Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

quinta-feira, outubro 17, 2013

Um dia será diferente... hoje é o dia.



Completa-se hoje o ´6º mandato desde que iniciei a minha participação na política autárquica activa. Vinte e quatro anos passaram  e neles muitas horas de dedicação a uma causa que desde o primeiro minuto interiorizei e da qual jamais abdiquei ao longo de todo este tempo: contribuir para  a evolução da minha freguesia.
Procurei desenvolver os cargos que exerci na Assembleia Municipal, na Junta e Assembleia de Freguesia com empenho e  lealdade, sem nunca perder de vista dois dos principais pilares em que deve assentar o exercício de qualquer cargo público: a isenção e a coerência.
Agradeço a todos os que me acompanharam em todo este tempo – os que fizeram parte das listas que integrei bem como todos os que integraram outras listas. Agradeço até aqueles que se revelaram falsos combatentes e que, não raras vezes, se deixaram dominar por outros interesses, porque valorizaram ainda mais o percurso que escolhi fazer.
E não posso deixar de dedicar  uma palavra muito especial a um grupo de 17 homens e mulheres que aceitaram com determinação o desafio que lhes propus há 4 anos atrás. Com eles foi criado um projecto  sério e fundamental para o futuro da nossa terra, e para eles vai o meu sincero obrigado por terem feito parte deste excelente grupo de trabalho.
E a minha última referência é para o homem que um dia me disse: “Teria muita honra em apoiá-lo como candidato à junta de freguesia de Canelas – pense nisso. Terá toda a liberdade para escolher a equipa e o projecto e terá o meu incondicional apoio para o realizar.”
Fernando Mendonça, aquele abraço especial por tudo mesmo: pela confiança, pelo apoio e pelo facto de em todos os  momentos ter sabido respeitar a minha liberdade. E pela amizade que para alguns Homens estará sempre muito para além da política, da religião ou de quaisquer outras opções próprias de cada um.
Até sempre!.

sábado, outubro 05, 2013

Reflexões 1

      Sob o título “Venceu quem merecia vencer”, o José Matos (JM) vem, na última edição de "O Jornal de Estarreja" e uma vez mais, fazer  o que faz uns dias depois de qualquer acto eleitoral: dissecar à sua maneira os resultados, sempre dentro da sua tão estimada  lógica partidária, tão estéril quanto interessante.
Não fosse o penúltimo parágrafo do referido texto e o mesmo se resumiria a uma nulidade. Mas atente-se bem no conteúdo das frases, que aqui se transcrevem:
 
“(…) Sabina vai governar com maioria sem precisar da oposição para nada (o sublinhado é meu). Na Assembleia, mesmo sem os presidentes da Junta do PS (penso que queria dizer PSD), a coligação pode fazer passar qualquer documento com o voto de qualidade do Presidente da Mesa.”
Bom, não sei quais as contas que o José Matos fez mas ao que julgo saber, o voto de qualidade do presidente só é usado em caso de empate nas votações. Ora, a Coligação elegeu 10 deputados, o PS, 8 e a CDU 3. Sinceramente, sem os presidentes da junta não estou a ver como é que a coligação arranja igual número de votantes mas enfim, eu terei aprendido a fazer contas numa escola que já nem existe. Terá sido esse o problema.
Adiante, porque o verdadeiro motivo destas linhas nem é sequer as contas do José Matos e é muito mais preocupante.
Comecemos pelo título para dizer que a realidade e a história são férteis em situações em que nem sempre vence quem deveria vencer. E eu acredito que em Estarreja não venceu quem deveria vencer, mas é tão só a minha opinião que vale tanto quanto a do JM. E, provavelmente pelo país fora, muitos candidatos que foram preteridos pelos eleitores, dos quais uma boa parte formaram listas do PSD, mereceriam ganhar. Percebeu-se claramente neste acto eleitoral a mistura que se continua a fazer entre eleições autárquicas e legislativas. O resultado traduz uma penalização clara dos candidatos do PSD, por culpa das políticas do governo - tal como aconteceu há 4 anos com os do PS. E estará isso certo? Não me parece.
Mas, o que o José Matos escreve sobre a oposição é que me parece demasiado grave, despropositado e defenidor de uma certa maneira de estar da qual me distancio.
Dizer que a oposição não é precisa para nada (na  governação) é assumir uma atitude de prepotência, ditadora e, sobretudo,  desrespeitadora dos 6158 eleitores que não votaram na coligação, que obteve 5253  votos. Ou seja: a oposição, mesmo que em maioria, no entender do José Matos, não serve nem é precisa para nada. E aqui não há jogos de palavras. É o que está escrito pelo  seu próprio punho.
A aplicação desta forma de ver/estar traduz-se no já habitual esvaziamento das funções dos vereadores da oposição, eleitos tão legitimamente como os outros, mas a quem não lhes é dado qualquer pelouro. E bom seria que algumas pessoas conseguissem perceber que todos os 7 vereadores representam, na mesma medida, os eleitores que neles votaram. Ora, tal como gosta de dizer o JM, é importante acatar a vontade do povo e, se o povo quisesse 7 vereadores da coligação, teria votado nesse sentido - digo eu.
 
