Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

sábado, junho 23, 2007

JÁ BASTA!!!

Tristemente volto a trazer aqui o assunto das Lamas. E faço-o fazendo eco do que se encontra publicado no Notícias da Aldeia.
É-me de alguma forma difícil encontrar palavras para caracterizar aquilo a que temos vindo a assistir, sem entrar numa grosseria desenfreada.
A falta de respeito, o conluio que parece haver, a inoperância de entidades e instituições muito à moda do “laisser faire, laisser passer” é, no mínimo, revoltante. E tanto mais o é na medida em que sentimos que a lei – a tal lei que é por vezes esmiuçada ao mais ínfimo pormenor dos seus artigos, porque convém – só é aplicável em benefício de certos interesses, quase sempre mediáticos ao mais alto nível.
O princípio da Igualdade de Direitos e Deveres considerados na Constituição da República Portuguesa parece ser cada vez mais uma mera utopia.
A não ser assim, daqui se reclama justiça através da aplicação da dita lei. E neste aspecto ela é clara - veja-se o Dec. Lei nº 118/2006, de 21 de Junho e a Directiva nº 86/278 da CEE.
Os atropelos verificados ao longo de todo o processo são por demais evidentes e comprovados. De que está à espera então o próprio Estado para punir os infratores a uma lei que ele próprio construiu e aprovou?
O licenciamento que não foi solicitado nem concedido; a análise prévia dos solos que não foi efectuada; o tratamento das lamas verdes que não se verificou; a amostragem e análise das lamas que obrigatoriamente teria de ser efectuada antes da sua deposição nos terrenos e a informação dos seus resultados aos proprietários dos mesmos, bem como a entidades que o solicitassem; a quantidade monstruosa de lamas descarregadas, etc., etc., configuram algumas das principais e graves infracções ao Dec. Lei nº 118/2006.
É sabido agora que as análises pedidas a posteriori e cujos resultados deram à costa ao fim de mais ou menos 8 meses, dizem que está tudo bem. Mas tudo bem o quê?
O que queremos mesmo é saber os níveis de cádmio, cobre, níquel, chumbo, zinco, mercúrio e crómio, bem como de azoto e fósforo e ainda o PH, se é que os respectivos parâmetros foram mesmo analisados, como se torna imperioso por força da legislação em vigor.
Além disso importa-nos ainda a punição exemplar dos culpados – a empresa que aqui fez os despejos – pois de inocente este imbróglio nada tem .
Se se pensa que o esquecimento é a solução, fica a certeza e o aviso de que a Comissão de Acompanhamento não hesitará em fazer chegar, em breve, o assunto às instâncias Europeias, denunciando o incumprimento da Directiva 86/278 da CEE, caso as entidades portuguesas continuem a protelar a resolução e a resposta a este assunto.
Para além da ilegalidade dos despejos, já assumida documentalmente pela CCDRC, o crime ambiental tem forçosamente de ser punido.
Sabendo-se da mão dura da Europa no tocante a situações do género em que está em causa a defesa e preservação do meio ambiente, talvez seja bom iniciar-se já a preparação do dossier a enviar.

sexta-feira, junho 22, 2007

domingo, junho 17, 2007

30 ANOS


Completam-se hoje 30 anos sobre a data da fundação do Agrupamento nº 530.
Não se prevê nenhuma actividade comemorativa - o que é sempre de lamentar pois 30 anos são 30 anos!!!

O esforço de quem ergue a primeira pedra merece sempre ser reconhecido... e lembrado.

Não me dá hoje para escrever por aqui afora porque me vêm à lembrança muitos dos momentos da minha juventude que ali passei - no 530 - e isso traz sempre aquela nostalgia, aquela saudade.

