Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

quinta-feira, novembro 30, 2006

CRÓNICA

A 20 de Novembro de 1960 escrevia assim Fernando Valente:

"A nossa freguesia, que tanto tempo mostrou a sua indiferença pelo progresso que os nossos olhos vislumbram por todos os lados, parece ter acordado da letargia em que viveu, desejando não só equiparar-se ao desenvolvimento que cresce nas suas adjacências, como também esforçar-se no sentido de o suplantar. (...) Na verdade, os últimos melhoramentos verificados e os que estão projectados, quer no domínio da utilidade, quer no campo estético, são de maravilhoso significado e positivamente encorajadores para prosseguir. Em curto espaço de tempo Canelas vai orgulhar-se de possuir mais dois belos e importantes melhoramentos: a Residência Paroquial e as Novas Instalações que servirão a Banda Bingre Canelense e o nosso primeiro Clube Recreativo. (...) De grande envergadura, ambos representam um grande encargo e sacrifício para o povo. No entanto, a freguesia precisa deles. Por essa razão é que a freguesia tem correspondido tão admiravelmente. (...) É justo, portanto, continuar a dar o devido relevo a cometimentos tão dignificantes, que são a honra de um Povo que, nesta hora, merece as mais calorosas felicitações.Grupo de cantares de Canelas (anos 50/60).

Passaram já 46 anos sobre a data da elaboração desta crónica e, neste espaço de tempo outras obras se ergueram, outras realizações tiveram lugar, quase sempre fruto da iniciativa do povo e por ele suportadas. As gentes de Canelas foram sempre reconhecidas pela sua união e determinação, sendo enumeras vezes citadas pelo exemplo que sempre deram, dão e continuarão a dar neste campo.A história o diz, o presente o mostra e o futuro o consolidará. É preciso viver no meio deste povo, conhecer as raízes profundas que o alimentam, e senti-lo cá dentro de nós para ter e manter esta certeza.


terça-feira, novembro 28, 2006

UNIVERSALIDADE




















Um link interessante:

» CONSULTE AS PRIMEIRAS PÁGINAS DE JORNAIS DE TODO O MUNDO.

» THE FRONT PAGES OF TODAY' NEWSPAPERS IN THE WHOLE WORLD.

» LES PRIMIÈRES PAGES DES JOURNAUX DE TOUTE LE MONDE.



http://newseum.org/todaysfrontpages/flash/

segunda-feira, novembro 27, 2006

PEREGRINAÇÃO A FÁTIMA



O grande e luxuoso autocarro de 42 lugares, com 4 pessoas de Salreu, 3 de Fermelã e as restantes da nossa freguesia, saiu do largo da igreja de Canelas às 7 horas e meia do dia 12, por Salreu, Albergaria-a-Nova, Albergaria-a-Velha e Águeda, onde se fez a primeira paragem, para apreciar, ainda que sumariamente, as belezas daquela terra.
No Bussaco visitámos o Hotel e o Convento dos Frades. E, antes de deixarmos o magnífico parque, alguns «experimentados cavaleiros e amazonas» da nossa terra provaram a sua competência na arte de cavalgar a toda a sela...
No Luso, houve água do Luso à discrição... «Tudo bebeu, minha gente», - mesmo aqueles que não tinham sede. Pudera! Ela era tão boa e de graça! Até nos lembrámos do Borras da Torreira: - «Ai se o mar fosse de vinho!...»
A quarta etapa da nossa viagem terminou em Coimbra, a cidade dos doutores. Como soube bem aquela sombra... e o resto!...
No Castelo do Bode, a água foi muita, e a sede também. Alguns mais ousados, desceram para ver «as máquinas» - e a tia Iria lá estava...
Seguimos para Tomar e depois para Fátima. Eram 21 horas quando chegámos ao Santuário, todos bem dispostos e contentes por nos encontrarmos naquele local bendito, onde a Mãe do Céu parece que deixou o perfume da Sua presença.
É tão bom estar lá!
A viagem de regresso, no dia 13, iniciou-se após o impressionante e sempre comovente espectáculo do adeus a Nossa Senhora, com paragens na Batalha, Leiria e Figueira da Foz.
Não sei; quanto mais vamos a Fátima, mais vontade temos de lá voltar. -X.