 

domingo, julho 21, 2013

OS CONTENTES DOS PARTIDOS

Uma coisa que sempre me causou alguma impressão na política, é a malta que se recusa a despir a camisola, nem que seja para a lavar uma ou outra vez. Pelo menos, deixava de cheirar mal, certamente. Lembrei-me disto a propósito do José Matos e das suas aparições escritas por alturas das eleições, sejam elas autárquicas, presidenciais ,  legislativas ou europeias.

O José Matos, como militande do PSD, tem obviamente o direito de opinar sobre o que quer que seja (ainda não foi imposta  a lei da rolha que a sua companheira e presidente da Assembleia da República,  quis ou quer aplicar no parlamento).

Mas o que o José Matos não tem é o direito de se julgar o politólogo supra-sumo, conhecedor das motivações de cada um para querer influenciar a opinião pública, quase sempre denegrindo a imagem dos que lhe não aparam o jogo político. Já lhe conhecemos o jeito.

Há 4 anos foi assim em relação à minha candidatura  e agora voltou a mesma conversa da treta em relação à candidatura da Vera Machado.

A Vera não precisa que a defendam pois ela saberá dar bem conta disso na devida altura mas, como percebo que ainda há na verborreia do José Matos (JM)alguma situação mal resolvida de há 4 anos atrás, e para que  não fique eternamente  na ignorância, vou procurar esclarecê-lo de alguns pontos /questões que, tem obrigação de saber, mas insiste – propositadamente - em ignorar.

E, primeiramente, importa dizer que felizmente há gente que sabe separar as águas e perceber que nas eleições autárquicas devem contar as pessoas e os projectos e não os partidos.  Há 4 anos, fui eu que escolhi a minha equipa e foi essa equipa que escolheu o programa para a  sua  freguesia. Não foi o PS. Penso que no PSD/CDS acontecerá o mesmo… mas já tenho dúvidas.

Além disso, após a eleição, parece-me que os presidente da Câmara, da junta ou das Assembleias, exercem os seus mandatos como tais e não como representantes partidários. E quero crer que durante o exercício dessas funções se libertam dessa capa tratando todos por igual.

Por aqui já vemos que, no contexto autárquico,  a influência partidária é nula.

Para o JM, será sempre muito difícil perceber que há, de facto, gente que se está marimbando para os partidos quando se fala em eleições autárquicas. É óbvio que há muitos candidatos às Assembleias de Freguesia que têm a sorte de ter nos partidos em que militam ou  dos quais são simpatizantes, candidatos às câmaras Municipais com os quais se identificam e com quem formam equipas de valor.

