Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, outubro 30, 2006

quinta-feira, outubro 26, 2006

PÔR-DO-SOL



O pôr-do-sol visto aqui da minha aldeia hoje, dia 26 de Outubro...

terça-feira, outubro 24, 2006

TONINHO FREITES

António Ricardo Afonso de seu nome; "Toninho Freites" ou "Toninho Arrocho", a forma doce com que todos carinhosamente o chamavam.
Uma referência na vida desta aldeia; uma verdadeira lenda viva da (minha) nossa infância, e um coração do tamanho do mundo!
Propositadamente deixo a imaginação divagar até ao encontro desta figura tão querida de todos nós, visita frequente lá de casa... e as palavras perdem sentido.
Uma malguinha e uma "sande" que quase sempre era metida no bolso do casaco, e aqueles olhos meigos brilhavam como estrelas!
Grande! Enorme, o nosso Toninho!

COMENTÁRIOS

Costuma dizer o nosso povo que "o respeito é muito lindo e eu gosto"...
Vem isto a propósito da onda de comentários gerados em torno do post sobre o Arsenal.
Ao ter decidido permitir a publicação de comentários aos post's do Sem Rumo, pretendi que todos os visitantes do Blog, sem excepção, pudessem manifestar a sua opinião, fosse ela concordante ou em desacordo com o que aqui vou trazendo.
Acontece porém que, como já referi anteriormente, alguns comentários não estão de acordo com as regras que a mim próprio imponho quando quero expressar a minha discordância relativamente a determinado assunto, podendo mesmo ser considerados ofensivos.
É possível entre pessoas civilizadas, acontecer o debate são e profícuo de ideias, sem se recorrer a atitudes ou discursos ofensivos para quem quer que seja. É por aí que se começa a perder a razão e, tal como também já mencionei em outra ocasião, o respeito por este Blog passa pelo respeito por todos os que nele participam.
Servirá isto para quem entenda que deve servir.
Um abraço a todos.


domingo, outubro 22, 2006

ALERTA PÚBLICO


O que se temia aconteceu!
A contaminação das águas das fontes do Tanque do Nora e da Azenha do Conde aí está!
Os Blogs - os amaldiçoados Blogs, Notícias da Aldeia e Sem Rumo - várias vezes gritaram que nos estavam a envenenar o que de mais rico por aqui havia: os solos e a água.
Os recentes resultados das análises efectuadas à água das fontes acima mencionadas, são claramente elucidativos da relação existente entre a contaminação da água e as descargas das lamas. Senão vejamos:
A quantidade detectada de Coliformes Totais, Coliformes Fecais, Escherichia coli, Estreptococos Fecais e Esporos Cl. sulfito redutores, não cumpre os parâmetros determinados pelo Decreto-Lei nº 243/01. O mesmo é dizer que, quem beber da água da Azenha ou do Tanque do Nora, está a ingerir-se parte do produto que os "amigos de Gaia" deixaram nos seus quartos de banho. E não se pense que esta é uma questão que por aqui se fica.
Para os mais distraídos se informa que, Coliformes fecais, são bactérias que causam doenças, tais como: febre tifóide, desinteria, gastroentrite, hepatite infecciosa e cólera.
Quanto à Escherichia coli, trata-se de uma bactéria bacilar que tem como por habitat o intestino humano e pode activar, de forma desproprcionada, o sistema imunitário e a vasodilatação excessiva que pode levar ao choque séptico e mesmo à morte, em caso de septicémia (infecção geral grave do organismo por germes patogénicos).
Os
Estreptococos fecais, são bactérias patogénicas que estão presentes no trato intestonal de animais de sangue quente. A sua presença na água é indicadora de poluição fecal.

Para quem conhece, a fonte do Tanque do Nora, por sinal a que apresenta um índice mais elevado de incumprimento, fica a poucas centenas de metros dos terrenos das Marridas onde foram depositas centenas de toneladas de lamas. As primeiras chuvas se encarregaram do resto. Algém se surpreende com o resultado? Estou certo que não.

Mas...
...o processo está em investigação; as análises às lamas ainda não são conhecidas; as ditas ainda lá continuam - algumas já foram incorporadas nos terrenos agrícolas; as chuvas continuam e a contaminação é irreversível... nesta terra que querem matar lenta e silenciosamente. A ambas as fontes acorrem com frequência, pessoas desta e de outras freguesias. A Junta de Freguesia, segundo informação que recolhi, vai proceder à colocação de placas indicadoras de água imprópria para consumo.

Entretanto, pede-se a todos os que por aqui vierem a passar, a divulgação desta preocupante situação:
NÃO CONSUMAM ÁGUA DESTAS FONTES, PELA VOSSA SAÚDE!

sábado, outubro 21, 2006

JOGOS FLORAIS DA RIA DE AVEIRO

Organizados pelo jornal "Boletim de Canelas", e patrocinados pela Fábrica Aleluia, de Aveiro, realizaram-se na nossa terra, no dia 6 de Dezembro de 1959 os primeiros Jogos Florais da Ria de Aveiro.
O Júri, constituído pelos Srs. Dr. Fernando Gomes, Presidente da Câmara Municipal de Estarreja; Dr. Albino de Sá, médico de Canelas; Dr. Soares da Graça, Conservador do Registo Civil de Estarreja; Director Escolar de Aveiro, professor Boaventura Pereira de Melo; e Inspector Gomes dos Santos, poeta, de Arrancada do Vouga, entendeu que as melhores quadras do certame eram as seguintes:
1- Se foi Jesus quem pintou
Esse azul que a Ria tem,
Com certeza o copiou
Dos olhos da Virgem- Mãe.

2- Teu nome quero gravado
Com a aleluia dum beijo,
Em azulejo «ALELUIA»
- Aleluia de azulejo!...

3- Mão de Deus, mão benfazeja,
Faça o que peço a rezar:
- De Portugal, uma igreja;
- De Canelas, um altar!...

4 - Entre o Vouga e o Antuã,
Canelas nasceu um dia.
Aveiro deu-lhe por berço
Um canal da sua Ria.