- Descrição fiel de uma peregrinação ao Santuário de Fátima nos dias 12 e 13 do mês de Julho de 1957.

sábado, novembro 25, 2006

DEPOIS DA TEMPESTADE




(Para parar, passar o ponteiro do rato por cima da imagem)

terça-feira, novembro 21, 2006

OUTROS TEMPOS... 1767 (1)


... Em tempos idos, os cofres da Fábrica da Igreja de Canelas, não terão andado muito folgados de dinheiro. A freguesia, briosa, apesar de pequena e pobre, confiava nos Juízes para administrar fielmente os poucos mil réis com que podia contribuir para a manutenção do culto. Estes, por sua vez, viam-se e desejavam-se para equilibar o orçamento. O cuidado com as despesas indispensáveis era, por isso, enorme.
Ao sacristão, que tinha por missão imposta pelo contrato, " tocar o sino e fazer o que demais fosse necessário, tal como barrer a igreja, dar ágoa e dar as Avé Marias", era paga, no ano de 1767, a importância de 1.200 réis anuais.
Só em 1782 é que este viu a sua situação melhorada passando a receber 1.600 réis.
Dos nomes dos sacristães, infelizmente não reza a história.
Curiosamente acerca dos juízes da Igreja, faz-se saber que no ano de 1767 assumiu o cargo o Sr. Agostinho Esteves; no ano seguinte, o Alferes André Gonçalves; em 1769, André Domingues; em 1770, o Sr. Manuel Esteves, do Campo da Cruz; Bernardo da Rocha, em 1771; Dr. Manuel João Figueiredo e Carvalho, no ano seguinte; André Domingues, do Cabeço, em 1774; no ano de 1775, António José de Figueiredo e Carvalho; Manuel Esteves, da Aldeia, em 1777; em 1781, Manuel Dias Banqueiro; em 1782, José Domingues, do S. João; António Rodrigues da Conceição, em 1783; Manuel João Martins, 1785 e Manuel Rodrigues Trovão em 1786.

A história desta pequena freguesia escreve-se também com estes pormenores deliciosos e que espero perdurem pelos tempos fora. Não é difícil aos habitantes desta aldeia identificarem a maior parte dos apelidos acima mencionados, mesmo tendo passado já cerca de 240 anos...

sexta-feira, novembro 17, 2006

REFLEXÃO



Deslocando-me para o trabalho, calma e tranquilamente... manhã de invernia... a companhia habitual: RFM.
Sensivelmente às 07h10, entra no ar um anúncio de uma afamada marca de móveis, ao som de uma música de Natal; olhando em redor, um pouco por todo o lado vou deparando com as tradicionais iluminações da quadra, com particular destaque para as casas comerciais.
Tento recordar-me da data de hoje, e encontro finalmente a certeza de que é sexta-feira, 17 de Novembro!
Mas... Novembro? 17?...
E começa aqui a minha reflexão matinal, enquanto percorro, quase sem dar conta, os cerca de 7 Km que ainda faltam.
Vêm-me à ideia os tempos já distantes em que o Natal sabia a Natal; tempos em que esperávamos, com uma ansiedade que não se pode descrever, a sua chegada.
A semana do Natal trazia com ela uma alegria ou uma misteriosa magia que inundavam as nossas almas pequeninas. E, a cada dia que passava, sentíamos verdadeiramente o coraçãozito bater cada vez mais forte.
Era Natal! Quando nos perguntavam qual a época mais linda do ano, era o Natal, claro! Nem sabíamos explicar bem porquê... Falávamos nas luzes, no menino Jesus, nas prendas (tão poucas!), no pai natal, nos chocolates... e sentíamos profundamente o seu significado.
Ficávamos parados em deliciosa contemplação quando, numa ou noutra casa, no deparávamos com um presépio de bonecos de barro e musgo verdadeiro.
Passados alguns anos, toda a magia dessa época, todo o fascínio, desapareceram ficando um natal material e desumanizado, que o comércio impõe e teima fazer começar em Novembro, aniquilando irreversivelmente aquela misteriosa atmosfera que envolvia o nosso (dia de) Natal.
E lá vem novamente aquela nostálgica saudade de quando o Natal acontecia mesmo, já Dezembro de nós se despedia...

PS. A menção aqui feita ao Natal deve ser entendida sob uma perspectiva humana, uma vez que o Natal tem uma outra dimensão - a cristã - sobre a qual não foi minha intenção hoje referir-me.




quinta-feira, novembro 16, 2006

ACTUALIZAÇÃO




Decidi hoje actualizar o layout do Blog, dando-lhe um aspecto menos pesado...
Espero que vos pareça melhor.

terça-feira, novembro 14, 2006

NASCIDOS ANTES DE 1986

Hoje, dia 14 de Novembro, caiu-me na caixa de correio uma mensagem que, apesar de já me ter sido igualmente enviada há alguns meses, me fez voltar no tempo, à medida que a ia lendo. Dessa viagem fica uma certa nostalgia e uma não menos inquietante e teimosa saudade.
Então, sobretudo para aqueles que, tal como eu, encontram no texto uma descrição quase fiel dos nossos "bons velhos tempos", o convite para se deliciarem com o mesmo.