Mas quando isso não acontece, essa gente que coloca o interesse da sua terra acima do partido, não tem qualquer problema em procurar o apoio que necessita, seja à esquerda, ou à direita. Mas nunca li ou ouvi o JM tecer qualquer consideração quando o PSD integra nas suas listas gente de outros partidos. E não são raras as situações, certamente. Mas há outras.

A nível local, por exemplo,  o CDS tem servido de muleta para o PSD ganhar eleições. Pois bem; quantos elementos do CDS estão nas juntas e assembleias de freguesia do concelho?

Não pense o JM - que jamais ousou saír da sua zona de conforto -  que é fácil dar a cara pelo PS em Estarreja, mesmo sabendo-se que o que se pretende é tão só o apoio do Fernando Mendonça para a concretização do que se pretende fazer. E é disso que se tratou comigo há 4 anos e é disso que se trata agora com a Vera Machado. Não é nenhuma azia contra qualquer partido.

A candidatura independente que o JM entende ser o caminho dos inconformados, não mais é do que um tiro no seu próprio pé. A Vera Machado é a mesma,  o seu projecto é o mesmo e a sua independência é exactamente a mesma quer se apresente pelo PSD/CDS,   pelo PS ou pelo Movimento de Cidadania encabeçado pelo José Artur. A diferença está apenas no cabeça de lista de cada uma dessas listas. E é isto que faz confusão a certas mentes mas que julgo ser perfeitamente perceptível a quem queira ser leal.

Não são os partidos que desiludem mas sim os seus dirigentes e/ou eleitos. Não misture, por isso, as coisas.

Eu sei que o JM gostaria que a minha equipa se tivesse vendido ao seu partido nas eleições anteriores porque, provavelmente o PSD teria tido um dos maiores resultados de sempre  mas, contrariamente a outros,  eu sempre fui coerente com o  que me fez aceitar pela primeira vez fazer parte de uma lista: colocar o interesse da minha freguesia acima de tudo. E, por mais que queira dizer ou demonstrar o contrário, não conseguirá encontrar uma palavra, uma acção ou uma tomada de posição que o prove.

Felizmente a Vera Machado é mais uma inconformada que infelizmente não vê no seu partido a pessoa certa para dar ao concelho de Estarreja e à sua freguesia, o que ela julga que merecem. E é por isto que todas as Veras Machado assumem a coragem de desbravar um outro caminho.

A Vera  não mudou de partido, porque não é disso que se trata.

Querer passar a ideia de que se muda de partido ou de camisola, como o JM tanto gosta de referir,  não passa de uma ardilosa forma de tentar influenciar negativamente a opinião pública e disso tirar aproveitamento. Mas também isso não é novidade. Há muitos jogos que se ganham sujamente mas há quem se dê bem com isso. Eu prefiro perder o jogo, sabendo   que o joguei  de  forma correcta e limpa, do que o ganhar à custa da mentira. E o que o JM está a usar novamente é, nada mais nada menos que  a mentira.

Mas, mesmo assim, se quer colocar o assunto no plano partidário e já que é um distinto dirigente e representante do seu partido, deixe-me que  lhe pergunte quantas vezes veio cá a Canelas ou mesmo à sua própria terra, Fermelã,  procurando saber como tem corrido a política local?

Quantas vezes veio ouvir as queixas de falta de apoio do presidente da câmara (que é do seu partido), para com as juntas que são também do seu partido?

Quantas vezes fez chegar essas críticas à Comissão Política do seu partido?

Quantas vezes procurou que as juntas de freguesia do seu partido tivessem mais atenção da Câmara Municipal?

Deixe-se de tretas, JM pois ambos sabemos que os partidos se interessam pelas freguesias apenas por altura das eleições. E eu sempre o disse.  Ficar-lhe-ia bem assumir isso, porque é a mais pura das verdades.

