Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

O ENTRUDO


Em alguns (poucos) lugares, a tradição ainda é o que era. O povo sai à rua espontaneamente e dá largas ao divertimento são, numa tentativa de esquecer, pelo menos por algumas horas, as agruras do dia-a-dia.
No final do desfile, a tradicional merenda serve de pretexto para o convívio entre participantes e espectadores, sem distinção alguma...
Uma festança, barata, bairrista e a mostrar que o Carnaval por estes lados ainda se chama... ENTRUDO!

Sobretudo para aqueles que desfilaram, algumas fotos [Aqui]

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

OPINIÃO



Portugal votou no passado domingo a liberalização ou não do aborto até às 10 semanas, por opção livre da mulher.

Mais de metade dos portugueses (56,39%) ficaram em casa.

O SIM recolheu 2238053 votos, contra os 1539078 que escolheram NÃO.

Dito assim desta forma, a decisão sobre a vida ou a morte ficou ao alcance de cada um, sobretudo dos que votaram. Mas os que o não fizeram têm ainda maior responsabilidade - uma responsabilidade acobardada à maneira do lavar de mãos de Pilatos.

Cientificamente, não resta sombra de dúvida de que se está perante a interrupção de uma vida. Descriminalizar esse acto é desvalorizá-la (a vida) de uma forma ignóbil e traiçoeira.

Diz-se que é esta, também, uma forma de progresso, de modernização e a maneira de nos colocarmos ao nível de outros países, sobretudo europeus.

Em contrapartida, colocam-se torres para nidificação das cegonhas, desviam-se estradas, impedem-se construções, proíbem-se a implantação de indústrias, em nome da preservação de ecossistemas e da inviolabilidade da fauna e da flora deste país à beira mar plantado.

A par, criam-se leis (e muito bem) da protecção aos animais... institutos de conservação da natureza... definem-se zonas ecológicas... e financiam-se movimentos ambientalistas.

E matam-se os homens que ainda não nasceram e apressa-se a morte dos que cá estão... ao encerrar-se-lhes os serviços básicos de apoio!

Investe-se na aniquilação da vida humana ao invés de se criarem condições socio-económicas que permitam a defesa da mesma vida.

Porque não se referendam o encerramento de escolas, de serviços de urgência, de maternidades, de postos médicos, o pagamento de portagens, a aplicação de taxas e impostos e outros?

E, já agora.. .sendo a opção da mulher, porque votaram os homens?

Quis dar-se a voz ao povo, responsabilizando-o por aquilo que não se teve coragem de decidir. Pois bem, o povo decidiu e...

ESTÁ ABERTO O NEGÓCIO DA MORTE!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

TONINHO FREITES (2)

(Fotografia de Bartolomeu F. Rego)

Tendo recebido esta fotografia há poucos dias, nunca me perdoaria se a não partilhasse aqui neste espaço, para que todos os que ainda se recordam do "Toninho" lhe prestem, também aqui, a sua homenagem.
Se houve ao longo da história e das gentes desta terra alguém que, tinha em cada casa, em cada canto, em cada lar, um espaço que podia chamar de seu, foi este homem.
Veio ao mundo em 18 de Outubro do ano de 1896 e marcou indelevelmente uma geração.
Passava por todas as casas e, por isso, em todas deixava um pouco de si.
Seu pai, nunca haveria de perceber por que motivo tinha de pagar tantos impostos ao estado, pelas terras que arduamente amanhava, para delas arrancar algo que, muitas vezes, mal dava para o seu sustento e o dos seus. Cansado dessa injustiça e do castigo que dava ao seu burrito que tantas vezes fazia carregar com o montante desses impostos (as décimas), prometeu vender todos os seus terrenos "p'ra acabar com o fadário"! Dele o estado não haveria de ver mais "cheta"! Prometeu e cumpriu.

António Ricardo Afonso. Todos os que o conheceram guardam um sem número de episódios pitorescos e deliciosos. De manhã entretinha-se nos trabalhos do campo a mando de uns e de outros, para ganhar o almoço porque " a máquina para andar precisa de carvão"; mas, mal apanhava o caldo no bucho, acabava-se o trabalho por aquele dia...
E quando a miudagem da escola com ele se metia chamando-lhe "Arrocho", todas as pedras da rua mudavam repentinamente de lugar, e o chorrilho de asneiras com que nos brindava, tinha uma luminosidade impossível de descrever.
Deixou-nos a 5 de Fevereiro de 1986. Teve a coragem de, ao seu jeito, VIVER A VIDA e a sabedoria de nela SABER ESTAR.