5 - São Tomé, p'ra acreditar,
Desceu do Céu a Canelas;
E resolveu cá ficar,
Ao ver tantas coisas belas.

6 - Chorou a Virgem Maria
Uma lágrima no Céu.
Foi daí que nesse dia
O Rio Vouga nasceu.

7 - Disse ao Vouga a minha mágoa,
Saudades de alguém no mar.
Foi minha dor com a água
E a água foi-lha levar.

8 - Prados verdes, mar franjado,
Salinas, um moliceiro
Lindo postal ilustrado
Das maravilhas de Aveiro

9 - Vi a lua docemente
Entre as águas mergulhar;
Já pensava que era a Ria
Que estivesse a comungar...

10 - No coração Ilhavense
Anda a saudade do mar,
Como o búsio anda sempre
Das vagas o marulhar.

O organizador deste evento foi o então prior de Canelas, P.e Reinaldo Matos, que na elaboração do respectivo Regulamento limitou os temas a versar, a quatro assuntos: a Fábrica Aleluia, Canelas, O Vouga e a Ria de Aveiro.
Apresentaram-se a concurso 804 quadras vindas de todo o país. Posteriormente foram seleccionadas 200, para figurarem no livro "Cancioneiro da Ria de Aveiro", editado ainda em 1959 pelo mesmo P.e Reinaldo.

quarta-feira, outubro 18, 2006

ARSENAL DE CANELAS

Abaixo se publica uma carta, a pedido da Direcção do Arsenal de Canelas. Aproveito a oportunidade para fazer uma referência e um pedido de contenção relativamente à forma, imbuída de uma certa agressividade, que por vezes transparece em algum comentário. O espaço que aqui se proporciona a todos para que livremente possam expressar a sua opinião, não deve ser transformado em local de brejeirice, que em nada dignificará o Blog. Todas as opiniões, comentários ou sugestões são vistos e registados com muito agrado pelo autor do Sem Rumo, desde que dentro dos limites do que é considerado razoável.
Ao mesmo tempo, expresso o meu agradecimento a todos os que se têm mostrado interessados e cooperantes. Este espaço é vosso.
P.f.: Clicar no documento para ampliar.
Depois de abrir uma nova janela, voltar a clicar no documento para ampliar mais.

SEDE DA BANDA

O mês de Março do ano de 1965, trouxe uma grande notícia a todos os Canelenses: foi, finalmente, tornado público o pagamento do montante em dívida ao construtor da Residência Paroquial. E foi-o nestes termos:
"(...) Deste modo, e com as ofertas ultimamente recebidas do Sr. Manuel Tavares Bracinha e duma anónima, totalizou-se a importância de 214.482$70, perfeitamente igual à totalidade despendida com a magnífica obra".
7 de Março de 1965


Esta pequena e humilde terra conseguia, horadamente, vencer mais uma enorme batalha e poderia agora "descansar" um pouco do esforço dispensado a esta realização.
Mas o coração de um bom povo tem sempre mais e mais...
A freguesia, atenta às necessidades de uma colectividade tantas vezes apelidada de ser "a menina dos seus olhos" - a Banda - lança-se em novo desafio.
E vai daí, numa altura em que ainda festejava o seu centésimo aniversário, a Banda Bingre Canelense, recebe de presente a promessa de uma casa nova.
E foi assim que, passados apenas nove meses sobre a liquidação da dívida relativa à construção da Residência, - a 30 de Janeiro de 1966 - se realizou a benção da primeira pedra para a construção da nova sede da Banda Bingre Canelense.
"Estão, portanto, oficialmente, iniciadas as obras..." - noticiava o Boletim de Canelas.
Foram formadas uma Comissão Executiva e uma Comissão de Honra para ajudar a levar a bom porto mais esta gigantesca tarefa.
Com o maior respeito por todos os que já não se encontram entre nós - e são já a maioria - aqui ficam os respectivos nomes:
Da Comissão Executiva: Srs. Aníbal Borges da Costa, Ernesto Albano de Castro Valente, Aníbal Nunes Beirão, António Pires de Oliveira Rego, António Alexandre Coelho de Moura e José de Aguiar de Pinto Valente.
Da Comissão de Honra: D. Aurora Sousa Vieira, D. Maria Irene Tavares Bracinha, Dr. Alberto Nunes Pires, Dr. Albino Reffoios e Sá, Dr. Albino de Sá, Dr. Alexandre Lucena e Valle, Arlindo Domingues das Neves, Coronel Ângelo Tavares da Silva, Antero da Silva Pinto, P. António Domingues de Andrade, P.e António Maria Domingues da Fonseca, Dr. António Lucena e Valle, Armando da Silva Cascais, P.e José Reinaldo de Sousa e Matos, Artur Baptista Beirão, Major Artur Beirão, Artur das Neves, Camilo da Silva Rego, P.e Ernesto Domingues, Dr. Ernesto Domingues de Andrade, Capitão Joaquim Dias Valente, Dr. Jorge Vieira, Dr. José Alexandre Lucena e Valle, P.e José Luciano Alcobia, Dr. José Joaquim Moreira Braga, Júlio da Fonseca, Dr. Luis Manuel Lucena e Valle, Dr. Manuel Dias de Andrade, P.e Moisés Amaro, Eng.o Norton de Matos, Salvino de Matos, Engº Salvino de Matos e Comandante Virgílio Rodrigues da Cruz.

Estes verdadeiros timoneiros, chamaram a si a responsabilidade de trabalhar afincadamente para que o objectivo fosse conseguido.
A 11 , 18 e 25 de Setembro, realizaram-se, com grande animação e proveito, os Cortejos das Colheitas que reverteram a favor das obras. Por esta altura a Campanha para a Sede tinha conseguido já 178.974$60.
Um a um, os Canelenses iam respondendo ao apelo das Comissões e a obra crescia. A 2 de Abril de 1967 tinham sido já amealhados 258 contos de reis e avistava-se já o fim das obras!