Mas, continuando no plano partidário, diz o JM que se um dia deixar de gostar do seu partido ou da sua lista, simplesmente não vai mudar. Está no seu direito mas querer estabelecer o fim de um percurso a quem quer que seja, e que os outros se guiem pelos seus pensamentos é, no mínimo, achar-se o dono do mundo. Não lhe fica bem.

Apesar de dizer que respeita os outros e as suas opiniões/acções, pelo  texto publicado no JE, percebe-se que tal não é verdade. Porque se fosse, não escrevia com tanta azia.

E, já agora, se o JM quiser falar nos partidos, deveria primeiramente olhar para dentro do seu e reconhecer o triste espectáculo que tem dado o seu governo, bem como o péssimo serviço que tem prestado ao país, castigando os portugueses, empobrecendo-os, desempregando-os, roubando-lhes a saúde e a educação e o futuro.  Um governo cujo primeiro ministro mentiu descaradamente ao dizer que jamais usaria as medidas que não se cansa de tomar.

E, por falar em coerência, tenho a certeza que o meu dicionário (felizmente) a define de uma forma substancialmente diferente do seu.

Sei que para si ser coerente a nível político, é ser o moço de recados de um partido, desistindo da capacidade que temos ou não de pensar por nós próprios e colocar o interesse partidário acima de quaisquer outros. Ser coerente é, por exemplo,  passar 4 anos  a criticar  a Câmara e dois meses antes das eleições fazer de conta  que sempre esteve tudo bem e vestir de novo a tal camisola do partido que nos lesou. Estamos esclarecidos.

Pois bem, a Vera Machado, tal como outros, gostam da sua terra o suficiente para fazerem tudo o  que puderem por ela, mesmo que isso implique colocar-se à disposição dos arrufos de todos  os José Matos que tanto amam os seus partidos em detrimento das necessidades das suas terras.

Contrariamente ao que o JM diz, quem é livre e apartidário tem a liberdade de se rever em quem quer que seja, sem que isso implique a colocação de palas nos olhos e no pensamento,  e sem perder a sua integridade e dignidade. Nem todos terão capacidade para o fazer certamente, mas há quem o faça.

A Vera é uma mulher de coragem que, de cara lavada, se dispôs a enfrentar um grande desafio, indiferente às críticas e patetices que alguns se julgam no direito de produzir: lutar pela sua terra e por um futuro melhor -  coisa que outros se propõem por altura das eleições, mas rapidamente deixam caír no esquecimento à medida que o tempo passa. São esses que se julgam os donos do mundo.

segunda-feira, junho 10, 2013

A ESCOLA

Como estava anunciado, realisou-se no último Domingo, a inauguração da Escola de Canellas, que é dum edifício elegante e confortável e que há tantos annos se vinha esperando. Chegou, alfim, o grande dia para Canellas, o dia da sua abertura, e não só para honra dessa terra que tem aspirações ao progresso, e que em breve espera ter novos e grandes melhoramentos, mas para felicidade das criancinhas, que vinham tendo por escola um pardieiro, como acontecera a Fermelã e a tantas outras terras, que agora vão tendo as suas escolas condignas. Estes factos constituem grandes festas, festas de justificada alegria para estes povos. E foi por isso que Canellas esteve em festa no último Domingo, em festa íntima a que o velho "Jornal de Estarreja" sempre dedicado a todas as causas de progresso, sempre propugnador de tão grandes melhoramentos do Concelho, se quis associar (…).
(Jornal de Estarreja, 05 de Maio de 1934)

