Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

sábado, setembro 30, 2006

MEMÓRIA DOS TEMPOS

Foi há cinquenta anos, a 6 de Maio.
Pela mão do Revº P.e José Reinaldo de Sousa e Matos, então pároco da Freguesia, nascia em Canelas o Mensageiro Paroquial que, a partir de 8 de Dezembro de 1957 veio a dar lugar ao Boletim de Canelas.
Na primeira página do primeiro número, pode ler-se sob o título "O NOSSO LEMA":
Temos, enfim, a alegria de apresentar à Paróquia o seu jornal privativo.
Foi um sonho lindo que acalentamos durante largo tempo e que hoje, graças a Deus, vemos convertido em consoladora realidade.
O Mensageiro Paroquial propões-se estreitar ainda mais, se possível, os laços de amizade e de boa cooperação, que nos unem, a bem danossa terra.
Para os ausentes - esses membros dispersos da familia paroquial - ele será como uma epístola, sempre desejada e bem recebida, a cada um deles enviada, para que todos possam igualmente sentir, como alguém já disse, o perfume da sua terra ausente.
É com semelhante ideia que vamos atar, todos os quinze dias, em pequenas notícias, este ramalhete singelo de flores de saudade, murchas e desprezíveis, talvez, aos olhos dos estranhos, mas de grande valor estimativo para os canelenses, porque são da casa paterna.
P.e José Reinaldo de Sousa e Matos


domingo, setembro 24, 2006

FRANCISCO BINGRE

A todos os que aqui têm vindo à procura dos sonetos do poeta Bingre:

Devido à vastidão da sua obra que, em meu entender, merece mais do que um post de quando em vez, optei por criar um Blog dedicado em exclusivo à sua divulgação. Podem então ir a Poeta Bingre.

sexta-feira, setembro 22, 2006

DESPEDIDA

Aldeia do meu berço, eu te abandono,
pois em ti nada tenho que me prenda:
De quanto aqui possuia já fiz venda;
Já no terreno teu não sou colono.

Noutro albergue distante, em que sou dono,
Vou restar a decrépita vivenda,
Até que chegue a hora que desprenda
A existência a dormir eterno sono.

Cinzas de minha mãe , que já sumidas
Estais no triste pó da sepultura,
Com as de outros mortais já confundidas,

Aqui vos deixo sós com amargura,
E unir-me vou a outras tão queridas,
Da consorte e dos filhos na mistura!!!

Francisco Bingre escreveu este soneto despedindo-se da sepultura de sua mãe em Canelas.

domingo, setembro 17, 2006

CALAMIDADE!


Indescritível o funéreo quadro a perder de vista. Ao que tudo indica, toda a fauna do Esteiro de Canelas foi barbaramente assassinada.
Um estranho cortejo perfila-se silencioso e imóvel ao longo de um quilómetro e meio.
Vuluntária ou involuntariamnente, fruto de descuido ou motivado por avaria técnica, importa apurar, claro! Mas, mais do que isso, o que verdadeiramente importa é que o Esteiro está morto, tal como vai morrendo, ou se vai matando o que ainda resta da identidade de um povo.
Preocupante é também o facto de hoje ou amanhã, aqui e ali, este processo de desintegração poder continuar a desenvolver-se com a maior das naturalidades.
Por aqui, há quem se envergonhe do passado, quem destrua o presente e, assim sendo, vai-se hipotecando o futuro perante a passividade e o silêncio do povo...
E o silêncio é, em última análise, sinal de morte!



sábado, setembro 16, 2006

ACTUALÍSSIMO!

Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações. A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse. A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
Eça de Queiroz, in 'Distrito de Évora (1867)
Alguém duvida?

PRESO AO CAIS



Abandonado, amordaçado, ali ficou preso ao cais, de onde jamais conseguirá sair, num silêncio mortal, numa agonia fatal.
Quisera libertar-se, dali fugir, procurar outro rio, outro mar, por onde pudesse continuar a deslizar com a suavidade e alegria de outros tempos.
Depressa perdeu a esperança. As intempéries do Inverno e o sol abrasador do Verão encarregaram-se de o ferir de morte.
Tirando a água que o mantinha vivo e em cujo seio bailava serenamente, quiseram apressar-lhe ainda mais o fim.
Porquê? Que mal teria feito a esta gente sem tino?
Porque não o soltaram deixando-o procurar livremente outro destino?...

terça-feira, setembro 12, 2006

O MEU ÚLTIMO GRITO!