Sábado, 29 de Abril - às 08h00, içar das bandeiras e concerto pela Banda Bingre Canelense; às 15h30, recepção às entidades oficiais; às 16h00, inauguração e sessão solene; às 18h00, concerto musical pelas bandas Visconde de Salreu e Bingre Canelense; às 21h30, serão para Trabalhadores, pelo elenco da delegação da FNAT do Porto, seguido de dança com a colaboração do conjunto Alamo, de Lisboa.
Domingo, 30 - às 9h00, saída da Banda Bingre Canelense em homenagem aos associados e a agradecer ao povo de Canelas a contribuição dada; às 14h00, torneio de ténis de mesa; às 15h30, festa dançante pelo conjunto Alamo; às 21, concerto musical pela Sociedade Musical e Harmonia da Pinheiro da Bemposta e Banda Bingre Canelense.

Tinham passado precisamente 15 meses desde a colocação da primeira pedra!
Inexplicável, a capacidade de transcendência deste povo que, logo a seguir se haveria de lançar de corpo e alma às obras de beneficiação da sua igreja...
Tal como dizia um membro da Comissão de Honra - P.e António Fonseca: AH CANELENSES D'UMA CANA!
(Obrigado Alcides por me trazeres à memória esta expressão tão grandiosa e tão profunda)

A Banda Bingre Canelense tem um percurso notável, de prestígio e grandiosidade. Não traçarei aqui as páginas da sua história uma vez que a mesma pode ser consultada no Notícias da Aldeia, do companheiro Abel Cunha. A todos os interessados no conhecimento do historial da Banda: queiram fazer o favor de se dirigir |Aqui|.

terça-feira, outubro 17, 2006

TELEVISÃO

Em 1956 Portugal assistia pela primeira vez à transmissão de um programa de televisão, ainda que em fase experimental. As emissões regulares tiveram início a 07 de Março do ano seguinte e, a partir daí, um pouco por todo o país começaram a aparecer os velhinhos aparelhos a válvulas.
Caixinha mágica para muitos, assustadora para outros, seja como for e a pouco e pouco, ela foi ocupando o seu lugar nas nossas casas.

Em Janeiro de 1959, a televisão chegou a Canelas!
O Sr. Otílio Domingues Correia, do Cabeço de Baixo, teve a honra de ser o primeiro.
E, logo ali, as tardes de domingo passaram a ter outro encantamento, sobretudo para a criançada da aldeia.
Uns, tentando descobrir como é que as pessoas estavam lá dentro; outros simplesmente rendidos à maravilha do nunca visto, nem uma palavra; outros ainda, desconfiados de que aquilo não era "coisa boa" ficavam mais à distância...
Naquele tempo, pediam-se à mãe dois tostões "para ajudar a pagar a luz" e compravam-se rebuçados, que o Sr. Otílio também vendia.
Algum tempo volvido e vencida alguma resistência inicial, era ver a muidagem mal acabada de almoçar, a correr em direcção à loja da "tia Olinda" (Olinta de seu nome verdadeiro) para apanhar os melhores lugares.
À volta da televisão, daquela televisão de um canal só, muitas tardes de domingo se passaram e muitas histórias se poderiam contar...

domingo, outubro 15, 2006

UMA TARDE DE DOMINGO

Folheando alguns números de "O Boletim de Canelas", deparei-me com um texto magnífico, essencialmente pela capacidade de o autor através das palavras nos mostrar tão claramente e através de uma descrição maravilhosa, a beleza de

UMA TARDE DE DOMINGO

Passamo-le entre os muros do quintal da nossa casa.
Esses dois palmos de terra, carinhosamente arroteados, com duas árvores de fruto, dadivosas, e com alguns pés de vinha, que este ano só nos ofereceram a secura dos seus cachos, foram o lugar minúsculo e tranquilo donde partimos para imaginárias digressões.
Foi um a tarde outonal, recostados na macieza de uma poltrona.
A imaginação veio ter connosco e convidou-nos a acompanhá-la. Deixamo-nos ir com ela por este Minho soalheiro, de prados e vessadas. Transpusemos vales atapetados de irisada vegetação, atravessams águas espelhantes, subimos a aridez das encostas, chegamos aos píncaros dos montes, e neste peregrinar de devaneios, percorremos o rude e o belo da natureza que começa a transformar-se na mutação bucólica do Outono.
A imaginação é, por vezes, o modo de compensar o que a realidade teimosamente não nos dá. Enquanto se vive no domínio do imaginar, temos a sensação da conquista, e isto é também uma maneira de apaziguarmos o alvoroço das nossas ambições e de esquecer revoltas íntimas que muitas vezes se sentem perante a impossibilidade de concretizar as nossas mais modestas aspirações.
(...)
/ / /


Porque a imaginação e o sonho deixaram de ser uma «realidade» na vida do pensamento, o homem se enterra cada vez mais no visgo da materialidade, e esta é, como se vê e se sente, em todas as manifestações da vida social, a suprema concepçãp do existir.

/ / /

Nessa tarde de Outono, partindo dos estreitos limites do quintal da nossa casa, depois de ter lido as magníficas páginas de D. António da Costa, da sua obra esquecida, intitulada «No Minho», e tendo por companheira a doçura da imaginação, vivemos horas em que olvidamos injustos antagonismos e férreas asperezas do cotidiano viver.
Precisamos de um pouco de fantasia para poetizarmos a existência (tão carecida do sonho benéfico e estimulador), a existência que nos esmaga e acabrunha, e termos a sensação de gozar um pouco da sua beleza.
Desta forma saltaremos as barreiras do realismo, tantas vezes negativo para os anseios da alma de cada um de nós.