Estávamos em 1934. Mais tarde, (por volta de 1970) o belo edifício da Escola de Canelas haveria de ser demolido para dar lugar à construção da sede da Junta, entretanto cedido para a instalação do Posto Médico.
Nova escola se construía, maior e mais moderna, no lugar do Castanheiro, renovada e melhorada em 2008.
Motivo de orgulho e de alegria da população durante quase oito décadas, a escola de Canelas encerrará as suas portas ainda este ano. Era há muito previsível.
A freguesia, tal como o município, tem vindo a perder população muito por culpa da estagnação a que esta terra chegou, consequência natural do desprezo a que tem sido votada por parte das políticas municipais que se têm concentrado, quase em exclusividade, nas freguesias maiores do concelho. Uma terra que não tem nada para oferecer a quem cá pretenda viver não se desenvolve nem cresce e vai-se esvaziando de vida.
Canelas, tal como Fermelã, em breve serão terras onde não há escola, atendimento de saúde, nem qualquer outro serviço público. E a população, sobretudo a mais jovem, continuará a procurar melhores rumos, enquanto que quem por aqui vai ficando parece não ter coragem sequer de dar um grito de revolta contra aqueles que tal destino lhes traçaram.

Continuando...

Continuando a análise promessas vs. realizações, mais um tema:
URBANISMO
- Incentivar a implementação da postura de trânsito
- Criação de espaços para estacionamento no centro da freguesia
- Criação da "Bolsa de Habitação"
- Levantamento de casas desabitadas ou em ruínas
- Incentivo ao restauro e utilização, juntamene com a Câmara Municipal
- Conservação e melhoramento das vias de circulação da freguesia
- Requalificação do acesso sul a Canelas
- Asfaltamento do troço Picoto sul - Passagem superior A1 (Aldeia)
- Estudo da ligação Canelas - Albergaria
- Estrutura de suporte de terras no cemitério novo.

O desafio continua: assinalar as obras realizadas!

quinta-feira, junho 06, 2013

Balanço - 3

Continuando o exercício anteriormente proposto... sobre as promessas eleitorais da coligação PSD/CDS-PP para os últimos 4 anos.

2º Tema
CULTURA & LAZER
- Promover a elaboração do projecto do futuro espaço multiusos de Canelas, constituído por:
> Núcleo museológico
> Centro de eventos
- Continuar a reabilitação do Ribeiro de Canelas, aproveitando a operação prevista do POLIS da Ria para a execução desta 2ª fase de actuação na zona do Ribeiro
- Potenciar a realização de eventos de interesse público nas instalações da Junta de Freguesia.
- Apoiar e dinamizar o projecto "Estação Viva":
> Artesanato; Percursos Bioria
> Acolhimento ao visitante
> Eventos culturais
- Conservar e desenvolver o projecto ambiental Bioria.

Notas:
1- Há que referir que, da parte da Junta, foi eleborado um projecto para o tal espaço Multiusos que teve apoio zero da Câmara Municipal, pelo que a ideia de dotar a freguesia desse equipamento não passou disso mesmo.
2 - Da mesma forma importa dizer que os percursos Bioria do Rio Jardim e do Bocage, ainda não passaram de parentes pobres do projecto Bioria, que se centra exclusivamente nos percursos de Salreu. Aqui, o desenvolvimento foi igualmente zero.

quarta-feira, maio 29, 2013

Balanço - 2



Entendo que o exercício de qualquer cargo, político ou outro, deve alcançado com base na verdade e não em tentativas manhosas de enganar quem não está ou não tem possibilidade de estar devidamente esclarecido.
É certo que a política é uma área em que uma grande maioria da população não está nem quer estar “por dentro” e será, provavelmente, por isso que o país chegou ao estado em que está. Para muitos, a política está ao  mesmo nível dos clubes de futebol (mais coração e menos razão) .
Bastará dizer, a título de exemplo que, num ano aziago para benfiquistas, não haverá um único adepto que mude para o Porto. É uma questão de coração , onde a razão não tem cabimento e daqui não vem mal ao mundo (ao país, entenda-se).
O problema é quando os  partidos políticos assumem o estatuto de clubes de futebol, nos quais os “adeptos” votam cegamente, mesmo que nada ou  pouco esclarecidos.
Percebendo-se esta falta de interesse por parte dos cidadãos, não falta por aí gente que, sem grande esforço, consegue o que quer, para depois deixar tudo na mesma, senão mesmo pior.
Vem isto a propósito do que foi prometido ao povo de Canelas há 4 anos atrás. A imagem é do folheto distribuído pela coligação PSD/CDS-PP e o exercício que aqui se propõe é de uma grande simplicidade: validar cada promessa no cumprimento da afirmação espelhada no 3º parágrafo do referido folheto,  em que se faz alusão ao “respeito pela opinião de todos, pois sabemos que estão atentos às realidades da Nossa Aldeia”.
Recordar-se-ão aqui uma a uma, tema a tema,  as citadas promessas, deixando as respectivas validações  ao cuidado dos Canelenses.