De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípio de 80, não deveríamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas que eram elaboradas à base de chumbo e que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos; não tínhamos frascos de medicamentos com tampas "à prova de crianças" ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas; quando andávamos de bicicleta não usávamos capacetes; Viajávamos em carros sem cintos ou air bags - viajar à frente era um bónus!; bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem; Comíamos batatas fritas e pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas não engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora; partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos por isso; Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pela rua abaixo e só depois do estouro é que nos apercebíamos de que nos esquecemos dos travões; saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes do escurecer; estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso; não tínhamos Play Station ou X Box; Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD ou chat na net; tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar, íamos à rua; jogávamos ao elástico, à Barra e a bola até doía; caíamos das árvores, cortávamo-nos e até partíamos ossos mas sem processos no tribunal; havia lutas com punhos sem sermos processados; batíamos à porta dos vizinhos e fugíamos: tínhamos medo de sermos apanhados; íamos a pé para casa dos amigos; acreditem ou não, íamos a pé para a escola - não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem; inventávamos jogos com paus e bolas; se infringíssemos a lei, era impossível os nossos pais nos safarem: eles estavam sempre do lado da lei;
Pois bem, essa geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre. Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação, e novas tecnologias. Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.

És um deles? Parabéns!
../...

Poderíamos acrescentar ainda um sem número de actividades e brincadeiras que, se hoje as permitíssemos aos nossos filhos, o menos que nos poderia acontecer era acabarmos na barra do tribunal a responder a um qualquer processo por negligência ou irresponsabilidade, ou ainda tentando provar que tínhamos efectivamente condições e capacidade para educarmos os nossos filhos...


segunda-feira, novembro 13, 2006

PROF. DR. MANUEL ANDRADE (2)

Licenciado em Direito na Universidade de Coimbra em 1922, com a mais alta classificação dada a um aluno - 19 valores, Manuel Andrade era dotado de uma inteligência invulgar e de uma memória extraordinária.
Em 1923 foi nomeado assistente na mesma Faculdade e doutorou-se no ano seguinte com a classificação maxima de 20 valores.
Nomeado professor catedrático no ano de 1932, tornou-se num enorme vulto da Jurisprudência Portuguesa e a sua fama correu o país inteiro.
Além de professor foi um Doutrinador em Direito e por variadíssimas Revistas Jurídicas deixou os seus conceituados artigos, para deleite dos leitores interessados. Escreveu também "Ensaios sobre a Interpretação das Leis" e Teoria Geral da Relação Jurídica".
Era tido como o maior Civilista da Península Ibérica e um dos maiores Jurisconsultores Portugueses de todos os tempos.
A sua projecção pelos caminhos da fama não impediu que mantivesse ao longo de toda a vida a humildade e simplicidade que herdou de seus pais.
Não resisto a transcrever um excerto das palavras proferidas pelo então Reitor da Universidade de Coimbra, Prof. Dr. Maximino Correia, por altura do seu funeral, em que representou o Senhor Director Geral do Ensino Superior e das Belas Artes e S. Exª o Ministro da Educação Nacional.

... "é que o Doutor Manuel Andrade, pelas suas altíssimas qualidades de inteligência, de aplicação ao trabalho, de modéstia desafectada e de profunda humanidade, soube, desde sempre, impõr-se à veneração do sDiscípulos, à admiração dos colegas, ao apreço dos seus Mestres e à amizade de todos. (...)
Mas quando, perante um obscuro e complexo problema do Direito, ou a análise minuciosa e profunda de uma obra, então se transfigurava, lhe faiscava o olhar através das suas lentes de míope, numa exposição clara, nítida, torrencial, em que avultavam os tesouros do seu imenso saber.
(...) E sobre tantas e altíssimas qualidades, uma alma sem refolhos, um Homem simples e bom. .../...