15 de Outubro de 1961 - Assinado por VELÍRIOS


quinta-feira, outubro 12, 2006

ARSENAL (continuação)



Vencida a grande batalha que foi a construção do pavilhão, a juventude encontrou finalmente as condições que ambicionava, para a prática do desporto.
Importa referir que, a par da construção do edifício, e mercê de uma excelente planificação e acompanhamento, a área desportiva foi igualmente sofrendo um assinalável desenvolvimento que, a partir de certa altura deixou de caber entre portas, para atingir níveis alguma vez imaginados pelos fundadores da Associação.
O Arsenal ofereceu aos jovens e não só, a prática de Futebol de 5, Futebol de salão, Futsal, Ginástica, Atletismo, Ping-pong, Andebol e Corridas em Patins, tendo sido esta última modalidade a responsável pela projecção internacional do clube.
Fica para a história que
"No dia 12 de Fevereiro de 1994 o ADAC participa pela primeira vez no Campeonato Nacional de Corridas em Patins que se realizou no parque de estacionamento do já velhinho Estádio da Luz, em Lisboa, era então treinador o Sr. Raúl Veloso.
Logo aqui o Arsenal de Canelas demonstrou que no futuro teria uma palavra a dizer nesta modalidade de corridas em patins, pois nesta mesma prova, teve três atletas medalhados nos 1º, 2º e 3º lugares, sendo respectivamente, a Diana Santos, o Dário Dias e a Joana Macedo".

In- Arsenal de Canelas - 25 anos
Daí para cá, são quase incontáveis as participações em Campeonatos Regionais, Nacionais de Pista, Estrada e Indoor, Torneios nacionais e Internacionais com particular destaque para um Campeonato da Europa disputado em Itália, para os Torneios internacionais de França e Bélgica e ainda para um Campeonato do Mundo que teve lugar no Chile em representação da Selecção Nacional.
A par com estas participações, os vários títulos de Campeões e Vice-Campeões Nacionais e Regionais e os títulos arrecadados "à mão cheia", conforme se pode ler de quando em vez na imprensa e dos quais é testemunha uma sala repleta de troféus.
Tornava-se então necessária a construção de uma pista de treinos, de acordo com o alto nível alcançado pelos praticantes da modalidade. No final do século passado também esse anseio foi realizado e hoje as equipas de patinagem têm ao seu dispor uma excelente infra-estrutura.
Mas, para além de servir os atletas do clube, o Pavilhão sempre esteve de portas abertas às instituições da freguesia, do concelho e não só, sendo de destacar a Cerciesta, a EB1 de Canelas, a RVR, a Associação de Patinagem de Aveiro, para além de diversas colectividades e grupos de amigos que aqui se deslocam para praticar o seu desporto.
O pavilhão tem hoje uma taxa de ocupação em horário pós laboral e aos fins de semana, muito próxima dos 100%. Por ali passam mensalmente muitas centenas de jovens e menos jovens procurando dar sentido à velha máxima "mente sã em corpo são".

O Arsenal, mercê de uma gestão rigorosa dos seus recursos e equipamentos, não representa hoje, contrariamente ao que se possa pensar, qualquer significativo encargo para a população de Canelas e sua Junta de Freguesia que contribui anualmente com a atribuição de uma pequena verba de apenas algumas dezenas de euros, tal como o faz em relação às outras instituições. Quanto à população, fica-se pelos tradicionais cortejos - um sinal ainda vivo do tal bairrismo - e que acontecem de dois em dois anos. Coisa pouca para uma instituição que tão bem e sadiamente sabe ocupar a nossa juventude, proporcionando-lhe o desenvolvimento físico hoje, mais que nunca, reconhecidamente tão necessário.
Julgo ser pacífico que nem todos os investimentos são feitos para que deles se tirem dividendos financeiros e este é, para mim, um paradigma a seguir e a preservar, porquanto é sinal de um são desenvolvimento e ocupação correcta dos tempos livres. Daí que não possa considerar-se como sendo feito "a fundo perdido"...
No limiar dos seus 30 anos de vida, importa honrar a vontade, o querer, o dinamismo e a entrega de todos quantos contribuiram ou contribuem para que o Arsenal seja hoje uma bandeira desta terra e, acima de tudo, esta agradável realidade ao serviço da nossa juventude.


quarta-feira, outubro 11, 2006

A MOCIDADE - 1958


Em 1º plano: Alcides F. Rego, Ezequiel Arteiro?, António Virgem e Manuel da Crisanta;
Em 2º plano: (?), Lurdes do Israel?, Maria Albina, Cidália Rego, Otelinda Macinhata, Maria Alice, (?), Alcina Domingues, Lúcia Andrade, Lurdes do Reinaldo, Alice Ivone e António Cristóvão;
Em 3º plano: António Simões, Jesus Valente, José Nunes, António F. Rego, Vitória da Fonte, Amândio Simões, José Resende, Reinaldo Vicente e (?).

Encontrada a identificação de quase todos os elementos do Grupo, aqui ficam os seus nomes, na esperança de que ainda venha a ser possível encontrar os que faltam. Recentemente surgiu também a possibilidade de aparecer a fotografia original que aguardo com ansiedade, pois estará certamente em muito melhor estado de conservação.
Esta mocidade de Canelas foi, sem sombra de dúvida, uma geração de ouro que enfrentou verdadeiros e enormes desafios pela sua dedicação e pelo amor à sua terra.
Às suas récitas acorria grande parte da população e, embora as condições para os ensaios e apresentações fossem tão precárias, há notícia de que, devido à qualidade dos números apresentados, havia quase sempre garantia de casa cheia.
As actuações começavam, invariavelmente, pela apresentação de uma Marcha dedicada a Canelas e cuja letra traduzia o bairrismo puro, a vontade e orgulho de ser Canelense.
A música e a letra ainda pairam no coração e nas gargantas de muita gente, mercê do sentimentalismo que traduziam e que nem o tempo conseguiu apagar... até hoje.

Canelas, lindo cantinho,
Que verdeja ao pé da estrada
Terra de grandes poetas,
Minha terra, minha amada.

Refrão
TERRA DE SONHO, NÃO HÁ IGUAL
LINDO CANTINHO DE PORTUGAL.
AS RAPARIGAS SEMPRE A CANTAR
SAEM E VOLTAM COM O LUAR.