1º tema: SOCIAL
Criação de gabinete de apoio social
Serviço de apoio ao cidadão
Manutenção e melhoria contínua dos serviços de saúde.
O desafio está lançado!

segunda-feira, maio 27, 2013

Balanço - 1


Na recta final de mais um mandato, é tempo de balanço.
Lembro-me que, há sensivelmente 4 anos,  no dia da apresentação da lista por mim liderada  e do Programa para o concelho e para Canelas, que a candidatura do Fernando Mendonça preconizava, deixei publicamente o desafio para que cada Canelense guardasse o folheto que distribuímos  e que, caso ganhássemos a Câmara e a Junta de Canelas, nos confrontassem no fim do mandato e nos apontassem as obras que tivessem ficado por fazer.
A isto chama-se seriedade e não propaganda barata como a que já estamos habituados .
Pois bem; é esse exercício que pretendo fazer aqui e agora: o balanço de mais 4 anos.
Comecemos então pelo panfleto da coligação, intitulado “Canelas o Melhor Caminho”. Provavelmente a maioria, ou melhor, a quase totalidade dos habitantes da freguesia não se lembrarão já das promessas que lhes foram feitas - ou renovadas – nessa altura.
Mas, não sendo elas muitas, também não se afigurará difícil esse avivar de memória.
Dizia o tal folheto da coligação que “até 2012, a EN109 será urbanizada, com passeios, menos pesados e mais segurança”. Mesmo não entendendo o que se pretende dizer com os “menos pesados”, a velhinha 109 aqui está exactamente na mesma, ou melhor: mais degradada.
Segue-se o Centro Cívico. “Além do estudo para sul, terá projecto envolvente à Rua de S. Tomé, visando estacionamento e um equipamento cultural”. Pois… nem obra, nem projecto!
Dando de vantagem o apoio às colectividades,  a reivindicação de uma farmácia, se é que houve, não passou disso mesmo.
Relembra-se a beneficiação interior da escola – uma escola que provavelmente em Setembro fechará definitivamente as suas portas, por iniciativa e responsabilidade exclusiva da CME.
Fala-se depois do Projecto Agrícola do Baixo Vouga – também ele no ponto zero.
Diz-se a seguir, que “o Ribeiro renasceu e cresceu com o primeiro Campo de Andebol de Praia. O arranjo do Parque do Mercado já se vê (…) e vamos continuar a recuperar essa área pois a 2ª fase do Ribeiro e envolvente é das primeiras obras do Polis da Ria como definido pela Câmara”. Do campo de andebol nem valerá a pena falar aqui, uma vez que a sua utilidade / utilização não vai além da nulidade. Quanto  à  2ª fase das obras… nem vê-la!
Fala-se seguidamente nos jovens (fica sempre  bem falar nos jovens), ligando-os (?)à Estação Viva  e à redução das taxas para construção e habitação. Melhor seria dizer-se qual a taxa de IMI praticada no município ou mesmo perguntar em que é que os jovens beneficiaram da acção da CME.
E termina com assim: “Canelas está mesmo n’O Melhor Caminho e em equipa com o Gabriel Tavares acompanhado pelo Sr. Simões, queremos continuar a trabalhar mais pelos Canelenses.” Qualquer cidadão, por muito pouco esclarecido que esteja, percebe facilmente que não se cansaram. Basta olhar à volta.
É tempo de o povo perceber que há outras opções, com gente que se interessa por Canelas e pelos Canelenses. Gente com projectos para serem concretizados e não para serem apenas “armas” de campanhas eleitorais. Gente que sabe que isto dá trabalho e que está disposta a encarar este desafio, acima de tudo, como um dever de cidadania por amor à sua terra.
Falar-se-á oportunamente, também em jeito de balanço,  do programa mais detalhado que foi prometido para Canelas pela coligação PSD/CDS. Recordar-se-ão também as propostas da candidatura do Futuro Feliz, para que se percebam as diferenças entre a tal mão cheia de tudo e a mão cheia de nada com que a minha terra foi brindada, mais uma vez.