As pistas, os nós, os códigos Morse e Homógrafo... os acampamentos... os fogos de conselho... as missas campais... os raids nocturnos... as construções em madeira e corda... enfim... todo um mundo que vai ficando na memória de muitos e que jamais se apagará.
Hoje o pulsar do Agrupamento é bem diferente - talvez seja mesmo o movimento que se distanciou do que foi o escutismo há algumas décadas atrás - muito por culpa das mudanças na sociedade.
O momento hoje é mesmo de nostalgia...
Fica a pena pelo esquecimento da data que justificava, sem dúvida, uma actividade por mais pequena ou simples que fosse...
Reunidos à volta de uma fogueira (mesmo que improvisada), os que são e os que foram, recordando cada um a sua experiência, os seus momentos passados, entre meia dúzia de cantigas, seria uma das formas mais simples de o fazer.

Parabéns ao 530, aos seus fundadores, a todos os que por lá passaram e aos que persistem em não deixar cair a bandeira.


Deixo aqui o desafio a todos os que possuem fotografias tiradas ao longo destes 30 anos de vida do Agr. 530, que as compartilhem (digitalizadas ou não) para que aqui se possa relembrar alguns dos bons momentos das nossas vidas.

segunda-feira, junho 11, 2007

POLITICA DE INTERESSES

Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse. A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva. À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.
Eça de Queiroz, in 'Distrito de Évora (1867)

sábado, junho 09, 2007

CÓDIGO POSTAL

É por demais conhecido o motivo principal por que muitos jovens têm abandonado esta sua terra natal: a falta de terrenos para a construção de habitação própria.
Se por um lado a zona de construção se confina a dois ou três arruamentos, por outro a área de grande parte dos terrenos nessas zonas não está de acordo com os limites mínimos estabelecidos pelo PDM em vigor no concelho, muito embora haja actualmente alguma flexibilidade a esse respeito.
Ora, não se podendo por estes lados construir uma casa ao jeito do tamanho do terreno como se vê por esse Portugal fora, e tendo em conta que a terra que hoje por aqui se amanha provém das gerações passadas, e é retalhada em pequenas parcelas, a solução para se conseguir um terreno para construção passará pela união de dois ou mais terrenos. Acontece que nem sempre os respectivos proprietários estão na disposição de vender o seu pedacinho de terra e aí se esfumam muitos sonhos, abrindo-se desde logo a porta de saída para a procura de apartamentos nas cidades. Provavelmente será mesmo este o propósito: engordar as vilas e cidades, fazendo minguar as pequenas aldeias... até ao seu desaparecimento por completo.
E o pior é que por aqui abundam terrenos que alguém, num qualquer gabinete, entendeu definir como fazendo parte da Reserva Agrícola Nacional, muito embora dos mesmos se não consiga arrancar produção que pague sequer o investimento das sementeiras.
É esta a triste realidade: não servem para produzir e não se pode neles construir...
No entanto, um primeiro e importante passo para que este estado de coisas se altere, foi dado recentemente pelos CTT com a atribuição do Código Postal a zonas agrícolas e florestais da freguesia. Queiram os senhores do poder dar seguimento ao trabalho iniciado e em breve as zonas de construção terão outros horizontes. Por exemplo, quem quiser construir a sua habitação no caminho do Morangal do Meio, fica desde já a saber que o seu Código Postal é 3865-051. Mas, se preferir acordar de manhã, abrir a janela e sentir o ar fresco e aromado do eucalipto, a Azenha é uma boa opção e então o seu Código Postal passará a ser 3865-054.
Ora aqui está um valente contributo para a alteração do PDM e a consequente redefinição da área de construção na freguesia de Canelas.
Pode consultar o Código Postal de todas as ruas [Aqui]. Basta seleccionar o Distrito, o Concelho e inserir o nome da Freguesia.


quarta-feira, junho 06, 2007

SEM PAPAS NA LÍNGUA

Finalmente alguém com a lucidez suficiente para uma análise séria do estado das coisas e do país. Para ler, reler e pensar.

Eduardo Prado Coelho - In Público


A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo.

Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais o que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é muito chato ter que ler) e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser compradas, sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como matéria-prima de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA congénita , essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...
Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa outra coisa não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa Portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda..
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!


EDUARDO PRADO COELHO