Ao longe, muito ao longe
Por entre pinheiros s'alveja
Minha alma te abençoa
Canelas, bendita seja!


terça-feira, outubro 10, 2006

RESIDÊNCIA PAROQUIAL- 2

RECORDANDO...
"A recente inauguração da Residência Paroquial de Salreu boliu com os brios dos Canelenses que a presencearam ou dela tiveram circunstanciada notícia. Todos se sentiram, mais ou menos diminuídos ao verificarem que, apesar de ter começado primeiro a tratar de semalhança realização, a sua terra natal havia ficado de resto. Na verdade, Canelas é agora a única freguesia do concelho desprovida de casa para o pároco, o que a inferioriza perante as demais, além de pôr em risco a sua autonomia paroquial."
in Boletim de Canelas, 14 de Setembro de 1958

O dinheiro arrecadado até esta altura, somava a importância de 77.235$00.
E é a partir daqui que a Campanha para a Residência Paroquial sofre um impulso determinante. Feridos no seu brio, os Canelenses arregaçaram as mangas e, apesar das dificuldades inerentes à época, devido à falta de qualquer indústria, comércio ou outra actividade geradora de riqueza, uniram esforços e o ano terminou com um saldo de 95.562$00.
Em finais de 1959 - passado um ano - e com 117 contos de reis em caixa, é feita a planta e o caderno de encargos e, a 14 de Dezembro, a Comissão do Culto contrata com o Sr. Manuel Barreira, do Campo da Cruz, e por 128.500$00, a construção da Residência Paroquial de Canelas, tendo o prazo para a construção sido estabelecido em 9 meses a partir dessa data.
Mercê de "alguns aumentos julgados por necessários e, tendo em consideração que o mau tempo não permitirá o seu acabamento na data prevista, a Comissão do Culto deliberou adiar para o dia 1 de Janeiro próximo a inauguração que se havia anunciado para 21 do corrente, dia do Padroeiro São Tomé". (Dezembro de 1960)
Novamente adiada devido ao mau tempo, foi dada notícia da mesma "em definitivo para o próximo dia 15 deste mês, se Deus quiser, pelo Sr. Bispo de Aveiro.
Sua Exª Rev.ma celebrará a Missa do dia, às 10 horas, e seguidamente fará a inauguração da casa, que ficará aberta ao público, até às trindades. O Sr. Prior tenciona começar a habitá-la no dia 17, ao meio dia".

Inteiramente custeada pelo povo, a construção da casa paroquial e anexos, mais a compra do terreno, importaram em 214.582$70. À data da sua inauguração faltavam ainda obter 65.357$60 - uma verdadeira fortuna para a época.

Uma vez mais, o povo humilde desta terra aqui fez história pelas suas próprias mãos. História construída de pequenos episódios, deliciosos de recordar agora que o tempo se encarregou de os cobrir com uma leve poeira de nostalgia...
A eles virei brevemente - como se anunciava aquando da inauguração - ... se Deus quiser.

domingo, outubro 08, 2006

ARSENAL - UM SALTO EM FRENTE!

"Aos 22 dias do mês de Agosto de 1978, reuniram-se no salão da Banda Bingre Canelense, amavelmente cedido, as pessoas abaixo indicadas, as quais se comprometeram a formar entre si, uma Comissão Fundadora, com o objectivo de constituir um grupo desportivo na freguesia de Canelas.(...)"
Livro de Actas - Acta nº 1
E foi assim, desta forma simples mas determinada, que foi lançada a primeira pedra para a construção do grupo desportivo que, a partir do dia 24 do mesmo mês de Agosto e após acto eleitoral realizado para o efeito, se passou a designar de
ou melhor: ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA ARSENAL DE CANELAS

Era o início da concretização de um sonho que pairava no espírito da juventude de Canelas que, quando queria jogar à bola, o tinha de fazer nos campos de trigo após a ceifa, ou nas ruas da freguesia, onde os vidros das janelas vinham quase sempre ao encontro da bola...

" Malandros! Mandriões! Ah sacanas! Não vos dão que fazer! Ai se vos apanho!.."
Não apanhava. Passados dois segundos a rua ficava deserta. Ficavam no ar apenas a gritaria por causa dos vidros partidos e uns punhos ameaçadores, tantas vezes virados para o lado contrário. De nós, "nem fumo"!

Iniciados e assegurados os procedimentos legais que se impunham, a Junta de Freguesia aprestou-se a ceder um pequeno terreno que possuia na rua do Ribeiro. Compraram-se mais dois e começava então a materializar-se o tal sonho da preparação de um recinto desportivo.
Elaborado o projecto, veio o primeiro revés: a Direcção Regional de Agricultura, não autoriza a construção naquele local.
Novamente a Junta de Freguesia se apronta para, em troca desses terrenos, ceder outro, sirtuado na zona da Bandulha - hoje rua prof. Dr. Manuel Andrade.
Para lá se transferiram, custosamente, todos os sonhos e ambições.
Em Janeiro de 1981, sem dinheiro em caixa mas com aquela fé que faz dos homens grandes Homens, iniciam-se as obras de terraplanagem do recinto. Formam-se então diversas Comissões para angariação de fundos e o que era um mero sonho, transforma-se a pouco e pouco, num projecto gigantesco e, porque não dizê-lo, assustador, para a dimensão desta freguesia.
A 30 de Maio de 1982 é anunciado, em acto solene, o lançamento da primeira pedra da construção de um Pavilhão Gimnodesportivo, cujo recinto de jogo haveria de ter as dimensões máximas aprovadas oficialmente.
Da primeira fase consta a construção do recinto desportivo descoberto, balneários e casas de banho. A obra não mais havia de parar mercê dos donativos individuais dos Canelenses, emigrantes e outros, e das ofertas de diversos materiais de construção que aqui chegaram vindos de diversas empresas do concelho e do distrito.
Fizeram-se cortejos, peditórios, rifas. Colocaram-se mealheiros nas lojas da freguesia e muito mais!
Por esta altura - estava-se em Junho de 1984 - foi preparado e editado um boletim a que foi dado o nome de "Arsenalista" e que procurava informar a população de tudo o que se passava "dentro de portas" do Arsenal , uma atitude de lealdade e transparência para todos os que se afirmavam como suporte da obra.
As reuniões dos Corpos Sociais continuavam a realizar-se no salão da Banda até que,

"Ao oitavo dia do mês de Junho de mil novecentos e oitenta e quatro reuniu, como habitualmente às sextas-feiras, a direcção do Arsenal.
Numa atmosfera nova e ao mesmo tempo envolta por uma nuvem de alegria, esta reunião foi efectuada numa das salas das nossas instalações desportivas, sitas na rua prof. Dr. Manuel Andrade."