terça-feira, maio 14, 2013

Até quando?

Um pobre pode viver com dignidade desde que o respeitem e não lhe retirem a esperança de uma vida melhor;
O que este governo está a fazer é transformar um país pobre num país miserável, roubando ao povo as elementares condições para uma vida - que já não se pretende boa mas tão só - digna.
Até quando, sr. presidente?



sexta-feira, fevereiro 22, 2013

DIREITO DE RESPOSTA



Publicado em "O Jornal de Estarreja" de 22.02.2013

O PS de Estarreja entendeu rever-se numa posição por mim assumida há algum tempo atrás, sobre a  malfadada lei nº 11-A/2013, tendo o JE publicado, a seu pedido,  na sua edição de 08 . 02, um artigo em que deu a conhecer parte do que escrevi sobre o assunto, em 30/01/2013.
Ora, na edição seguinte, a última, o PSD local vem tecer uma série de considerações sobre o assunto em jeito de resposta, não ao comunicado do PS mas  à minha posição sobre este assunto, de uma forma que classificarei apenas de gratuita, porque quero manter a boa educação que me ensinaram a ter. Muito me honra a distinção que me foi dada pelo PSD, sinal de que o que digo tem algum sentido (ninguém perde tempo com coisas banais) mas, como fui visado nesse texto, sinto-me no direito de esclarecer alguns pontos, para que não restem quaisquer dúvidas sobre isto.
 1 – Pouco me importa que tenha sido o PS, o PSD ou a CDU a propor à Troika a inclusão do assunto no Memorando de Entendimento. Quem leu o Memorando não encontrará nele nenhuma referência a que a reorganização territorial seja feita nos moldes em que foi. O que é facto é que foi a coligação que hoje governa o país que tomou a deliberação de perpetrar este crime, criando e aprovando a lei, enviando-a  ao Sr. presidente da república, que também a promulgou. Todos os deputados da oposição votaram contra e  os da maioria a favor, mesmo sabendo que a maior parte do país estava contra a reforma nestes moldes, nomeadamente a ANM, a ANAFRE e centenas de juntas e assembleias de freguesia, tal como diversas Câmaras e Assembleias Municipais. Bastaria que tivessem votado igualmente contra, e a lei não teria passado.  Esta é a realidade por todos  conhecida, daí que tentar sacudir a água do capote, nesta altura, fica mal, convenhamos.
2 – Fui, de facto, militante do PPD/ PSD durante muitos anos e contribuí activamente para inúmeros sucessos eleitorais do partido – provavelmente muito mais do que muitos que hoje ocupam cargos de destaque nos órgãos do partido. Não me arrependo disso porque me revia nos programas eleitorais dos candidatos e acreditei na sua capacidade de os executar. Entendi desvincular-me oficialmente do partido quando os seus líderes deixaram de merecer a minha confiança. No entanto, como independente, continuei a vestir a camisola do PSD durante vários anos, mas circunscrito apenas à actividade autárquica. Em 2008, após cerca de 7 anos de sucessivas queixas da junta de Canelas  sobre a (visível) falta de apoio da CME para com esta freguesia, e da ausência de qualquer obra marcante, apresentei a demissão do cargo de presidente da assembleia de freguesia, como forma de solidariedade para com o executivo e ao mesmo tempo, em protesto pela política seguida pela CME para com a freguesia de Canelas nestes últimos anos.  Enquanto autarca, sempre me preocupei – e preocupo – com o desenvolvimento da minha freguesia e não com a bandeira de qualquer partido.