Era casado com a senhora D. Lucinda Rosa Gomes de Andrade, professora do liceu D. João III, e pai dos Srs. Manuel António e Maria Domingues de Andrade.
No acto do seu funeral, para o cemitério dos Olivais, fizeram representar-se o Dr. Oliveira Salazar (apesar da sua militância no então Partido de Esquerda Democrática), a Fundação Gulbenkian, o Dr. Azeredo Perdigão, e o prof. Gabriel Pinto Coelho. Esse acto constituiu uma imponente manifestação de pesar e de saudade, nele se integrando muitas centenas de pessoas de todas as categorias sociais.

domingo, novembro 12, 2006

sábado, novembro 11, 2006

PROF. DR. MANUEL ANDRADE


A 11 de Dezembro de 1899 nascia nesta freguesia de Canelas Manuel Augusto Domingues de Andrade. Dito assim, desta maneira, poucos saberão quem foi este homem, de compleição física média, filho de gente humilde e que apenas viveu até aos 59 anos de idade.
Manuel Andrade foi, contudo, um dos mui ilustres filhos que esta terra viu nascer.
A melhor referência à sua biografia encontrei-a no discurso do Dr. Braga da Cruz, Director da Faculdade de Direito de Coimbra, no dia do seu funeral, em 2o de Dezembro de 1958.
O texto é longo, mas de uma riqueza extraordinária para quem quer conhecer o prof. Dr. Manuel Andrade, pelo que me coíbo de efectuar qualquer corte.

"Vão descer à sepultura os restos mortais daquele que foi em vida um dos maiores jurisconsultos portugueses de todos os tempos e um dos maiores Mestres de que a Faculdade de Direito de Coimbra pode orgulhar-se no seu historial: o Dr. Manuel Augusto Domingues de Andrade.
Ao render a derradeira homenagem aos seus despojos, a Faculdade que ele tanto amou e com tanta dedicação serviu, sente em redor de si o luto, o vazio, a desolação e a dor; luto tão negro, vazio tão profundo, desolação tão fria e tão viva dor, que não são para traduzir em palavras mas apenas para chorar em silêncio.
Manuel Andrade foi um Mestre excepcional, destes que cada geração não costuma produzir em duplicado. Reconheceu-o a sua Escola, que a ninguém mais senão a ele, nas últimas gerações académicas, atribuiu a nota máxima de 20 valores em provas de doutoramento. Reconheceram-no os seus discípulos e os seus colegas, que se abeiravam dele como duma enciclopédia aberta, na certeza de encontrar sempre o ensinamento oportuno, a nota marcante ou o argumento decisivo na apreciação dum problema. Reconheceu-o o país inteiro, no seu mundo forense, onde a sua opinião era citada e acatada com uma autoridade e um prestígio que raríssimos, ao longo dos tempos, terão conseguido igualar.
Homem bom, simples, modesto e probo, como a boa gente do povo de cuja cepa nasceu - a sua origem modesta era talvez o seu único orgulho -, Manuel Andrade nunca buscou a fama, nunca procurou o prestígio, nunca forçou a nota da sua presença onde pudesse ser visto e adulado. A fama, o nome e o prestígio é que vieram ter com ele, naturalmente, gradualmente, à medida que o seu saber e a sua obra foram avultando aos olhos dos discípulos, dos colegas e dos profissionais das coisas de direito.
Estudioso incansável, tudo lia, tudo reflectia, tudo guardava na sua memória privilegiada ou nos seus papéis aparentemente desordenados, mas onde sabia ir reavivar, no momento oportuno, velhas leituras ou velhas reflexões. Mas tudo fazia sem alardes; estudava para saber; e estudava desinteressadamente, sem ter em conta se o estudo que fazia podia ser-lhe de utilidade imediata para a lição que estava a preparar, para a obra que andava a publicar ou para o trabalho forense que tinha entre mãos. E foi desse modo - seguindo uma rota que lhe era imposta, sem cálculo, pela sua própria maneira de ser - que chegou a atingir a preparação geral que causava o espanto de todos quantos o abordavam sobre qualquer tema.
É vasto o número dos trabalhos que publicou e entre eles se contam algumas obras primas de literatura jurídica protuguesa dos últimos tempos. Mas o que mais impressiona em toda a sua obra é o que se pressente estar por detraz dela: o poço sem fundo de saber, de onde as páginas publicadas saíram, á maneira de água que transborda, que inunda e fertiliza os terrenos em redor, mas que deixa sempre cheio o poço sem fundo.
Meus senhores:
A cabeça privilegiada vai desfazer-se em pó! O poço sem fundo de saber não mais voltará a transbordar! Mas da vida que acaba de extinguir-se uma grande lição fica que não poderá apagar-se tão cedo da mamória dos homens: a lição de um avida totalmente consagrada à causa da ciência e totalmente votada ao prestígio da Escola que um dia o elevou à cátedra.
Ao serviço da Faculdade consumou os seus dias; ao bom nome da Escola consagrou todo o seu saber, toda a sua rectidão de carácter, toda a sua insuperável honestidade científica. De si próprio se esqueceu, dos seus próprios interesses descurou, para se lembrar da sua Faculdade e para zelar os interesses desta. Que o seu exemplo sirva de modelo aos novos e de incentivo aos que já têm sobre os seus ombros a responsabilidade de manter a continuidade da Escola. Que a uns e outros a sua memória recorde sempre que a vida de um professor universitário é assim que merece ser vivida.
Que a terra lhe seja leve!"