Livro de Actas - Acta nº 145

Concluída então a primeira fase, outra não menos gigantesca se seguia: a construção das paredes, bancadas, cobertura, etc.
Para tal, foi determinante a candidatura ao financiamento da obra, apresentada à Direcção Regional do Ordenamento do Território e que resultou na sua cobertura em 60%.

A 23 de Junho de 1991 foi, finalmente, inaugurado o Pavilhão. Tinham passado quase catorze anos sobre a data da primeira reunião...
Pelo meio ficaram mil histórias, momentos de aflição, preocupações, horas e horas de dedicação e tantas vezes de amargura, que ficam para sempre a unir os tijolos desta construção.
Uma vez mais, Canelas fazia "figura" por todo o concelho e arredores.
É a memória deste povo, destas pouco mais de mil almas, habituadas a arrancar com o suor do rosto, aquilo de que precisam, que é justo perpetuar.

Canelas sonha, Canelas quer, Canelas tem!

PS. Ocupar-me-ei a seguir do ascpecto desportivo, da construção da pista de patinagem e do poli-desportivo.



sábado, outubro 07, 2006

HOMENS NO LIMIAR DA HISTÓRIA

Há dias tive a felicidade de me ser oferecida - o meu reconhecimento à pessoa que teve essa amabilidade para comigo - a cópia de um livro de poemas do P. Reinaldo Matos. Poemas das Ondas, assim se chama, é uma magnífica colectânea, da qual apenas foram editados 130 exemplares. Esta verdadeira preciosidade datada de 1993, já depois da sua morte é, pois, uma homenagem póstuma levada a cabo pela família e amigos, e da qual aqui deixo um dos 125 poemas que a compõem.

ALÉM DO SOL-POSTO

Não alongues os teus passos
Como quem vence montanhas
Com os olhos de águia real.

Mas alonga o teu olhar
Por sobre charcos de lama,
No firmamento estrelado.

Alonga também a alma
E abre o coração em par, -

Para tudo o que é formoso
E vale além do sol-posto.

Massachusetts (USA) - 16 de Julho de 1993

..../....
JOSÉ REINALDO DE MATOS, P.e

Nascido na freguesia de Beduído, Estarreja, a 21 de Março de 1925, aí iniciou os seus estudos primários seguindo depois para o Seminário de Vila Viçosa. Continuou os seus estudos no Colégio dos Carvalhos e depois, nos seminários de Trancoso, Aveiro e Olivais, tendo sido ordenado sacerdote em 29 de Junho de 1950.
Após a sua ordenação foi, durante quatro anos, Capelão do Hospital de Águeda acumulando as funções de pároco de Castanheira do Vouga e de professor no Colégio de S. Bernardo, em Águeda. Em Outubro de 1954 foi nomeado pároco desta freguesia de Canelas, onde permaneceu até Novembro de 1967.
Do seu enorme dinamismo e determinação lembrar-se-ão facilmente todos os que com ele privaram.
Pela sua mão aqui nasce, em 1956, o Jornal da Paróquia " Mensageiro Paroquial"- publicado inicialmente de quinze em quinze dias e que, a partir de 08 de Dezembro de 1957, deu lugar ao "Boletim da Canelas", este já com uma periodicidade semanal e publicado durante 12 anos, (até àdata da sua partida).
Impulsionador inquestionável de eventos culturais, a ele se deve a realização dos Primeiros Jogos Florais da Ria de Aveiro - concurso de poesia - que decorreram nesta freguesia de Canelas, no dia 6 de Dezembro de 1959 e aos quais se apresentaram a concurso 804 quadras. Dessas, duzentas foram, ao tempo, publicadas no livro "Cancioneiro da Ria de Aveiro", de sua própria autoria.
À sessão solene destes Jogos, realizada na escola de Canelas, foi dada uma projecção nacional comprovada pela presença de várias Emissoras de Rádio, e dos principais Jornais Regionais e Nacionais, tais como "O Comércio do Porto", "Jornal de Notícias", "O Século", "Diário Ilustrado", "Diário do Minho", "Diário do Porto", "Diário de Lisboa", etc., etc...
A Construção da residência Paroquial (a que me venho a referir igualmente neste Blog), condição necessária para que a freguesia não perdesse a sua independência eclesiástica, foi outra grande obra levada a bom porto e a que emprestou todo o seu empenho.
Uma outra sua faceta deste homem, reconhecidamente avançado no tempo, e que a muitas pessoas escapa, prende-se com o desenho de casas - actividade a que se dedicou entre 1964 e 1967.
Da sua mão saíram plantas de 32 habitações edificadas em várias freguesias do concelho de Estarreja, em Angeja e também em Loureiro.
Social e politicamente interventivo e discordando em múltiplos aspectos da política civil e eclesiástica de então, decidiu abandonar o país rumando aos Estados Unidos da América, onde fixou residência a partir de Novembro de 1967.
Em Lawerence, arquidiocese de Boston, exerceu as funções de pároco da Igreja de S. Pedro e S. Paulo e rapidamente se afirmou como um líder da significativa Comunidade Portuguesa aí radicada e onde era por todos muito querido.
Encontrou aí, finalmente, o espaço e condições para desenvolver todo o seu talento artístico, que espalhou por mais de mil poemas editados em 29 livros, 1600 pinturas a óleo e diversas composições musicais que frequentemente utilizava para acompanhar os seus poemas.
Considerado uma das figuras mais expressivas da literatura luso-americana, foi alvo da atribuição de diversos prémios e homenagens, dos quais falarei noutra altura. Parte da sua obra figura nas melhores Antologias Literárias Americanas.
Faleceu inesperadamente em 11 de Outubro de 1993 repousando os seus restos mortais no cemitério de Beduído, sua terra natal.

