Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

SERVIÇO DE URGÊNCIAS DO HVS


Antes de mais, uma breve explicação pela já longa ausência:
Motivos de ambito profissional têm impedido que me sobre algum tempo livre para dedicar a este espaço. Espero no início do ano voltar a dispor dessas saborosas horas de fim de tarde ou de fim de semana.
Estamos a "dois dias" de ser dada a conhecer a decisão final sobre o futuro do Serviço de Urgências do Hospital Visconde de Salreu.
Muito tem sido escrito e dito a este respeito nos mais diversos órgãos de informação mas, permitam-me o desabafo, não acredito que a população do concelho esteja a ver a dimensão do problema inerente a uma possível decisão pelo encerramento.
Alerta-se para a existência de um permanente risco devido à presença do Complexo Químico... que, provavelmente, é cada vez menos motivo de preocupação.
Seguramente o Serviço de Urgências, por muito bem equipado que esteja, jamais conseguiria dar resposta a um grave acidente químico, muito embora possa ser uma peça importante a ter em conta num caso desses.
A meu ver, o principal motivo de preocupação são os cerca de 5.000 habitantes com mais de 65 anos de idade que existem no concelho. Esses para quem a vida corre vertiginosamente e que têm direito a ter o mais elementar serviço público.
Não lhes cabe a eles a luta, o protesto, o grito de revolta. Cabe sim a todos os que ainda não atingiram essa idade mas que para lá caminham.
A par desses será igualmente de ter em conta as cerca de 3000 crianças com menos de 10 anos, e que normalmente nos fazem correr ao Serviço de Urgência a qualquer hora do dia ou da noite.
Esta tendência de aniquilamento dos mais fracos, dos mais pobres, dos mais pequenos, dos que têm menos condições de sobrevivência, lembram-nos outros momentos da história. Momentos negros que nada conseguirá apagar. Caminhará Portugal para situações de que essa mesma história hoje se envergonha?
Neste nosso país à beira mar plantado vive uma classe política das mais bem pagas e com maiores regalias da europa, e a quem não é pedida qualquer responsabilidade pela forma, tantas vezes desgovernada, como exerce o seu mandato. E ainda se lhes pagam milhões de euros a título de subsídios de reintegração em cargos de elevado rendimento para os quais são com frequência nomeados. Para que isso seja possível, despedem-se mais umas centenas de professores, de funcionários públicos, encerram-se serviços, fecham-se escolas, aumenta-se o custo dos bens elementares, da saúde, do ensino, etc,...
Passados 32 anos sobre o momento que supostamente despoletaria o desenvolvimento do país, assistimos a esta triste realidade: um país à deriva, na cauda da Europa, sem perspectivas reais de futuro.
A luta pela manutenção do Serviço de Urgências do nosso Hospital vai ter amanhã um ponto alto: a Vigília junto à rotunda do Hospital a partir das 21h00.
As razões para lutar por essa manutenção estão sobejamente apontadas e justificadas.
Que esse grito seja forte o suficiente para entrar pelos ouvidos de quem nos (des) governa.