JÁ NÃO HÁ PALAVRAS!
AO QUE TUDO INDICA, A EMPRESA QUE FEZ DESTA TERRA A SUA LATRINA DE ELEIÇÃO DE HÁ CERCA DE DOIS MESES A ESTA PARTE, FOI ACONSELHADA A CONSUMAR O CRIME, ESPALHANDO E ENVOLVENDO NOS TERRENOS, AQUILO QUE POR AQUI FOI LARGANDO ÀS TONELADAS.
A MÁQUINA DA FOTO VEIO DE LEIRIA COM A FINALIDADE DE ESCONDER A VERDADE. TRABALHA COM A MAIOR DAS TRANQUILIDADES. EM POUCAS HORAS TUDO ESTARÁ CONSUMADO E COM A AGRAVANTE DE ALGUNS AGRICULTORES AJUDAREM E PARTICIPAREM NESTE VERDADEIRO EMBUSTE!
NO LOCAL EM QUE A FOTO DE CIMA FOI RECOLHIDA, O CHEIRO NAUSEABUNDO MISTURAVA-SE COM UM FORTÍSSIMO ODOR A AMONÍACO!
POR PERTO, NEM UMA ALMA. CANELAS DORME O SONO DA PAZ.
O DEC. LEI Nº 118/2006, DE 21 DE JUNHO, REGULAMENTA CLARAMENTE ESTE ASSUNTO. UMA BREVE ANÁLISE AOS ARTIGOS 4º, 8º, 9º, 11º E 12º (aqui) É SUFICIENTE PARA SE TER A NOÇÃO DA BARBÁRIE PRATICADA E DAS COIMAS QUE LEGALMENTE DEVEM SER APLICADAS.
DEIXO AQUI AS IMAGENS QUE ALGUÉM QUER ESCONDER, E FAÇO UM REPTO A TODOS OS QUE SE SENTEM INDIGNADOS: ENVIEM TODOS OS DIAS UM MAIL À CÂMARA MUNICIPAL DE ESTARREJA COM A MENSAGEM: CANELAS MERECE MAIS! - BASTA CLICAR AQUI.
É ESTE O MEU ÚLTIMO GRITO!

sábado, setembro 09, 2006

HOMENAGEM

Camilo Castelo Branco, tido como exigente julgador dos méritos alheios, conhecedor profundo da excelência dos versos de Francisco Bingre e da sua teimosia em não os divulgar ou publicar dedica-lhe, entre outras, as estrofes que a seguir ouso transcrever.




(...)
Poeta! diz como era lindo
Esse claro céu d'amor,
Não toldado pelas nuvens
Dum desengano traidor!
Que é dos hinos que entoaste,
Que é dos anjos que exalçaste,
Nos teus estos infantis?
Não tens páginas saudosas
Onde vertas copiosas
Bagas de pranto, infeliz?

Rasgaste-as, Bingre, essas folhas
Onde a mão da inocência
Com letras de ouro escrevera
Mais amor que sapiência?
Já não tens esses primores
Onde eram fogo os amores,
Onde era amor o existir?
Não tens impressa na mente
Uma harmonia fervente
Das que inspirava um sorrir?

Dá-nos as páginas d'ouro
Que te não pertencem só;
A tua alma está nelas,
Que o teu cadáver é pó.
Imprime, Bingre, os teus versos
Onde transluzem dispersos
Os teus dias que lá vão;
Lega à pátria, onde sofreste,
Quantas lágrimas verteste
Vitimado à ingratidão.
(...)
E termina desta forma sublime:

Irei, Poeta, ao teu sepulcro
Uma rosa esfolhar...
Na campa, onde o dormir em sono infindo
É repouso final ao que, carpindo,
Esta vida viveu, e alfim, sorrindo,
No céu vai triunfar.

quinta-feira, setembro 07, 2006

REVOLTA, POIS CLARO!


REVOLTA!
É, neste momento, a palavra que pode traduzir, ainda que de longe, o estado de espírito de muitos habitantes desta terra.
Sim, finalmente, hoje já somos muitos atentos à verdadeira dimensão deste assunto. Pode sentir-se isso nas conversas do dia-a-dia, como pode perceber-se o sentimento de revolta que começa a surgir colectivamente.
- Revolta, pelo que nos estão a fazer;
- Revolta pela inoperância das autoridades;
- Revolta pela passividades dos nossos autarcas;
- Revolta porque ninguém - dos que verdadeiramente o podem fazer - parece importar-se com este assunto;
- Revolta, porque pela calada da noite, aqui se continuam a descarregar"benditas" lamas;
Mas será assim tão difícil parar isto?
Afinal, os terrenos onde têm sido depositadas não terão dono? E os donos deram ou não autorização para tal?
E, se os populares sabem que que os camiões continuam a vir e a que horas vêm, como é que as autoridades não sabem?
Mais, será que ainda não se identificou a empresa transportadora ou a empresa que se quer ver livre da porcaria?
Será que tem de ser o povo a parar com isto?
Triste terra esta cujas gentes parecem entregues ao seu próprio destino e que tão má imagem está a dar de si por este país fora...

quarta-feira, setembro 06, 2006

MEMÓRIAS d'outros tempos...