Nos treze anos que intensamente dedicou a esta terra, contribuiu enormemente para que, nesse tempo, por aqui se fizesse História.

sexta-feira, outubro 06, 2006

GRUPO CÉNICO DE CANELAS

"Recomeçaram na sede da nossa Banda e em palco de novo improvisado para o efeito, as récitas em benefício da Campanha da Residência. A primeira foi levada à cena na noite de Natal com a casa cheia, e a segunda ficou marcada para o dia de Ano Bom, estando já passados quase todos os bilhetes, segundo informação de fonte segura.
(...) O grupo cénico constituído na sua quase totalidade por elementos que actuaram na outra época, foi reorganizado e ensaiado pelo conterrâneo sr. Alcides Fonseca e Rego, do Campo da Cruz, que fez a sua apresentação afirmando: ... católicos por nascimento, inteligência e adesão consciente, sentimo-nos constituidos no dever de contribuir com o esforço de que for capaz a nossa mocidade ardente, para manter intactas as tradições católicas da freguesia que nos deu o berço; e, reconhecendo que a conservação da autonomia paroquial na base do ideal que nos ilumina e seduz, não hesitaremos diante dos maiores sacrifícios nem desarmaremos enquanto esta freguesia não tiver preenchido a condição para poder continuar paroquialmente autónoma, independente e livre...
Cheia de assombro e coerência, esta fala da mocidade da nossa terra é uma esperança radiosa, prenúncio de melhores dias; merece acolhimento e respeito porque é uma lição.

A. B. in Boletim de Canelas de 05 de Janeiro de 1958

P. S. A fotografia do Grupo Cénico colocada anteriormente no post "Desafio", foi substituida por outra com ligeiros melhoramentos, com vista à melhor identificação dos elementos desse Grupo.

quinta-feira, outubro 05, 2006

RESIDÊNCIA PAROQUIAL - 1


"Nenhum Canelense terá, nesta altura, o direito de ignorar que a nossa freguesia se encontra em risco de perder a independência, sob o ponto de vista eclesiástico, enquanto não possuir casa própria,para residência do seu Pároco.
Trata-se de uma medida de carácter geral e por isso todas as freguesias que se encontravam em situação idêntica à nossa, como Avanca, Pardilhó e Salreu, além de outras, vêm cuidando a sério do problema da sua residência Paroquial. Será irrelevante e até perigoso alegar que a freguesia é pequena e pobre para poder suportar o encargo da aquisição da residência, pois o argumento serviria apenas para se concluir que não dispõe de condições de autonomia e, portanto, qu etem de ser anexada a outra, o que implicaria o regresso à situação humilhante de que foi libertada pelo esforço dos antepassados e com a qual não estariam de acordo o nosso bairrismo e amor próprio.
Mas a verdade é que há freguesias tão pequenas e pobres como a nossa, por exemplo Fermelã, e ainda mais pequenas e pobres, como Frossos, e tanto uma como outra já têm a sua residência paroquial!
Conseguintemente a questão não é de poder, mas de querer; é essencialmente uma questão de boa vontade. De rsto, é sempre assim: quando queremos podemos; somos pobres, mas costumamos, por exemplo, fazer festas grandes, que não ficam a dever nada, em ruido e brilhantismo, às festas maiores das freguesias ricas.
Temos, pois, que cuidar da residência paroquial, sob pena de nos revelarmos indignos sucessores daqueles que à custa de sacrifícios ainda maiores, nos legaram esta freguesia independente e livre.
Compreendendo essa necesidade, os da Comissão do Culto, em representação da freguesia, comprometeram-se com o Ex.mo Prelado da diocese a dotar Canelas, no prazo de 5 anos, com residência para o Pároco. (...)"

In Mensageiro Paroquial
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"Em conformidade com o compromisso oportunamente tomado por parte desta freguesia com o Ex.mo Prelado da nossa diocese, a Comissão do Culto comprou, no dia 20 de Junho último o terreno destinado à edificação da Residência Paroquial de Canelas. Esse terreno fica situado na Rua Direita, em frente da Travessa Camilo Rego, e pertenceu ao falecido António Pires Pinto, que foi daí. A compra importou em 60.418$50, sendo 60.011$00 o preço do terreno e 407$50 o custo da sisa e escritura. Não foi barato, mas houve competidor até 60.010$00, e a verdade é que se a Comissão não aproveitasse esta oportunidade, dificilmente lhe apareceria outra de adquirir um terreno em tão boa situação para o fim em vista."

In M. P. de 15 de Julho de 1956

--> Nesta data as receitas angariadas somavam a importância de 13.150$00.

No próximo post: a movimentação das gentes e, sobretudo, da mocidade de Canelas em torno deste objectivo.



AO ENCONTRO DA HISTÓRIA

"Nem só de pão vive o homem"; direi: Nem só de desgraças vive esta terra.
Pois bem, um dos motivos que me movem e me fazem trazer aqui, de quando em vez, uma realidade que não desejaria, é a vontade de preservar o que ainda é possível da identidade desta terra e das características das pessoas que fizeram e fazem parte da sua história. Dar a conhecer esse passado nobre com que aqui e ali me vou deliciando, é para mim um orgulho e um prazer.
Perpetuar, desta forma universal, o carácter deste povo que, com determinação e tenacidade se habituou a lutar e a erguer, com as próprias mãos, o património desta freguesia é, para quem ama esta terra, o mínimo que se pode fazer.
E é esta gente simples e humilde que, unida em torno das dificuldades a vencer, as foi superando exemplarmente. Foi assim na hora da construção da Estação do caminho de ferro, da Residência Paroquial, da sede da Banda, do Posto Médico, do Pavilhão Gimnodesportivo, para citar apenas algumas das obras que exigiram maior arrojo.
Não me foi possível viver ao tempo da construção de algumas delas mas, aguçado por aquela vontade de querer perceber melhor o como foi, vou pesquisando por aí e com frequência me deparo com histórias e pormenores verdadeiramente deliciosos e que tão bem caracterizam os Canelenses.
São esses pedaços da história, esse passado riquíssimo, que pretendo trazer aqui e partilhá-lo, com uma pontinha de orgulho, com quem por aqui venha a passar.
Procurarei intervir pessoalmente o menos possível optando, a maior parte das vezes, pela transcrição fiel dos documentos existentes, com a esperança de que vos consiga transmitir o sabor requintado desta Canelas de outrora e que me dá um prazer enorme em saborear...
Certamente que haverá ainda na mente de algumas pessoas, ou em suas casas, referências às memórias desses tempos que merecem ser publicadas, ajudando a tornar este espaço numa homenagem colectiva aos nossos antepassados e, se tiver de, de quando em vez, regressar ao presente, que seja sempre por um bom motivo.