Os seus restos mortais permanecem no cemitério de Canelas desde o dia 1 de Maio de 1964.

terça-feira, novembro 07, 2006

OS CORTEJOS

São ainda uma verdadeira manifestação de puro bairrismo, muito embora longe do fulgor de outrora, quando moças e rapazes espalhavam uma alegria contagiante pelas ruas da aldeia.
Trajados a rigor, tabuleiros à cabeça, deixavam nos ares o som de alegres cantigas enquanto rumavam ao local da arrematação, normalmente o antigo adro da igreja.
O povo saía para ver, saudar e participar. Dia de cortejo era dia de festa!
Todos se sentiam na "obrigação" de colaborar e a rivalidade entre as ruas engrandecia a romaria e fazia render mais a colheita final.
E foi assim que, ao longo dos anos, os cortejos de oferendas empolgaram as gentes desta terra e se tornaram importantíssimos para a realização de grandes obras, tais como as construções da Residência Paroquial, da Sede da Banda e do Pavilhão do Arsenal, da restauração da Igreja e da capela de Santo António, etc.
Os tempos mudam e o som dos tamanquinhos das moças nos paralelos das ruas já não marcam o ritmo das marchas mas, aqui nesta nesta pequena freguesia do concelho de Estarreja, onde habitam apenas cerca de mil e quinhentas almas, a tradição ainda é o que era e todos os anos se voltam a organizar os cortejos.
Em Janeiro haverá o do Menino; e novamente a união e a generosidade deste povo serão uma incontornável realidade, de fazer inveja às grandes freguesias.

Recorda-se aqui uma das muitas marchas inéditas que foram criadas para abrilhantar esses momentos. Não cometerei nenhuma incorrecção se disser que a música ainda está bem presente na memória de muitos. Vamos lá a cantar:

CANELAS
NASCESTE
NAS MÃOS DE S.TOMÉ
POR ISSO
SEU POVO
LHE TEM IMENSA FÉ.

CANELAS
VAIDOSA
P'RA TODOS TENS CARINHO
ALDEIA TÃO FORMOSA
COM PERFUME A ROSMANINHO.

Canelas não tem par,
Quando unida com amor.
Quer agora restaurar,
A casa do seu Prior.

Consegue certamente,
Com a minha ajuda e tua,
Também de toda a gente,
Por isso anda na rua.

Refrão

Sai de casa vem cantar,
E traz muito ou poucochinho,
Se nada mais tens que dar,
Dá mesmo só o carinho.

A Casa Paroquial,
Será sempre das mais belas,
Estando a parecer mal,
Dá um mau nome a Canelas.

(Colaboração de Alcides Rego)

Felizmente ainda se conseguem recolher mais algumas letras, e talvez músicas, desses tempos memoráveis. Importa preservá-las, pois fazem parte do nosso património histórico-cultural.


sexta-feira, novembro 03, 2006

UMA LIÇÃO DE INCONFORMISMO

A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

A 08 de Junho de 1958, Portugal votava para a eleição do mais alto Magistrado da Nação.
Tendo em conta o momento político e as diversas circunstancias criadas pelas vicissitudes do tempo e pela consequente agitação de ideias, previa-se alguma perturbação durante o acto eleitoral.

"A uma campanha eleitoral dominada pelo fragor das palavras, em que tristemente se evidenciaram malquerenças e ódios, em que chegou mesmo a correr sangue, era preciso responder com serenidade, sem ressentimentos ou paixões e apontando ao bem comum."
A.B.
E assim foi. Os portugueses souberam cumprir nobremente o seu dever no exercício do seu direito de voto.
O eleito, foi o Almirante Américo Tomás com 77% dos votos, graças a uma gigantesca fraude eleitoral montada pelo regime.