O Jornal de Estarreja de 05 de Maio de 1934 noticiava assim:

Como estava anunciado, realisou-se no último Domingo, a inauguração da Escola de Canellas, que é dum edifício elegante e confortável e que há tantos annos se vinha esperando. Chegou, alfim, o grande dia para Canellas, o dia da sua abertura, e não só para honra dessa terra que tem aspirações ao progresso, e que em breve espera ter novos e grandes melhoramentos, mas para felicidade das criancinhas, que vinham tendo por escola um pardieiro, como acontecera a Fermelã e a tantas outras terras, que agora vão tendo as suas escolas condignas. Estes factos constituem grandes festas, festas de justificada alegria para estes povos. E foi por isso que Canellas esteve em festa no último Domingo, em festa íntima a que o velho "Jornal de Estarreja" sempre dedicado a todas as causas de progresso, sempre propugnador de tão grandes melhoramentos do Concelho, se quis associar. A's 14 horas foram esperados, no Apeadeiro, pelos representantes da Camara, administrador do concelho, sr. dr. António Valente, Junta de Freguesia, Imprensa, Meninos da Escola, e uma banda de música, os exmos Governador Civil e Inspector Escolar, que se faziam acompanhar do inspector adjunto exmo sr. Maia Romão, do Comandante da Polícia, exmo Capitão Quina Domingues, do exmo Alferes-engenheiro sr. Gumesindo da Silva e do nosso collega o "Democrata" sr. Arnaldo Ribeiro, dirigindo-se todos , em cortejo, até à Escola, seguidos de muita gente. Acompanhado de várias pessoas de representação o exmo Governador Civil subiu ao terraço a içar a bandeira da Escola, ao som do Hynno Nacional, sendo dadas vivas à Pátria, à República e a Salazar, que foram enthusiasticamente correspondidos pela multidão que lá em baixo estacionava. A'hora de abrir a sessão, chegou o exmo Major Affonso Lucas, que, apesar do seu compromisso de assistencia a outra escola, não quis deizar de vir até ali, onde recebeu mais uma vez palavras de reconhecimento pelos seus inapreciaveis serviços nesta cruzada sublime de construção de edifícios escolares pelos mais reconditos logares da região.


Infelizmente a marcha do tempo não perdoa, e hoje deste edifício n
ada resta. No seu lugar situa-se actualmente o Posto Médico (foto).




terça-feira, setembro 05, 2006

domingo, setembro 03, 2006

GESTÃO FLORESTAL

Na próxima terça-feira, realizar-se-á na sede da Junta de Freguesia de Canelas, uma reunião de proprietários florestais - uma acção promovida pela Associação Florestal do Baixo Vouga e aberta a todos.
Pode consultar-se o Programa e outros pormenores aqui.
É importante participar.

sábado, setembro 02, 2006

POVO QUE LAVAS...

POVO QUE LAVAS NO RIO
E TALHAS COM TEU MACHADO
AS TÁBUAS DO TEU CAIXÃO.
PODE HAVER QUEM TE DEFENDA,
QUEM COMPRE O TEU CHÃO SAGRADO,
MAS A TUA VIDA NÃO!
.../...
- Pedro Homem de Melo-

Sem querer ser repetitivo, até porque o assunto a que me refiro hoje tem tido o devido tratamento por parte do companheiro A. C., não poderia, no entanto, deixar de fazer uma referência, ainda que breve, ao facto de a minha terra aparecer nas páginas dos jornais.
Ainda mal refeitos de uma negativa imagem e de um negro passado de enormes atrocidades ambientais, que durante tantos anos pairou sobre o concelho de Estarreja, e cuja pesadíssima factura me parece estarmos há alguns anos a pagar penosamente e, quiçá, por aqui tem custado algumas vidas, vemo-nos agora envolvidos em nova situação: uns fulanos resolveram adubar graciosamente os campos de Canelas.
Afinal, ainda há gente de bom coração. E vêm de longe!
Então não é que pagam a máquinas, homens e transportes , vêm de Gaia por aí abaixo e, sem cobrar um "tostão furado" despejam, às toneladas, o "adubo" nos nossos campos?
Certamente terão também informado os proprietários da suprema qualidade de tal fertilizante, das suas características e composição, das análises efectuadas aos solos e à trampa, da impossibilidade de contaminação de solos e águas e por aí adiante. E que o aroma, devidamente enfrascado, é digno dos escaparates da melhor perfumaria. E tudo " de borla"!
O nosso povo costuma dizer na sua sabedoria milenar, que quando a esmola é grande, o pobre desconfia...
E há ainda outra coisa que me faz uma certa espécie: porque é que se lembraram de nós estes Bons Samaritanos dos dias de hoje? Sim, porquê??? Confesso que ando algo intrigado.
Talvez a resposta, ou parte dela, esteja aqui, neste artigo do Jornal de Notícias.
Aconselho vivamente a sua atenta leitura e que cada um saiba tirar as devidas conclusões. Eu tirei as minhas, claro!
Ah! Povo da minha terra ,
Que talhas com teu machado
As tábuas do teu caixão!...