Não me fiquei pelas palavras – à semelhança de outros -  e  construí um programa sério, objectivo e necessário para esta freguesia, e reuni uma equipa capaz de o realizar. Apresentei-o  em 2009, mas que não mereceu a aprovação da maioria do povo. Respeito e respeitarei sempre essa decisão e registo com agrado o resultado obtido e o número de pessoas que acreditaram nessa equipa e nesse projecto – e foram muitos!. Registo igualmente a dignidade com que esse grupo de gente lidou com o chorrilho de mentiras distribuídas de porta em  porta e com o insulto gratuito que também foi apanágio dessa campanha eleitoral.
Estou de consciência tranquila pois fiz o que tinha de fazer.
De facto, é bom que a memória não seja curta, ou pelo menos não tão curta que faça esquecer as críticas à forma de actuação da CME – algumas veementes – dos presidentes de junta entrevistados em 2008 / 2009 pelo JE, mas que depois resultaram no que sabemos. Será isso o tal orgulho de não ter uma postura de seguidismo acéfalo em relação a quem nos governa (a nível local ou nacional)? Ou será esse o tal código genético do PSD?
É que hoje as queixas da falta de apoio, neste mandato, continuam e são ainda mais severas! E estão em Acta. É só consultar.
3 – Voltando à história da fusão das freguesias, é precisamente por o PSD local (juntamente com todos os órgãos autárquicos do concelho) ter assumido uma posição contra que faz todo o sentido a não apresentação de qualquer candidato. Ou toda a gente fala mas na hora de agir fica tudo na mesma?
Ficamos todos tranquilos, à sombra de 2 ou 3 Moções enviadas ao governo - que não resultaram em coisa nenhuma - e agora voltamos a dar a cara por esses partidos que reduziram o concelho a 5 freguesias? E dizem que não é seguidismo político? É então o quê?
Ou seja: são contra mas acabam todos sentados à mesma mesa, a comer do mesmo repasto e o povo que se amanhe!  Infelizmente já nos habituámos a isso e a muito mais.
De facto, tal como diz o PSD,  é nos momentos difíceis que se deve ter coragem. Coragem para mudar de rumo e não para continuar no caminho do seguidismo político-partidário como se nada fosse, como se a eliminação de 2 freguesias do concelho fosse o acto mais natural deste mundo.
Para a história ficará sempre a realidade e essa é clara, por muito que se queria escamotear: o desaparecimento de Canelas, Fermelã e Veiros como freguesias independentes, ficará indelevelmente ligada à coligação PSD/CDS.
Se o PSD local quer, de facto, demarcar-se da posição do governo – tal como diz - e quer ser coerente e leal para com o povo de Estarreja e para com tudo o que tem dito sobre o assunto, só tem um caminho: passar das palavras à acção.
E se, de facto, como dizem, o que vale são os candidatos, estes só podem sair de cara lavada deste circo apresentando-se  em listas independentes, marcando assim a sua posição perante o que todos consideramos  a mais patética reorganização administrativa do concelho de Estarreja, classificada pela Coligação PPD/PSD - CDS-PP como, e cito, um desvaire de insensatez! Em que ficamos?
Como diz o povo, na sua secular sabedoria, “de paleio está o mundo farto”.