No concelho de Estarreja, a Situação ganhou em oito assembleias e perdeu numa. E perdeu, precisamente, nesta freguesia de Canelas, que deu ao General Humberto Delgado, 160 votos contra os 78 que recaíram no Almirante Américo Tomás.
Curioso também o facto de 45 eleitores desta freguesia não terem votado, segundo consta e está escrito.

Canelas dava assim uma verdadeira lição de inconformismo, ao apoiar o candidato da oposição ao regime. Sem dúvida alguma, um enorme acto de coragem de um pequeno povo mas um "POVO DE RAÇA", como bem diziam os nossos avós!

Humberto Delgado haveria de ser assassinado nos arredores de Olivença, a 13 de Fevereiro de 1965, juntamente com a sua fiel secretária. Ficou célebre a resposta à pergunta sobre o que faria ao primeiro ministro se ganhásse as eleições: "obviamente, demito-o". Salazar jamais lho perdoou...

quarta-feira, novembro 01, 2006

CNE - AGRUPAMENTO Nº 530

"... mas o melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros. Procurai deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrastes e, quando vos chegar a vez de morrer, podeis morrer felizes sentindo que ao menos não desperdiçastes o tempo e fizestes todo o possível por praticar o bem..."
Baden- Powell
Decorria o ano de 1977 quando dois jovens de Canelas, Armindo Esteves e Alcides Rego, se lançaram no desafio de formar um Agrupamento de Escuteiros na freguesia de Canelas.
Após os primeiros contactos com o pároco da freguesia, o Rev. P.e Ivo Fernandes da Silva, e do seu aval, foi iniciada a preparação dos Dirigentes do que haveria de ser o Agrupamento Nº 530 do CNE.
Foi a 17 de Junho de 1977 que começou a grande caminhada, que viria a permitir, quase um ano depois - a 3 de Junho de 1978 - a realização das primeiras promessas de dois Dirigentes (Armindo Esteves - Chefe do Grupo Explorador - e Rosa Maria Silva - Chefe Adjunto do Grupo Explorador), bem como de um Caminheiro e 14 Exploradores, no dia seguinte.
Arrancou assim oficialmente o Escutismo nesta freguesia. No ano seguinte realizaram-se as Promessas dos restantes Dirigentes (Chefe de Agrupamento, Chefe do Agrupamento Adjunto e Secretário do Agrupamento), bem como de novos elementos - Lobitos, Exploradores, Juniores, Séniores e Caminheiros.
Desde então, este Agrupamento tem mantido a sua actividade ininterrupta, muito contribuindo para a formação dos mais de 300 adolescentes e jovens que por lá já passaram.
Além das actividades locais, os elementos do Agrupamento têm participado em outras de ambito Regional e Nacional, sendo de destacar os diversos Acampamentos Regionais e Nacionais.
No ano de 2002 o 530 (como é conhecido), celebrou os seus 25 anos, que comemorou com a realização de uma exposição ilustrativa de todos esses anos de actividade.
De mãos dadas com a população e instituições da freguesia e fazendo jus ao lema "SEMPRE ALERTA PARA SERVIR", o Agrupamento tem-se revelado como uma excelente escola de formação cívica e moral para as gerações mais novas.
O espírito de aventura e o aprender a "desenrascar-se" em situações adversas, são particulares motivações para que a grande maioria dos jovens adira ao Movimento e lhe dê a pujança que tem.

... E tudo começou no longínquo verão de 1907, quando Robert Baden-Powell juntou um grupo de 20 rapazes e com eles fez o 1º acampamento escoteiro, na ilha de Brownsea, no Canal da Mancha. Esta realização revelou-se um exito estrondoso. Estava iniciada assim, a criação de um movimento que cresceu de uma forma vertiginosa e rapidamente se espalhou pelos cinco continentes.
Baden-Powell editou em fascículos, no ano seguinte, o seu manual de treino "Escotismo para Rapazes" que logo foi adoptado por milhares de jovens, que procuravam pôr em prática os sábios ensinamentos do grande mestre.
Em Portugal o movimento Escutista envolve actualmente cerca de 75 000 jovens; a nível mundial contam-se já mais de 24 milhões, distribuidos por 150 países de todos os continentes.

"O Escutismo é um Movimento cuja finalidade é educar a próxima geração como cidadãos úteis e de vistas largas. A nossa intenção é formar Homens e Mulheres que saibam decidir por si próprios, possuidores de três dons fundamentais: Saúde, Felicidade e Espírito de Serviço"
Baden-Powell