da caça, pela informação que tive e procurei saber, as juntas de freguesia, foram aliadas de peso para o avanço da "empreitada".
O que é vergonhoso, revela falta de coragem para dizer NÃO e revela insensatez e incoerência a todos os níveis.
Para a caça, já não existe ZPE nenhuma, assim vamos...

Camilo Rego disse...

Abel:
Efectivamente tive conhecimento de uma reunião havida na junta de freguesia à qual não pude assistir devido me encontrar no serviço.
Posteriormente procurei saber o que se tinha lá passado e apenas consegui apurar que lá tinham estado uns senhores em representação do Clube de Caçadores de Avanca que de sua justiça disseram o que nunca me foi devidamente explicado. E penso que se definiu assim que os associados do tal C.C.A. passariam a ter direitos de utilização dos terrenos da freguesia para efeitos de caça.
Questionei ainda sobre a responsabilidade pela hipotética e mais que certa destruição de culturas e afins, ao que me responderam que os proprietários seriam ressarcidos dos eventuais prejuízos causados. Pareceu-me isto a lei da selva! Ao que julgo saber, a CME deverá ter tido algum papel preponderante aquando destas manobras...