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quinta-feira, maio 31, 2007

CIRCULO VICIOSO

Muito provavelmente devido ao interesse demonstrado pelos deputados do Bloco de Esquerda e pela sua intervenção directa relativamente os assunto das lamas, o Ministério do Ambiente, através da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, veio finalmente responder ao ofício enviado em 23.02.2007, pela Comissão de Acompanhamento aos Ilícitos Ambientais (CAIA), nestes termos:
"Para os devidos efeitos se declara que o Núcleo Operacional de Química Orgânica do Laboratório de Referência do Ambiente, devido a problemas no equipamento científico utilizado na determinação de Pesticidas, não tem possibilidade de apresentar no prazo estipulado os resultados analíticos das amostras com as N/ refª 6462 e 6463."
Esta declaração - pasme-se - é datada de 04 de Dezembro de 2006 e foi enviada à CCDRC no mês de Dezembro do ano passado. Na posse da mesma, a CCDRC apressou-se a colocar um "Arquive-se" em 26.12.2006.
Como atrás se disse, em Fevereiro a CAIA solicitou mais uma vez à CCDRC, a divulgação dos resultados das análises. A resposta veio apenas agora, estamos certos de que impulsionada pela acção do BE que fez chegar à Assembleia de República dois Requerimentos sobre o assunto - ler [Aqui].
As perguntas ficam no ar:
- O tal equipamento científico ainda se encontrará avariado, passados mais de 6 meses?
- Em caso afirmativo, não deveriam as análises serem enviadas a outro laboratório?
- Onde param as amostras recolhidas nos terrenos de Canelas?
- Haverá mesmo interesse por parte dos organismos oficiais, no apuramento e divulgação dos resultados?

Facilmente se pode verificar que desde o ano passado - e já lá vão mais de 5 meses - o caso não teve qualquer desenvolvimento, nem a CCDRC se preocupou mais com o assunto. Não fosse assim e a declaração ora enviada à CAIA, não teria a data de Dezembro.

Entretanto na maioria dos casos as lamas acabaram por ser envolvidas nos terrenos e, mesmo sem se saber o que neles foi depositado, hoje os mesmos se encontram cultivados.
O que quer que tenha sido despejado por aqui, entrará certamente na cadeia alimentar de animais e população.
A ideia será mesmo fazer esquecer o assunto, mas ainda há gente - embora pouca - que não está na disposição de que tal venha a acontecer.
Esperam-se para breve mais desenvolvimentos.


2 comentários:

Pedro Javier Mazzoni disse...

Não creio que este assunto seja de todo inocente. Pelos vistos, a ser como relata. Os factos mostram um claro comportamento de incompetência ou então será outra coisa ligeiramente mais grave (corrupção talvez?).
Penso que o procedimento que devem tomar os Cidadãos de Canelas, é a convocação de uma sessão extraordinária da assembleia de freguesia (artigo 14.º lei n.º5-A/2002, de 11 de Janeiro, Quadro de competências e regime jurídico de funcionamento dos orgãos dos municípios e das freguesias) requerida pelos cidadãos, tomando a Junta de Freguesia em primeiro lugar acções legais contra as referidas entidades responsáveis pela falha do estudo e seu arquivamento. Em segundo lugar um cálculo dos prejuízos causados e o pagamento por parte da empresa desses prejuízos(por exemplo pode haver necessidade, caso se descubra que houve ubstâncias perigosas de deixar as terras sem cultivo durante alguns anos).

Anónimo disse...

Revoltante! Porventura um exemplo flagrante de que este país está entregue a atrasados mentais ou a corruptos.