quarta-feira, outubro 04, 2006

UM DESAFIO


Nas minhas indagações pelo que por esta terra contribuiu para a sua história, deparei-me com esta fotografia dos anos 50 colocada numa publicação da altura e, muito embora pouco houvesse a fazer no que diz respeito à melhoria da sua nitidez, não resisti em a colocar aqui, deixando um desafio à descoberta dos nomes do grupo.
Direi apenas, por ora, que foi um Grupo de Música de Canelas, que nasceu para angariar fundos para a construção da Residência Paroquial e que muito contribuiu para esse fim.
Voltarei a este assunto num próximo post.


P.S. Clicar em cima da fotografia para ampliar.

terça-feira, outubro 03, 2006

HOMENAGEM

Celebra-se este ano o 150º aniversário da morte do poeta Francisco Joaquim Bingre. A homenagem que gostava de ver acontecer aqui, nesta minha terra que o viu nascer, vai acontecer em Mira, no próximo dia 4 de Outubro, inserida nas IV Jornadas Culturais.
A passagem de 150 anos, tal como de100, 125, 175, ou 200, é sempre um marco - muitas vezes histórico - sobre qualquer acontecimento. E, sobre a data em que um dos mais ilustres filhos desta terra partiu para o sono dos justos, também o é.
O meu reconhecimento e aplauso à Cãmara Municipal de Mira pela oportuna homenagem e, sobretudo, pelo excelente programa que desenhou para a tarde da próxima quarta-feira. Sem dúvida alguma a merecer uma elevada nota pelo reconhecimento da obra de um imigrante e pela dignidade que o programa encerra. A reter na memória dos Canelenses e não só. Assim se faz História, Cultura e Justiça.
Por estes lados, resta-me que através destas poucas linhas, se vá fazendo também uma singela homenagem por parte de quem se digne a lê-las.
Deixo a seguir o programa que gentilmente me foi enviado por um seu descendente, o Dr. Pedro Bingre, a quem aproveito para agradecer a amabilidade que tem tido para comigo.

PROGRAMA

Dia 04 de Outubro

16h30 - Abertura oficial das Jornadas

17:00 - 150 ANOS DA MORTE DO POETA BINGRE

- Leitura de poemas - Dr. Machado Lopes
- Mira ao tempo do Poeta - Drª Maria Alegria Marques
- A Obra do Poeta - Drª Vanda Anastácio
- Sobre o Poeta e sobre a sua História Póstuma

18h30 - Romagem ao Cemitério de Mira

19h00 - Descerramento de Painel evocativo da Obra do Poeta
- Dr. Pedro Bingre do Amaral (familiar do Poeta)

19h30 - O Pão de Bingre
- A A.M.A.R.G.


O programa das Jornadas Culturais continua nos dias 5 e 6.





domingo, outubro 01, 2006

POETAS DO POVO - Ezequiel Arteiro

Ao passar os olhos pela minha estante onde se acomodam várias obras de consagrados autores, reparo num pequeno livro que ali permanece esquecido no tempo. PALAVRAS QUE EU CANTO de Ezequiel Arteiro.
Não resisto e folheio-o novamente. Há quanto tempo o não fazia!
Foi-me oferecido pelo próprio autor há alguns anos atrás.
Ezequiel Martins Arteiro não nasceu aqui em Canelas, mas é um homem da terra, desta terra. Nasceu em Outubro de 1931 em Beiriz, Póvoa do Varzim e desde tenra idade sentiu a dureza da vida que, precocemente, dedicou à construção civil ao lado do pai.
Quis o destino que no ano de 1951 viesse para Cacia, trabalhar na construção da Fábrica de Celulose, ao tempo designada de Companhia Portuguesa de Celulose. Dois anos mais tarde passou a integrar, como pedreiro, o quadro de pessoal daquela empresa onde trabalhou até à idade da merecida reforma.
É este homem simples, de trato amigável, habituado a ver a vida nas entrelinhas das rimas que faz, que hoje aqui trago através de algumas quadras soltas, por mim seleccionadas, e que tão facilmente nos lembram o outro grande poeta popular que foi António Aleixo.

QUADRAS

Cuidado com certa gente
Que antes da missa e no fim
Vai à sacristia sempre
Falar de ti e de mim.

Não sou na vida quem quero
Mas quero ser como sou,
Ser tão honrado e sincero
Quanto o meu pai me ensinou.

Quem usa nas procissões
Opas que metem cobiça,
Salvo raras excepções,
Não vai ao domingo à missa.

Nunca diga ser honrado
Se come e sempre comeu
Pão, do melhor, amassado
Com o suor que não é seu.

Nunca a terra teve fome;
A fome é que tem a terra
Crivada de quem mal come
Por se gastar tanto em guerra!...

Há muitos ladrões honestos
E honestos muitos ladrões!...
Aqueles, só «roubam» os restos,
Estes, «desviam» milhões!...

Há muito quem passe fome
Porque não tem que comer,
Mas há também quem não come
Com o dinheiro a apodrecer!

Quantas vezes se põe fora
As sobras de certa mesa
Esquecendo-se que mora
Pertinho tanta pobreza.